Calendário é ruim, mas o planejamento do Vasco é pior



Danilo Barcelos questionou o excesso de jogos no início da temporada (Foto: André Melo Andrade/AM Press)

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Danilo Barcelos colocou o excesso de jogos como um dos motivos pela queda de rendimento do Vasco neste início de Brasileiro. O time acumula três derrotas, dois empates e nenhuma vitória nas cinco primeiras rodadas disputadas.

Realmente, o calendário brasileiro precisa ser revisto e não é de hoje. Porém, ele é igual – ou muito parecido – para todos. O que muda é a forma como cada um se organiza para enfrentá-lo.

Fernando Miguel, por exemplo, foi o único jogador do Campeonato Carioca que atuou todos os 1620 minutos da competição – fora acréscimos. Hoje o goleiro é um dos desfalques importantes do time. Sequer estreou no Brasileirão 2019.

Seis vascaínos atuaram em mais de 80% dos minutos disputados pelo time na competição: Fernando Miguel, Lucas Mineiro, Cáceres, Marrony, o próprio Barcelos e Werley. Foi a maior marca entre os quatro grandes. No Flamengo, campeão carioca, nenhum jogador permaneceu tanto tempo em campo em relação ao total disputado pela equipe. Rodrigo Caio, com 76,4%, foi quem mais jogou.

Fluminense teve cinco jogadores dentro deste recorte e o Botafogo quatro. Os dois, no entanto, fizeram menos jogos – 15 e 11, respectivamente -, o que naturalmente reduz a necessidade de rodízio. O Vasco disputou 18 e o Flamengo 17.

O que mais chama a atenção é que o Vasco foi o primeiro a ter a oportunidade de utilizar uma equipe reserva ou mista sem comprometer a briga pelo título estadual, e não o fez. Foi o primeiro a se classificar para as semifinais gerais após ganhar a Taça Guanabara. Ainda assim, Alberto Valentim manteve a formação principal em praticamente todas as rodadas do 2º turno, fazendo pequenas alterações na maioria das vezes apenas por ordem técnica.

O Vasco supervalorizou a Taça Rio e o Carioca, perdeu os dois – inclusive um deles, por ironia, para os reservas do Flamengo -, comprometeu seu início de Brasileiro – que já seria complicado – e agora colhe os frutos de um futebol mal gerido no início do ano, onde novamente foi conduzido pelo imediatismo.

A equipe de São Januário já disputou 29 partidas em 2019 e restam apenas 33 para o encerramento da temporada. O time terminará o ano, portanto, com 62 jogos realizados. O Palmeiras, líder do Brasileiro, por exemplo, fez apenas dois a menos, mas terminará a temporada com no mínimo dois a mais, já que ainda segue na briga pela Copa do Brasil e a Libertadores. Para cada avanço nas disputadas de mata-mata, aumentam ainda mais dois duelos.

Nenhum palmeirense, porém, tem mais de dois mil minutos em campo até o momento. Dudu, com 1988, é quem está perto de romper esta marca. O segundo na lista, o volante Felipe Melo, aparece com apenas 1688. No Vasco, seis jogadores já ultrapassaram os dois mil – Lucas Mineiro (2404), Danilo Barcelos (2156), Werley (2137), Marrony (2130), Cáceres (2010) e Fernando Miguel (2005).

Ou seja, o excesso de jogos atrapalha, é claro, mas não impede de se ter um time de menor minutagem quando o 2º semestre chegar. Pra isso, porém, é necessário confiar no elenco que montou ou, no caso de quem tem menos investimento, como o Vasco, saber priorizar as competições. Com mais de 40 jogadores no elenco cruz-maltino, falta de peças não foi o problema. Pelo contrário, o excesso é que é.

O calendário pode, e deve, ser discutido, só não pode ser muleta para a falta de organização de dirigentes e comissões técnicas. Planejar o ano faz parte do trabalho. Aliás, é grande parte dele. Assim como montar um elenco em que se use as peças e não apenas as pague – ainda que com atraso.

O excesso de jogos atualmente, na verdade, prejudica mais o torcedor, emocionalmente obrigado a acompanhar o time do coração apresentando atuações sofríveis, do que a equipe já eliminada – ou não classificada – de todas as competições mata-mata de 2019.

Tem sido pior pra quem vê do que pra quem joga.

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