Contratação de risco é o que o Vasco faz todo ano



Alexandre Faria entre Bruno César e Danilo Barcelos, reforços para 2019 (Foto: Divulgação/Vasco)

Em um vídeo divulgado pela Vasco TV, no último sábado, Vanderlei Luxemburgo falou, entre outras coisas, sobre o planejamento do clube para 2020 e a necessidade de se investir no que ele chamou de “contratações de risco”. Ou seja, nomes de peso que cheguem para dar mais qualidade à equipe, como ele próprio explicou.

Mas por que utilizou a palavra risco?

Muito provavelmente porque o clube não tem condições financeiras de brigar pelos jogadores que hoje estão no topo do mercado. Não tem conseguido sequer pagar os salários em dia, mesmo não tendo uma das folhas mais altas do Brasileiro – cerca de R$ 3,3 milhões -, então como arcar com compras de atletas?

Não dá para esperar isso do Vasco em 2020. Em nem Luxemburgo pode cobrar algo parecido.

O que me leva a acreditar que as ditas “contratações de risco” sejam jogadores conhecidos, caros – em relação ao salário – e que estão livres e em baixa no mercado. A grande maioria próxima ou acima dos 30 anos de idade. Por isso, talvez, o termo “risco” e não “certeiras”.

Isso, porém, é exatamente o que o Vasco faz há anos.

O clube hoje gasta cerca de um terço de sua folha salarial com jogadores de alto custo e que sequer são titulares ou estão em condições jogo. A grande maioria com histórico de lesões, como Bruno César, Breno, Ramon, Valdívia, Marquinho e Clayton. Os dois últimos trazidos já com Luxa no comando.

É claro que também existem casos que deram certo, como Leandro Castan e Maxi López – ainda que o atacante tenha sido por um curto período. Ou então com Nenê, em 2015, e Anderson Martins, em 2017.

A questão, porém, é saber reduzir os riscos e fazer isso de forma sustentável. De nada adianta contratar jogadores caros e não ser capaz de pagá-los, como aconteceu com o zagueiro, hoje no São Paulo, e outros, como Nenê, Wagner e o próprio camisa 9 argentino. Um problema que acarretou ainda na saída de outros tantos jogadores pelo mesmo motivo, além das vendas precoces de garotos da base para cobrir estes rombos.

Em algum momento o Vasco precisa parar essa bola de neve.

O Vasco precisa sim de reforços pontuais que elevem o nível competitivo do time. Isso é óbvio e necessário para qualquer equipe do mundo. Futebol se trata exatamente disso, da busca por excelência, e a equipe de São Januário está bem distante disso. No entanto, gastar mais não é, necessariamente, gastar melhor.

No caso específico do Cruz-Maltino, que há anos mantém essa política de contratação sem sucesso, é necessário antes de tudo equilíbrio e análise de mercado. Algo que tem sido bem feito por clubes como Bahia, Athletico Paranaense e até o surpreendente Goiás, que soube garimpar valores como Michael, ex-Goianésia, o uruguaio Leandro Barcía e o goleiro Tadeu, ex-Oeste, além de usar bons atletas da base, como Jefferson e Léo Sena.

O Vasco tem potencial para ir além. Pelo tamanho de sua história, de sua torcida e até pelo o que arrecada em relação aos exemplos citados, mesmo com todas as dificuldades já conhecidas. Mas tem que pensar primeiro em como reduzir os riscos, antes de simplesmente aceitá-los de qualquer maneira, como tem feito nos últimos anos. Não adianta querer queimar etapas.

Antes de pensar em títulos em 2020, a curto prazo, é necessário entender o que pretende deixar para 2021 e os anos seguintes.



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