É preciso preservar Talles Magno



Talles foi bem marcado por Orejuela (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Vasco e Grêmio fizeram um jogo, digamos, insosso, na tarde desse domingo. Nem o clima europeu que está fazendo no Rio de Janeiro – 20° para o carioca é o suficiente pra transformar o cachecol em máscara – o ajudou a competir com a decisão da Champions League, entre PSG e Bayern de Munique, no mesmo horário. Às 16h também, convenhamos, todos os torcedores já haviam decidido o que iriam assistir.

Não sei como foi em Lisboa, palco da final, mas em São Januário não esquentou.

Nem mesmo com a principal deficiência dos vascaínos casando com uma das maiores virtudes gremistas. O Vasco de Ramon tem problemas – não é de hoje – na saída de bola. Logo, tem dificuldades para sair do seu campo. A equipe de Renato Gaúcho, por sua vez, não gosta de sair do campo adversário. E foi dentro desse contexto que os gaúchos levaram mais perigo ao gol de Fernando Miguel, que precisou fazer duas boas defesas antes do intervalo.

E o jogo, apesar de algumas nuances, como as boas entradas de Cayo Tenório, Bruno César e Vinícius – que quase marcou nos minutos finais, em chute de canhota que foi salvo por Paulo Vítor -, não foi muito além disso. Se possível fosse, alguns jogadores ali teriam trocado de canal.

Por isso, me permito individualizar o tema do texto de hoje pra falar de um jogador específico: Talles Magno.

Fixo no lado esquerdo, o atacante mais uma vez não fez um grande jogo. Desde o retorno do futebol o menino ainda não se reencontrou. E olha que outras peças cresceram com Ramon.

Pode ser resquício da fratura, uma possível falta de confiança? É claro que pode. Pode ser fruto de uma maior marcação após se destacar? Também. Falta de aproximação de Henrique, mais fixo com Ramon, e dos meias? Sem dúvida. Muitas coisas interferem no rendimento individual de um jogador.

Mas uma delas, nesse caso específico, me parece ser mais significativa: Talles tem apenas 18 anos, é natural que oscile. Principalmente quando se coloca tanta responsabilidade em um menino. Inclusive, o mantendo em campo após seguidas partidas ruins.

Contra o Grêmio, Talles tentou cinco dribles e acertou apenas um. Ganhou apenas seis de 19 duelos no chão. Perdeu 16 vezes a posse de bola. Errou sete dos 39 passes que tentou. Não deu nenhum passe decisivo. E tem sido mais ou menos assim nos últimos jogos, tanto que é o jogador que mais sofreu desarmes até agora no Brasileirão, com 14.

Talles desaprendeu a jogar futebol ou nunca foi o jogador que esperavam? Nenhuma das duas opções.

Primeiro, porque talento não se perde. Segundo, porque Talles ainda é um jogador em formação, não uma obra completa. Logo, não dá pra dizer ainda o que Talles será. Agora, é o futuro, não o presente. E é aí, ao meu ver, que está o erro.

Parece haver hoje no Vasco uma necessidade de manter o garoto em campo, independente da atuação. Não sei se para dar confiança ao atacante, mais minutos para pegar ritmo ou então para dar visibilidade para uma possível venda, algo que o clube já deixou claro que deseja.

Independente do motivo, não vem funcionando. Nem para o time, e menos ainda para o atleta.

A cada novo erro, a cada duelo perdido, a cada tomada de decisão equivocada – natural da idade -, Talles ao invés de crescer, diminui. A confiança abaixa, a responsabilidade aumenta e a cobrança também. Inclusive interna.

No início de fevereiro, ainda com Abel Braga, Talles deu uma entrevista dizendo que se cobra muito, que vinha conversando bastante com sua psicóloga sobre isso. Veja bem, um menino, então com 17 anos, já carregava nos ombros a expectativa de ser o craque do time e a esperança financeira do clube – e da própria família.

Aos 17 anos…

Agora, aos 18, Talles ainda é o mesmo menino dos 17. Precisa ser preservado. Não só como jogador, mas como pessoa.

*Com números do Sofascore



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