Dos Camisas Negras ao Expresso da Vitória: técnico estrangeiro não é novidade no Vasco



Jorge Jesus pode ser o novo técnico do Vasco (Foto: AFP)

“No futebol és um traço de união Brasil-Portugal”.

O hino, assim como a sua história, seu nome e toda sua tradição, não nega a origem portuguesa do Vasco. E a união entre os dois países pode se tornar ainda mais presente no clube com a possível chegada do técnico Jorge Jesus, principal nome buscado pela diretoria para substituir Alberto Valentim, demitido no último domingo.

Caso a negociação se concretize, essa não será a primeira vez que um técnico estrangeiro assume o comando do Cruz-Maltino. Nem o primeiro português.

Aliás, o primeiro treinador vascaíno foi um gringo: o uruguaio Ramón Platero, que dirigiu o histórico time que ficou conhecido como Camisas Negras, no início dos anos 20, levando o clube à elite do futebol carioca e conquistando o seus primeiros estaduais, em 1923 e 1924.

Platero chegou a comandar a Seleção Brasileira também em 25.

Com a saída de Ramón em 27, que assumiu o Botafogo, quem ficou com o cargo foi o inglês Henry Welfare, ex-jogador de Liverpool – onde nasceu -, Fluminense e Flamengo, e que três anos antes havia encerrado a sua carreira dentro dos gramados e passou a ter nova função. O ‘Tanque Inglês’, como era chamado, um dos maiores artilheiros da história do Tricolor, comandou o Vasco por uma década, conquistando as taças do Carioca de 1929, 1934 e 1936, tendo ao seu dispor craques como Jaguaré, Fausto, Paschoal, Domingos da Guia e Leônidas da Silva.

Após uma década inteira com um inglês como treinador, o Vasco decidiu apostar novamente no talento uruguaio, bicampeão olímpico nos anos 20 e campeão do mundo em 30, trazendo o técnico Carlos Scarone, em 1938. Junto dele, chegam uma verdadeira legião estrangeira, com as contratações dos argentinos Agnelli, Calocero, Dacunto, Emeal, Menutti e Gandulla, além dos seus compatriotas Figliola, Servetti e Villadoniga.

Em 1940, Welfare foi novamente contratado pelo Vasco, mas apenas para comandar o time vascaíno na Torneio Luis Aranha.

Welfare foi um dos responsáveis pela chegada de Ondino (Foto: Reprodução)

Dois anos depois, o clube trouxe outro uruguaio, Ondino Viera – ex-Nacional, River Plate e Fluminense -, que ficaria marcado por dar início a montagem da equipe conhecida como Expresso da Vitória, conquistando o Campeonato Carioca de 1945 de maneira invicta.

No ano seguinte, um fato inusitado faria com que um português assumisse o Vasco pela primeira vez – e até agora única. Sem chegar a um consenso sobre quem deveria substituir Vieira no comando, o Vasco colocou um anúncio de emprego no jornal. Inúmeras pessoas se dispuseram ao cargo, mas o clube decidiu por contratar o ex-zagueiro português Ernesto Santos, que havia atuado por São Cristóvão e Fluminense e iniciava sua carreira como treinador.

Anúncio do Vasco em busca de treinador (Foto: reprodução)

Quinto colocado no Estadual, porém, Ernesto não durou muito no cargo, sendo substituído em seguida pelo brasileiro Flávio Costa, que se sagraria campeão sul-americano invicto com o Vasco em 1948.

O time de São Januário só voltaria a ter um técnico estrangeiro em 1960, com o argentino Abel Picabéa, nascido em Buenos Aires em 1906 mas que desde os anos 30 morava no Rio de Janeiro, tendo sido zagueiro do São Cristóvão – assim como Ernesto, curiosamente -, e técnico do Madureira, Santos, Palmeiras, Olaria e tantos outros. Antes de assumir o Cruz-Maltino, vinha de uma sequência de trabalhos na Europa, tendo passado pelo Sporting, de Portugal, e Oviedo e Gijón, ambos da Espanha. Sua passagem, no entanto, também seria curta, deixando o cargo antes da temporada seguinte.

Agora, quase 60 anos depois, o Vasco volta a investir em um técnico estrangeiro, o segundo português. Resta saber se Jorge Jesus aceitará o convite.

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