Danilo Barcelos e os laterais artilheiros da história do Vasco



Orlando é o lateral-direito com mais gols pelo Vasco desde a década de 50 (Foto: Placar)

Os gols de falta tem sido cada vez mais raros no futebol. Danilo Barcelos, lateral do Vasco, recentemente criticou os treinamentos com barreiras baixas, apontando-o como um dos motivos para o baixo rendimento atualmente no fundamento – principalmente no Brasil.

O próprio Vasco, que por anos se fartou dos gols em batidas de craques como Roberto Dinamite, Geovani, Bismarck, Ramón, Pedrinho e Juninho Pernambucano, entre outros tantos, passou 2018 inteiro sem estufar as redes em uma cobrança. Danilo, que também não havia marcado em 2018, tratou de encerrar o jejum vascaíno. E com sobras.

Em 11 jogos, o camisa 14 do Cruzmaltino já marcou três vezes na temporada, todas elas de falta. O sucesso do jogador neste início de ano fez renascer uma velha tradição no clube de laterais especialistas em cobranças de falta.

No início dos anos 70, a equipe contou com a pontaria de Alfinete. Campeão brasileiro com o time em 1974 – marcando inclusive o gol de empate em 1 a 1 com o Cruzeiro no primeiro jogo da decisão -, o jogador se notabilizou por dividir com Dinamite a responsabilidade nas bolas paradas. Em 73, o titular da lateral-esquerda vascaína marcou 10 gols, de um total de 12 anotados em 1971 e 1975.

Alfinete e Roberto se preparam para mais uma cobrança de falta (Foto: Placar)

Alfinete seria sucedido por outro craque na bola parada: Marco Antônio. Tricampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1970 – foi reserva de Everaldo -, o canhoto chegou ao clube em 1976 e logo se notabilizou pelas cobranças precisas. Foram 20 bolas na rede em cinco anos atuando pelo Cruz-Maltino, marca de um camisa 6 que seria batida apenas por Felipe, porém, somente quando passou a jogar como meia. Entre 97 e 99, período em que o Maestro se dedicou exclusivamente à lateral, foram 9 gols marcados.

Se com a perna esquerda Marco Antônio assustava os adversários, com a direita essa missão ficava por conta de Orlando Lelé. Contratado no fim de 76 junto ao América, o forte lateral é até hoje o maior goleador da história do clube nessa posição – assim como Felipe passou Marco Antônio jogando como meia, Pikachu, que iniciou como lateral-direito, superou Orlando atuando como ponta e por isso não entra na contagem (não aqui do blog, é claro).

Time do Vasco campeão carioca em 77 com Orlando e Marco Antônio (Foto: Placar)

Logo em sua estreia, contra o Flamengo, num amistoso disputado em Cariacica, Orlando fez um dos gols da vitória vascaína por 3 a 2 sobre o rival – Abel Braga, atual treinador rubro-negro, marcou o do triunfo. Na temporada seguinte, anotou incríveis 14 tentos, muitos deles em cobranças de falta. Entre o fim de 76 – foi contratado já em dezembro – e 1981, quando foi negociado com a Udinese, da Itália, Lelé balançou as redes 30 vezes.

Com as saídas de Orlando e Marco Antônio no início dos anos 80, o Vasco viveu uma seca de laterais cobradores de falta. Jejum interrompido apenas com a chegada de Paulo Roberto, vindo do Santos, em 86, que marcaria 7 gols pela equipe em quatro anos, e da ascensão de Lira, da base, na mesma época. Com a forte concorrência de Mazinho para a posição e de grandes cobradores como Dinamite, Bismarck e William, o canhotinho marcou apenas duas vez antes de deixar São Januário e rodar por outras grandes equipes como Fluminense, Flamengo e Grêmio.

Mesmo não sendo cobrador de falta, Mazinho seria o jogador que mais próximo chegaria da marca de Marco Antônio. Ambidestro e polivalente, o tetracampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1994 marcou 17 gols em seu início de carreira atuando pelo Vasco, entre 1985 e 1990, quando disputou 232 jogos pelo clube.

Na lateral-direita, um novo artilheiro surgiria apenas em 92, no time campeão da Copa São Paulo de Juniores: Pimentel. Lateral rápido, de bom cruzamento e bastante ofensivo, o camisa 2 marcou 24 gols em 254 partidas pela equipe, até se transferir para o Palmeiras ainda no 1º semestre de 97.

Mais para o fim da década de 90, o Vasco veria o surgimento do craque Felipe, que pegaria o gosto pelo gol apenas após ser deslocado para o meio-campo – anotou 33 gols pelo clube, mas apenas 9 atuando na lateral. Na direita, Zé Maria voltaria com a tradição de laterais cobradores de falta, marcando quatro vezes em apenas 36 atuações no primeiro semestre de 1999. Um deles, inclusive, na decisão do Torneio Rio-São Paulo, vencido pelos vascaínos.

O mesmo aconteceria com Gilberto. Um dos responsáveis pela ida de Felipe para o meio-campo, o lateral marcou 12 gols em 92 jogos entre 99 e 2001, alguns deles de falta.

Apenas Leonardo Moura, já em 2002, voltaria a ter uma boa média de gols por temporada. Em apenas seis meses de São Januário, o futuro ídolo do Flamengo marcou seis vezes em 30 jogos. Sua passagem, no entanto, duraria pouco, se transferindo em seguida para o Palmeiras.

Léo Moura chegou ao Vasco em 2002 (Foto: Reprodução)

Já neste século, a equipe de São Januário revelou dois laterais que tinham nas cobranças de falta sua especialidade: Claudemir e Diego. Titulares da Geração 84 que fez história na base do Vasco, os dois, porém, assim como a maioria dos atletas daquele período, oscilaram nos profissionais, sofrendo constantemente com as críticas da torcida. Ainda assim, Diego é o 10º jogador com mais atuações pelo time neste século, cm 160 jogos e 9 gols marcados. Claudemir entrou em campo menos vezes, 126, e estufou as redes em sete oportunidades.

De lá pra cá, o lateral que mais marcou gols foi Fagner. Hoje no Corinthians, o campeão da Copa do Brasil de 2011 com o Cruzmaltino marcou 14 vezes em 178 jogos. Na esquerda, Ramon, que hoje se recupera de uma lesão no joelho, foi o maior artilheiro, com 10 tentos.

Com três gols em apenas 11 jogos, Danilo Barcelos promete reviver os períodos de artilharia na lateral do Vasco.

LATERAIS COM MAIS GOLS PELO VASCO
– Desde 1950

1º – Orlando Lelé – 30 gols
2º – Pimentel – 24 gols
3º – Marco Antônio – 20 gols
4º – Mazinho – 17 gols
5º – Fágner – 14 gols

Obs: Felipe marcou 33 gols pelo Vasco e Yago Pikachu fez 31. Ambos iniciaram suas trajetórias pelo clube como laterais, esquerdo e direito, respectivamente, porém, passaram a atuar mais adiantados com o decorrer dos tempos, aumentando assim o número de gols marcados. Por conta disso, por critério do blog, não figuram na lista entre os laterais.

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