Estreia à mineira



Thiago Galhardo fez o gol da vitória sobre o Madureira (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Eu ia abrir a crônica inaugural do ano dizendo que o Carioca começa quando o primeiro tufo de grama seca encontra uma bola saudosa e sedenta de atenção, que desliza desinibida sob o sol como se já fosse carnaval. Foi a forma mais bonita que encontrei de dar o pontapé inicial na temporada. Porém, a verdade é outra, amigos, bem mais cruel e dura: o Estadual começa na primeira vaia.

Não há futebol sem crítica. O reencontro entre time e torcida acontece exatamente no primeiro instante de frustração, é quando eles se olham de frente, pós-Natal e réveillon, encaram a realidade e lembram porque estão juntos, apesar de tudo. A vaia é a implicância dos apaixonados.

E ela veio lá pelos 23 minutos, quando os números do relógio ainda não superavam o do termômetro – que chegou a marcar 37 graus -, após Cláudio Maradona ganhar de Danilo Barcelos no alto e carimbar, de cabeça, o travessão de Fernando Miguel. Uma das novidades do Vasco para a temporada, o lateral-esquerdo foi batizado antes mesmo do primeiro choro.

Num dado momento, o camisa 14 chegou até a ser criticado por estar na sombra, num ato, creio eu, mais de inveja do que de cobrança, já que em Madureira um pequeno abrigo do sol custa mais que água de coco pra gringo em Copacabana. Como se um mineiro de Coronel Fabriciano, como Danilo, fosse chegar ao Rio sem um chapeuzinho. É preciso curtir a pele primeiro.

A verdade é que estreias são eventos de apresentação, não de rendimento. A primeira partida do ano nada mais é que um grande desfile onde o grande se esforça para não tropeçar. Mas é necessário começar de algum lugar, em algum momento. E o Vasco começou mal, ao menos no jogo.

A equipe de Alberto Valentim tentou cadenciar a partida com toques curtos, inclusive abusando da participação de seu goleiro com os pés. Raúl e Lucas Mineiro,volantes da equipe, no entanto, pouco se apresentavam para ajudar. Pressionado pelo Tricolor Suburbano, mais acostumado com o gramado e em melhor condição física, teve que recorrer às bolas longas, sem sucesso. Com exceção dos cariocas Dudu e Ribamar, e alguns lampejos de Marrony, natural de Volta Redonda, o Cruz-Maltino pouco produziu no 1º tempo.

O ex-botafoguense, aliás, merece um destaque aqui. Ribamar se mostrou impassível ao sol, ao calor e, claro, à estreia. Jogou às 17h, em Madureira, no ápice do verão carioca, como se estivesse batendo uma altinha entre família no fim de tarde em Petrópolis. Em junho! Talvez nem tenha suado, tamanha normalidade as suas arrancadas e disputas com os zagueiros. Surge, nesse início, como uma boa opção para Valentim. Faltou só o gol.

Apesar dos esforços de Ribamar e Dudu na criação pelo meio, o Vasco encontraria mesmo os melhores espaços pelas laterais. No 2º tempo, comeu pelas beiradas, como o bom mineiro que é Danilo Barcelos. Se há falhas na marcação por parte do jogador, o mesmo não se pode dizer de sua qualidade nos levantamentos para a área. Com a sombra crescendo em Conselheiro Galvão, aumentou também o volume de jogo do lateral, que acertou incríveis nove cruzamentos na partida. O número é praticamente o dobro da média do time inteiro do Vasco no último Brasileirão – 4,6 acertos por jogo, segundo dados do Footstats. Nove foram também as vezes em que Barcelos serviu seus companheiros para finalizarem, fosse por cima ou por baixo. Ribamar, com cinco, foi o segundo que mais deu assistências.

Quisera o destino, porém, que o primeiro gol vascaíno no Carioca saísse dos pés de outro mineiro: Thiago Galhardo. E pelo outro lado, o direito. Discretos na estreia, Cáceres e Raul iniciaram a jogada, Marrony errou a letra mas não o passe. Nascido em São João del-Rei mas revelado em Bangu, Galhardo conhece Madureira – onde jogou em 2015 – como as travas da chuteira. O tapa seco, de lado, como se tivesse calculado previamente o efeito do calor na trajetória da bola, decretou o 1 a 0 no placar e o fim inevitável do jogo, apesar das outras boas chances criadas em novos cruzamentos de Danilo.

O Vasco apresentou pouco futebol, é verdade, mas soube driblar suas limitações – de momento e naturais – com suas prováveis armas para a temporada: juventude e jogo aéreo. É o que se tem até montar um coletivo competitivo.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone



MaisRecentes

No dia do aniversário, presente do Vasco vem da base



Continue Lendo

Vasco muda perfil de reforço para o ataque e já observa alguns nomes



Continue Lendo

As escolhas equivocadas de Luxemburgo



Continue Lendo