Canonização



Cano marcou seu 1º gol pelo Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Se dá o nome de canonização ao ritual da Igreja onde ela declara alguém como santo. Pra isso, porém, é necessário a comprovação de ao menos dois milagres autênticos.

No futebol, marcar um gol aos 49 minutos do 2º tempo pode ser considerado o primeiro deles. Fazer isso com apenas oito toques na bola em quase 100 minutos em campo, o segundo. Foi exatamente o que Germán Cano fez nesse sábado.

O Vasco de Abel Braga tem apresentado uma posse muito maior que o time de Luxemburgo em 2019. Com os titulares, teve 59,5% contra o Bangu e 62,4% sobre o Boavista. No Brasileiro, segundo o Footstats, a média foi de 45%. A quantidade, no entanto, não tem significado qualidade. E os poucos toques do argentino mostram isso: a bola não chega até onde deve.

A ideia de jogo do treinador parece bem definida: Bruno Gomes entre os zagueiros fazendo a saída de bola, dois volantes mais à frente, laterais espetados na ponta e Talles Magno e Marrony fazendo as diagonais por dentro. Atacando, um 3-2-4-1. Na teoria, algo factível. Na prática, ainda não.

Nem Raul e nem Juninho, responsáveis pela transição, possuem como característica principal o passe vertical, que quebra linhas, como gostam de dizer atualmente. Assim como Marrony e Talles, atacantes de origem, jogadores de velocidade e duelos individuais, têm mais dificuldades para se movimentar por dentro, onde as barreiras são maiores.

Talles Magno perdeu 11 posses de bola, a pior marca da partida. Marrony, cinco.

É como se Abel tentasse fazer limonada com cerejas.

No Internacional, em 2014, o treinador tinha Alex e D’Alessandro construindo por dentro. No Fluminense 2017/2018, Scarpa e Sornoza. No Flamengo do ano passado, ainda mais opções: Diego, Éverton Ribeiro e Arrascaeta. E até no Cruzeiro, rebaixado, onde tinha Robinho e Thiago Neves. No Vasco 2020, nenhum meia acostumado a flutuar nas costas dos volantes e dar o último passe.

Tanto Marrony quanto Magno, por instinto, atacam a área, embolando com Cano. Buscam a conclusão antes mesmo da criação. E o time emperra. Dos dois, apenas Talles conseguiu dar uma assistência para finalização no jogo. Em outro lance, encontrou o companheiro na área, mas o canhotinho não dominou.

No 2º tempo, Braga sacou Raul e Juninho, lançando Gabriel Pec e Vinícius. Bruno largou a saída de três – desnecessária contra um adversário que não pressionava no ataque – e foi fazer dupla com Pec na segunda linha – que entrou inicialmente mais à frente. O jovem atacante, destaque na Copinha, abriu pela esquerda, tirando Henrique da ponta. Em dois toques rápidos, criou duas boas chances.

O gol, porém, saiu mais pela insistência do que pela organização. E, claro, pela eficiência do atacante argentino que deu apenas três passes certos no jogo e deixou o gramado como herói.

Enquanto Abel não acertar a movimentação de seus internos ou ganhar novas peças, esse Vasco, nesse esquema, só fará gols através de milagres. Assim como o de Cano.



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