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A estreia de Catatau no Vasco



Catatau teve boa atuação no 2 a 2 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O mais próximo que Ygor Catatau chegava do futebol, até bem pouco tempo, era guardando carros na Rua Fadel Fadel, no Leblon, um dos acessos à Gávea, sede do Flamengo. O mais perto de um grande palco era por ali também, no Teatro Casa Grande.

Cláudio Coutinho por diversas vezes lhe deu respaldo. Nesse caso, a Praça Cláudio Coutinho, também localizada na região, não o treinador, que passou pelo Vasco no início dos anos 70, como supervisor.

De uma forma quase que irônica, o futebol rodeava Catatau, mas não lhe dava oportunidades. O que Ygor buscava mesmo, naquela época – começou a trabalhar com o pai aos 12 anos -, era driblar as dificuldades da vida.

Nessa quarta-feira, aos 25 anos, Catatau voltou a ser um guardador. Dessa vez, não mais de carros, mas sim de memórias.

O atacante, que ganhou a primeira chance num clube apenas aos 20 anos, estreou com a camisa do Vasco. E não foi num duelo qualquer. Foi o seu primeiro jogo numa Série A, já como titular, na histórica Vila Belmiro e contra um perigoso Santos.

Por si só, memorável. Algo para se guardar.

Guardar, aliás, era a ideia de Ramon Menezes ao escalar o jogador. Rápido e forte, Catatau ajudou a proteger o lado esquerdo de defesa, atacado pelo bom Marinho. Junto de Benítez e Henrique, não deu folga ao canhotinho.

No seu primeiro lance, Catatau girou o pé direito sobre a bola, como se tentasse algum passe de mágica. Ameaçou o drible, parou e encontrou Benítez por dentro. Na sequência, vibrou com o corte de um passe. Alguns segundos depois, recuperou a posse e tentou driblar Sanchez. Mesmo saindo com bola e tudo, recebeu os incentivos de Ramon.

Não tinha 10 minutos em campo e Catatau já se fazia ser notado.

O atacante ex-Madureira ainda tabelou com Andrey, deu de letra para Benítez, foi tirado para dançar por Soteldo – no 1º gol santista -, e de caçador virou caça em campo, sendo marcado por Marinho. Arriscou, errou, mas foi presenteado – ou presenteou – com uma assistência para Fellipe Bastos empatar o jogo antes do intervalo, fazendo jus ao bom futebol apresentado pelo Vasco nos minutos iniciais.

Catatau estava surpreendentemente confortável em campo.

Num clube grande, num clássico nacional, numa transmissão para todo o Brasil, mas com pouco efeito visível sob o atacante. Era como se Ygor tivesse aguardado esse momento desde os tempos em que apenas guardava carros. Talvez por também guardar sonhos. E, agora, vivê-lo.

Catatau recebeu da Globo o prêmio de melhor em campo. Eu teria dado a Miranda, um jovem veterano de apenas oito jogos como profissional, que tomou o jogo para si como se a Vila fosse parte de seu quintal. Mas o contexto justifica a escolha.

Sem dúvida, um dia que Ygor guardará na lembrança.



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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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