Como o esquema de Abel Braga pode facilitar a adaptação dos jovens da base



Miranda e Caio Lopes atuarão pelos profissionais (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

De uma só vez o técnico Abel Braga recebeu o reforço de oito jogadores para o elenco do Vasco. Nenhum novo contratado. A remessa veio do time sub-20, eliminado nas quartas de final da Copa São Paulo pelo Grêmio, nos pênaltis, no último sábado, após empate em 1 a 1 no tempo normal.

Chegam aos profissionais para observação os zagueiros Miranda e Menezes, os laterais Nathan e Riquelme, os meias Juninho e Caio Lopes e os atacantes João Pedro e Vinícius Paiva. Da lista, apenas o primeiro já atuou na equipe principal.

São jogadores, claro, que sobem com o intuito de se tornarem opções para o treinador e não necessariamente soluções. Assim deveria ser com todos, aliás. A realidade do Vasco, porém, não descarta qualquer possibilidade de que um ou outro brigue efetivamente por uma vaga entre os titulares. Até por já estarem adaptados a grande parte da ideia de jogo de Abelão.

Ao contrário do time de 2019, comandado por Vanderlei Luxemburgo, que mais contra-atacava do que propunha o jogo, o deste ano deve ter por característica a posse de bola. Uma marca também do sub-20 vascaíno desde os tempos de Marcos Valadares e que permanece com Alexandre Grasseli.

Em 2019, o Vasco teve apenas a 17ª média de passes trocados no Brasileirão, acertando 292 por jogo, segundo dados do Footstats. Contra o Bangu esse número foi para 457, um aumento superior a 50%. Algo que não ocorreu apenas pela fragilidade do adversário, mas por característica do técnico. Na última temporada, quando esteve à frente do Flamengo, Abel chegou a ter a 3ª maior média de posse de bola do Brasil – próximo dos 60% -, ficando atrás apenas do Fluminense de Fernando Diniz e do Santos de Jorge Sampaoli.

Essa aproximação de ideias podem facilitar a adaptação dos jogadores que subiram. Alguns ainda mais.

Ainda muito jovem, mas tecnicamente muito bom, Riquelme é um dos que prometem brigar por uma vaga. Com a saída de três implantada pelo treinador – com um volante entre os zagueiros -, os laterais atuam quase que como pontas, avançando para compôr a linha ofensiva. Com essa liberdade para infiltrar e chegar à linha de fundo – tem um ótimo cruzamento -, o camisa 6 foge um pouco dos combates corpo a corpo na defesa, o que poderia ser um ponto negativo nesse início entre os profissionais em razão do seu porte físico ainda de garoto.

O mesmo serve para Miranda. Capitão dos juniores, o zagueiro é um dos pilares da equipe que foi finalista de praticamente tudo em 2019. Quando jogou nos profissionais, entretanto, teve dificuldades nos duelos com os centroavantes por não ser um zagueiro tão forte. Num time de maior posse, a tendência é que a qualidade técnica do jogador se sobressaia, assim como no sub-20, e os confrontos físicos fiquem mais escassos.

A tranquilidade para sair jogando e a bola longa são algumas das virtudes do jovem defensor. Algo que falta a Werley, atual titular. Contra o Bangu, Bruno Gomes e Leandro Castán concentraram a maior parte dos lançamentos e inversões – cinco certos de Bruno e três de Castán -, enquanto que o zagueiro pela direita completou apenas um passe mais longo. Miranda pode ser mais uma arma nessa busca rápida pelos pontas e laterais, uma característica dos times de Abel.

Por falar em pontas, Vinícius e João Pedro também devem ganhar oportunidades. Na estreia do Carioca, o Vasco atuou com Talles Magno e Gabriel Pec mais abertos, com Marrony flutuando pelo meio. Pec, porém, teve dificuldades para se movimentar entre as linhas e achar os espaços.

Tanto Vinícius quanto João têm o drible curto e a velocidade como arma, mas não necessariamente buscando o fundo. Atuando em lados opostos ao do pé preferencial, ou seja, o canhoto na direita e vice-versa, buscam o meio para dar espaço para a subida dos laterais. Exatamente como Abel mandou a campo no domingo. Sem Rossi, que foi para  Bahia, é uma das vagas ainda em aberto.

Juninho e Caio Lopes talvez sejam os nomes mais prontos entre os oito. Mais maduros, principalmente fisicamente. No entanto, fazem uma função hoje já ocupada na equipe. Os dois se revezam no auxílio ao primeiro volante na transição. Assim como fazem Raul, Marcos Júnior, Andrey e fazia Guarín, que ainda negocia a sua permanência. Ambos se encaixam na ideia de jogo, têm capacidade de organizar de trás e se aproximar à frente, mas terão forte concorrência. A hora de testar, no entanto, é exatamente agora.



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