Dudu e o início dos meias revelados no Vasco



Dudu marcou seu 1º gol pelo Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Tenho pra mim que a carreira de um jogador de futebol, principalmente dos meias e atacantes, só começa após o primeiro gol marcado. É ali, no toque da bola na rede, na explosão da torcida, no alívio após a batida, que o menino chega ao ápice do seu sonho, e a partir dali o vive como uma realidade. Antes disso, tudo é apenas um anseio pelo primeiro tento. Depois dele, aí sim, a busca pela consolidação profissional. Nesta quarta-feira, quem viu o seu sonho se tornar real foi Dudu, do Vasco.

Criado nas divisões de base do clube, o garoto de 20 anos marcou, contra o Volta Redonda, o seu primeiro gol como profissional em apenas a sua terceira partida – na primeira, ainda no ano passado, atuou por apenas 11 minutos, contra o Corinthians. Um fato que não ocorria com um meia de criação oriundo dos juniores do cruz-maltino desde 1994, quando o então jovem Preto Casagrande marcou também em sua terceira atuação.

Preto estreou pelo Vasco no dia 9 de outubro de 1994, num clássico contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. Da mesma geração que revelou Yan, Gian e Jardel, o jogador foi expulso logo em seu segundo jogo, contra o Corinthians, uma semana depois. Fora do duelo contra a Portuguesa, na rodada seguinte, retornou ao time de Sebastião Lazaroni contra o Internacional, no Maracanã. Com dois gols na goleada por 5 a 2 sobre o Colorado, fez naquele dia sua maior atuação com  a camisa vascaína. Estes seriam, porém, seus únicos gols pelo clube.

Preto brilhou contra o Inter em 94 (Foto: Reprodução/Youtube)

Ao longo da carreira, Preto foi recuando e se tornando uma espécie de segundo volante. Em 2004, no entanto, vestiu a camisa 10 do Santos após a saída de Diego, para o Porto, se sagrando campeão brasileiro ao lado de Ricardinho, Elano e Robinho. na carreira, o jogador defendeu ainda Vitória, Bahia, Atlhlético Paranaesne, Fortaleza e Fluminense

Nem mesmo craques como Pedrinho e Philippe Coutinho balançaram as redes tão cedo quando subiram da base para o profissional. O canhotinho, ídolo cruz-maltino, estreou em 1995, mas só foi marcar pela primeira vez em 1996, numa derrota para o Coritiba. Entre a primeira partida e o gol, foram 13 aparições em campo.

Já Coutinho, hoje no Barcelona, precisou de um pouco mais. Vendido para a Inter de Milão, o meia-atacante estreou em 2009, na Série B, mas só foi se tornar titular na temporada seguinte, que marcaria a sua despedida. Após 15 jogos, a joia vascaína enfim balançou as redes como profissional: duas vezes, na goleada por 6 a 0 sobre o Botafogo.

É claro que a velocidade com que se marca o primeiro gol como profissional não diz absolutamente nada sobre como será a carreira do jogador. É uma mera curiosidade. O lateral-direiro Filipe Alvim, por exemplo, marcou em sua estreia, mas nunca se firmou no clube – acabou encerrando a carreira precocemente, aos 25 anos, em razão de um problema no coração, quando defendia o Corinthians -, enquanto que Allan, hoje no Napoli, que também atuou na posição, precisou de 14.

Os números, porém, são importantes para entender que cada jogador tem um tempo de maturação diferente. E, no atual momento do Vasco, onde diversos bons jogadores surgem em sua base – alguns já marcando presença nos profissionais, como Marrony e Dudu -, isso é fundamental para que não se queime os garotos antes do tempo. É preciso saber o que, e quando, cobrar.

Coutinho, aos 17 anos, até pelo perfil franzino, tinha dificuldades para finalizar de média distância. Hoje a batida longa é uma de suas marcas registradas. Pedrinho exagerava nos dribles, mas quando passaram a sair, se tornou uma de suas armas.

Marrony é o artilheiro do Vasco na temporada. Dudu, o último da base a marcar. Mas ainda são garotos em formação. Assim como serão Lucas Santos, João Pedro, Caio Lopes, Tiago Reis e Bruno Gomes, quando subirem.É preciso ter calma, sem que se perca a esperança.

TEMPO NECESSÁRIO PARA MARCAR O 1º GOL
– Meias revelados pelo Vasco entre 1994 e 2019

Ano de estreia – jogador – tempo para o 1º gol
1994 – Preto Casagrande – 3 jogos
1995 – Richardson – 20 jogos
1995 – Pedrinho – 13 jogos
1995 – Zada – 9 jogos
1997 – Dias – 12 jogos e não marcou
2000 – Léo Lima – 26 jogos
2001 – Siston – 26 jogos
2001 – Botti – 6 jogos
2001 – Geovani – 8 jogos
2002 – Moraes – 28 jogos
2008 – Alex Teixeira* – 5 jogos
2009 – Philippe Coutinho – 15 jogos
2012 – Maicon Assis – 3 jogos e não marcou
2012 – Jhon Cley – 34 jogos
2013 – Guilherme Costa – 6 jogos
2013 – Marlone – 19 jogos
2015 – Matheus Índio – 6 jogos e não marcou
2015 – Mateus Vital – 26 jogos
2016 – Evander – 26 jogos
2018 – Dudu – 3 jogos

* Alex Teixeira atuou, na maioria das vezes, como atacante, mas como também foi aproveitado como meia, entrou na listagem a título de informação.

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