Bruno Gomes: surge mais uma joia no Vasco



Bruno Gomes comemora seu gol contra o Botafogo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

A iluminação intimista de São Januário não deixava dúvidas: Vasco e sua torcida estavam prestes a terem mais uma noite especial. Como quase sempre é, historicamente, convenhamos. Mas que em alguns momentos desta temporada não houve reciprocidade por parte do time.

Das arquibancadas, nunca falta nada.

Depois de uma série de três jogos sem vencer em seu estádio e uma vitória magra, miúda, sobre o Fortaleza na última rodada, a equipe precisava entregar algo mais ao seu torcedor. E não há nada mais significativo para o vascaíno do que ver em campo um igual, uma representante seu. Nesse caso, leia-se ‘menino da base’.

Sem Talles Magno, angariado pela CBF para mostrar seu talento no Mundial Sub-17 – como se o seu futebol já não fosse grande o suficiente para abrir mão de brincar com outros garotos -, coube a Bruno Gomes ser o elo entre bancada e campo. O cordão umbilical do time.

E Bruno é desses meninos que você nota a qualidade no primeiro toque na bola. Aliás, antes. Limpa com o olhar todo o seu entorno antes mesmo de recebê-la. Sabe exatamente onde está e como deve agir quando ela chega. Antecipa a leitura e a jogada. Inteligência e senso de posicionamento incomum para um jovem de 18 anos.

Bom, na verdade, seria incomum se o menino não fizesse parte da diferenciada geração que o Vasco vem revelando em 2019. Não é o primeiro – Talles confirma isso – e nem será o último – Gabriel Pec não me deixa mentir.

Bruno já merecia uma chance desde o início do ano, com Alberto Valentim, logo após a ótima Copa São Paulo que fez – assim como Caio Lopes, que ainda não estreou. Mas só foi ganhar uma oportunidade com Vanderlei Luxemburgo.

Valentim preferia Lucas Mineiro e Bruno Silva – Richard ainda não estava no elenco.

Quis o destino que o erro fosse selado na forma mais irônica e simbólica que o futebol permite: com um gol do menino.

O debutar de Bruno Gomes com as redes não saiu de uma batida perfeita, como costuma ser. A bola deixou seu pé direito rasteira, como são normalmente seus passes, certeiros, tracejando todo o gramado onde o menino já tanto pisou.

O desvio na defesa, porém, a fez morrer nas redes para delírio de mais de 16 mil vascaínos que assistiam por entre as sombras. Intocados pela iluminação, emergiram numa explosão de cantos, gritos e palmas após o tento do menino. E assim mantiveram o estádio para além dos 90 minutos.

Aliás, com alguns segundos de silêncio, se prestarem a atenção, ainda que à distância, é capaz de ouvirem o pulsar de São Januário.

Assim como também é possível sentir a alegria de Bruno Gomes que, ajoelhado, incrédulo diante de seu capitão, voltou a ser criança ao realizar o feito que tanto sonhou. Agora, o viveu acordado.



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