Derrota para o São Paulo explica o porquê do aumento histórico de sócios no Vasco



Ribamar mal tocou na bola (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

O Vasco foi fundado por 62 pessoas num sobrado em 1898. Para construir São Januário, em 1927, lançou a ‘Campanha dos 10 mil”, onde reuniu em seu quadro social dez mil novos sócios para angariar o dinheiro.

Por outras vezes já usou do mesmo recurso – reforma da quadra, pagamento de salários atrasados de professores e construção de CT, entre outros -, mas nunca como nessa semana, quando conseguiu 55 mil novos associados em apenas quatro dias.

O que estes movimentos têm em comum? Todos eles ocorreram para reerguer o Vasco em momentos complicados, nunca em instantes de êxtase e frenesi. É no aperto que o vascaíno se une.

O torcedor do Vasco não vem se associando embalado pelo grande momento do time, pela crença numa mudança interna, de gestão. É exatamente o contrário. O vascaíno que nos últimos dias lotou o site e as lojas físicas do clube o fez pela constante insatisfação com os elencos fracos montados por quase todo os anos 2000.

A derrota para o São Paulo, nessa quinta-feira, por 1 a 0, explica bem o porquê dessa onda vascaína ter fluído de maneira tão rápida e forte.

Contra o Tricolor, o festival de erros técnicos, entre passes e domínios, era o atrativo para o não-sócio correr para o computador e se cadastrar. Só assim ele poderia imaginar uma mudança na qualidade da equipe no futuro.

Não é o gol que atrai, é a falta dele. A agonia de assistir um time limitado é o gatilho.

Foram 29 passes errados no jogo – seis do lateral-esquerdo Henrique. Em um deles, sem ser pressionado, Richard iniciou a jogada do gol são-paulino. O volante já havia falhado também contra o Goiás. Assim como Henríquez, autor do gol contra no duelo com o Esmeraldino, que dessa vez cortou mal o lateral antes do tento de Antony.

Só de tentativas de lançamentos foram 36 – 20 errados -, mesmo tendo apenas 42% de posse, segundo o Footstats. Um samba de uma nota só dos cruz-maltinos. Uma busca melancólica pela bola longa certeira. Só Guarín, claramente incapaz de atuar por 90 minutos, errou cinco. Castan, quatro.

Uma das piores atuações do time nesse Brasileiro.

A estratégia de utilizar dois atacantes por dentro com uma linha de quatro no meio, como contra o Flamengo, não funcionou. Até pela ausência de Rossi, sua principal válvula de escape em velocidade. Bruno César está para a rapidez assim como Pikachu está para o jogo aéreo. Não é uma questão de treino, é de físico.

Em 60 minutos em campo, o camisa 10, que deveria ser o organizador do meio-campo, não trocou mais que 11 passes certos. Desses, apenas um para Marrony, o homem mais avançado.

Foram 45 minutos do jovem atacante correndo de maneira solitária no ataque em meio a quatro ou cinco tricolores que levaram a melhor em quase todas as disputas. Em 90 minutos, conseguiu dar somente 11 passes. Três errados. Em 45 de Ribamar brigando pelo alto, foram apenas quatro toques corretos.

Taticamente pobre e tecnicamente frágil, o time encerrou o jogo com o seu segundo pior volume de finalizações nesse Brasileiro: sete.

Números que mostram bem a inaptidão ofensiva do Vasco num jogo que poderia ter lhe colocado a quatro pontos de uma zona de classificação para a Libertadores.

O ímpeto demonstrado pela torcida durante a semana, porém, nem de perto foi o mesmo do time.

A derrota explica mais sobre a associação em massa do que uma vitória poderia dizer. São os erros constantes, desta quinta e de outros tantos dias ao longo dos últimos anos, a falta de identificação e muitas vezes até de comprometimento, que fizeram com que o torcedor entendesse novamente a importância de sua contribuição.

Os vascaínos não se associaram por estarem satisfeitos, mas por quererem mudanças. Exatamente para não reviverem noites apáticas como essa no Morumbi.



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