O desapego vascaíno



MT foi uma das novidades no Vasco de Marcelo Cabo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Escrevi aqui nesse espaço, na semana passada, sobre como ter a posse de bola havia se tornado algo perigoso para o Vasco. Comparei ao uso de arma por quem nunca manuseou uma.

Marcelo Cabo, o técnico vascaíno, também parece ter entendido dessa forma.

Nesse sábado, contra o CRB, pela primeira vez nesta Série B o Cruz-Maltino teve menos posse de bola do que o seu adversário. E venceu.

O time, que antes a mantinha por 61,2% do tempo, em média, mas tinha dificuldades para criar, dessa vez a teve por apenas 46,9%. E marcou três gols. Cano, que só havia conseguido três finalizações certas em quatro jogos – sendo uma de pênalti -, deu quatro em apenas 90 minutos.

Aliás, foi o duelo em que o Vasco mais acertou o alvo, acertando oito dos dez arremates que deu. Foram três bolas na rede, uma na trave e uma defesa de Diogo Silva cara a cara com Cano. Se não aumentou o volume, qualificou.

Quer dizer então que não ter a bola é uma vantagem? Depende.

Atacar defesas fechadas não é simples. Principalmente quando se tem limitações de peças e de tempo. Tentar construir desde o seu campo defensivo, com passes curtos, é ótimo. Quando bem executado. Caso contrário, se torna um risco maior que o benefício.

Não ter a posse o tempo todo não significa abdicar de jogar. Muitas vezes significa explorar o erro adversário. Jogar sem a bola é tão importante quanto jogar com ela.

O Vasco transformou o veneno em remédio.

Quando teve espaço para tocar, não se absteve. Mas, principalmente, soube desapegar de algumas de suas convicções iniciais e baixar as linhas com segurança quando necessário. Porém, não muito.

MT, Morato e Marquinhos Gabriel, exatamente os três meias de criação da equipe, foram para o intervalo como líderes de desarmes. Cano quase abriu o placar após ganhar de Frazan e tentar uma cavadinha. Com a pressão da linha média, a bola, ainda que de posse do CRB, esteve mais próxima do gol adversário do que da meta vascaína.

E os espaços, antes escassos, apareceram.

Para se ter uma ideia, esse foi o primeiro jogo do Vasco na Série B em que Germán Cano tocou mais vezes na bola do que o goleiro cruz-maltino. Logo a partida onde o time teve menos posse.

Sintomático.

O Vasco não poderá viver só de contra-ataques na Série B, mas pode viver também deles. Mais importante do que definir se será reativo ou propositivo, como gostam de chamar hoje em dia, é encontrar o equilíbrio entre os dois.

Essa parece ser a busca de Marcelo Cabo.



MaisRecentes

Cano passa Pikachu no ranking de artilheiros do Vasco neste século



Continue Lendo

O talentoso Riquelme



Continue Lendo

Nenê sobe cinco posições no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo