De Alberoni a Nathan: as vendas precoces do Vasco



Alberoni foi vendido pelo Vasco à Inter de Milão, em 2003 (Foto: Reprodução)

O torcedor menos atento, hoje, que não acompanha o time reserva do sub-15 de seu clube em torneios amistosos, corre o risco de não ter tempo de ver atuando com a camisa da sua equipe um grande jogador que surge na base. Isso porque é cada vez mais precoce a saída de jovens atletas do Brasil para o exterior. Por mais que a legislação só permita a transferência após os 18 anos, é comum assinarem vínculos antes da idade, a fim de garantir o negócio futuro. Ou seja, o jogador não sai fisicamente antes, mas mentalmente a mudança ocorre. E isso mexe com o atleta.

Nos últimos dias, surgiu a notícia no Vasco que o jovem Nathan, de apenas 17 anos, estaria sendo vendido ao Valencia, da Espanha, por cerca de R$ 4,2 milhões. Um bom valor por 50% dos direitos de um lateral que ainda está fazendo suas primeiras partidas no sub-20. De titular do time da Copinha, porém, com as negociações em andamento, acabou se tornando reserva.

É bem verdade que não vinha realizando grandes atuações, mas é inegável que há uma relação entre a proposta e o desempenho. Se a prova do ENEM mexe com um menino desta idade, imagine a chance de mudar o seu destino e o de sua família. O momento, no entanto, era para ser de aprendizado, de maturação, de curtir sua primeira grande competição nos juniores, última barreira antes do profissional, mas acabou se tornando um mês de expectativa fora das quatro linhas, não dentro.

Nathan pode ir para o futebol espanhol (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

E este tipo de negociação tem se tornado cada vez mais comum, principalmente no Vasco. A lista de jogadores negociados pelo clube com o exterior antes mesmo de atuarem pelos profissionais é longa. Porém, nem sempre de sucesso.

Dois anos após se destacar no Mundial Sub-17, em 2001, o jovem meia Alberoni, de apenas 18 anos, da famosa ‘Geração 84’, que tinha Morais, Claudemir, Ygor, Diego e Anderson, entre outros, foi negociado com a Inter de Milão, da Itália. Era o início do sonho do menino, mas que não passaria disso. Uma década depois, sem se firmar nas equipes que passou, como Bahia, o próprio Vasco, em 2006, Botafogo, Las Palmas e várias outras, o jogador, que chegou a treinar no Barcelona B ao lado de Messi, encerrou precocemente o que parecia ser uma promissora carreira.

E não demorou muito para a Itália levar outra revelação vascaína antes mesmo de estrear pelos profissionais. Em agosto de 2005, a Fiorentina anunciou a contratação do meia Filipe Gomes, de 18 anos, que vinha defendendo os juniores do Vasco. Sem alarde, o jovem rumou para a Europa onde acabou ficando por quase toda a carreira. Lá, além da Viola, o jogador defendeu a Roma, o Siena, Como, Varese, Perugia, Lecce e Padova. Em 2017 retornou ao Brasil para disputar o Carioca pelo Boavista, seu último clube.

Filipe Gomes trocou o Vasco pela Fiorentina ainda na base (Foto: Divulgação)

Cinco anos após a venda de Alberoni, uma nova negociação com a Inter. Esta, a mais famosa: Philippe Coutinho. Menos de um mês após assinar o seu primeiro contrato profissional com o Vasco, em junho de 2008, o meia-atacante teve a sua negociação com o clube italiano oficializada. Na época, com apenas 16 anos, Coutinho ainda atuava pelo elenco sub-17 e rendeu apenas cerca de R$ 10 milhões aos cofres vascaínos. Sua estreia como profissional aconteceria somente um ano depois, em junho de 2009, contra o Duque de Caxias, pela Série B. Hoje, o craque brilha com as camisas da Seleção Brasileira e do Barcelona, que pagou R$ 622 milhões ao Liverpool pelo jogador.

Coutinho foi vendido em 2008 pelo Vasco (Foto: Divulgação/Vasco)

Curiosamente, as vendas precoces no clube parecem respeitar um ciclo de cinco anos. Após vender Alberoni em 2003 e Coutinho em 2008, o Vasco negociou, em 2013, outro jovem diretamente de seu elenco juvenil com a Europa: o volante Danilo. Em setembro daquele ano, com o meia tendo apenas 17 anos de idade, o time de São Januário aceitou a oferta de um grupo de investidores que comprou os direitos do jogador.

Menor de idade, o atleta permaneceu no Rio até completar 18 anos, o que ocorreria em fevereiro de 2014, mês em que pôde ao menos estrear pelos profissionais do clube que o revelou. Ao todo, porém, seriam apenas nove atuações antes de ir para o Braga, de Portugal. Após rodar por Valencia – o mesmo que quer levar Nathan -, Benfica e Standard Liége, da Bélgica, atualmente defende o Nice, da França.

Italo foi para a Itália em fevereiro de 2015 (Foto: Reprodução/Facebook)

Em 2015, novamente a Inter de Milão foi à base do Cruz-Maltino em busca de um ‘novo Coutinho’. Na verdade, desta vez, o que levaram foi um zagueiro: o jovem Ítalo, de 19 anos. Como informado em primeira mão aqui pelo blog, na época, o defensor, titular durante a Copa São Paulo daquele ano e que há seis temporadas atuava na base vascaína, acabou rescindindo e seguindo para a Itália sem custos. Atualmente o jogador defende o Olhanense, de Portugal, emprestado pela Internazionale.

Existem exemplos de sucesso e de insucessos nas saídas precoces, não há um padrão. Nem toda promessa é Coutinho e nem todo destino é o de Alberoni. Os efeitos são individuais. É necessário, porém, para clubes e jogadores, saber dosar e administrar esse tipo de negociação, principalmente para os atletas, jovens, não queimarem etapas na carreira que sequer se iniciou.

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