Enquanto isso, 1923 bate à porta



Construção de São Januário na década de 20 (Foto: Arquivo)

Construção de São Januário na década de 20 (Foto: Arquivo)

Nada mais chato e menos esportivo do que ficar discutindo ‘atuações’ extra-campo dos clubes. A discussão de momento agora são os preços dos ingressos do Campeonato Carioca.

Como se pagar 10 ou 20 pratas para assistir uma pelada embaixo desse sol escaldante do Rio de Janeiro fosse uma questão de dinheiro e não de paixão.

No fim, só vai ao estádio assistir Vasco e Barra Mansa, por exemplo, quem é muito apaixonado pelo time. Se fosse pela qualidade do show, cinco reais era caro. Mas torcedor que é torcedor não liga, não vai porque o clube tá bem ou o adversário é forte, vai porque gosta e acabou.

Aliás, quem torce mesmo vai pelo time e não pelo adversário. Tanto faz se é contra o Olaria – com todo respeito – ou contra o Cruzeiro. É jogo do Vasco e ponto – à exceção dos clássicos.

O que eu não entendo direito é esse racha entre os grandes, afinal, tudo era para estar resolvido há mais de 90 anos.

Em 1923, a AMEA – Associação Metropolitana de Esportes Amadores -, a FERJ do início do século passado, ameaçou expulsar o Vasco da competição, com o aval de Botafogo, Fluminense e Flamengo, por não ter um estádio próprio.

Obviamente o problema não era a falta de um campo, mas sim o atropelo do Cruz-Maltino naquela temporada, recém chegado à elite do futebol carioca, e repleto de negros e operários em seu esquadrão, que incomodava. Tanto a associação, quanto os seus associados.

O Vasco bateu o pé – como de costume -, peitou à todos e não se rendeu aos desmandos e preconceitos da ‘elite carioca’. Mesmo campeão, não pôde se filiar à AMEA – por não ter aceitado expulsar 12 negros, trabalhadores, imigrantes e analfabetos de seu quadro esportivo – e foi para a Liga Metropolitana, junto com os outros excluídos. Resultado: mais uma vez campeão, desta vez invicto.

Com o crescimento do clube neste período, foram obrigados a engolir o Bacalhau à seco. Ainda assim, o Gigante queria mais.

Com a contribuição de milhares de torcedores, o Vasco ergueu seu glorioso estádio em 1927. Mesmo não sendo mais obrigado a tê-lo, o fez. Pelas mãos da torcida.

E não construiu qualquer estádio, mas sim o maior da América do Sul naquela época. Pioneiro desde sempre.

Resumo da história: se aqueles que tentaram impôr barreiras há décadas atrás – achando que seriam intransponíveis para a gente -, tivessem erguido as mangas como fizeram os vascaínos, hoje não teríamos discussões entre o consórcio tal ou o administrador de não sei o que lá.

Há mais de 90 anos, falaram que o Vasco não podia jogar porque não tinha estádio. Hoje, só ele tem. Talvez, se todos tivessem, este debate todo, que só prejudica ainda mais o Estadual, não teria ocorrido.

Afinal, cada um que decida como irá receber sua família e os convidados. A casa é sua, você manda.

Mas não é o caso.

Como não possuem, pela própria regra criada pelo trio e pela AMEA, não eram nem para estarem disputando o Estadual…

Como o mundo dá voltas…

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