Bruno César não é Maxi López



Bruno César pode ser o primeiro reforço do Vasco para 2019 (Foto: AFP)

Se destacou no início da carreira, vem de anos na Europa e está em baixa. Quem olha superficialmente pode achar que o perfil de Bruno César, possível primeiro reforço do Vasco para 2019, é similar aos de Maxi López e Leandro Castán, destaques do time na reta final de 2018. Não é.

O grande equívoco aqui na verdade é achar que há um padrão de efeito com jogadores diferentes, como se todo atleta que não vem bem, mas atua fora do Brasil, fosse se recuperar em São Januário. Vale lembrar que para cada Maxi López trazido tem um Vinícius Araújo no Departamento Médico. Assim como que para cada Castán, há um Breno. Para um Nenê, teve um Fellype Gabriel. E por aí vai.

Nem todo zagueiro do Volta Redonda é o Dedé e nem todo baixinho do Olaria é o Romário.

Contratações são ações individuais, onde cada jogador carrega uma característica e uma bagagem própria. A de Bruno, bem diferente da de Maxi. A começar pelo nível do campeonato onde não conseguiu destaque. Portugal não é Itália.

Aliás, é quase mais Brasil do que Europa.

Só nesta temporada, que está no início, 120 brasileiros já entraram em campo pelo Campeonato Português – no Italiano foram 23. A maioria desconhecidos, saídos de equipes pouco expressivas, como é o caso do jovem atacante Carlos Vinícius, de 23 anos, que surgiu no Grêmio Anápolis, de Goiás, e hoje briga pela artilharia vestindo a camisa do Rio Ave – tem 11 gols em 12 jogos na temporada. Sem ninguém ter visto no Brasil – ao menos como profissional -, já pertence ao Napoli, que achou no mercado o que os clubes brasileiros tem dificuldade de encontrar: um bom negócio – foi comprado após se destacar na 2ª divisão portuguesa.

Alguns são velhos conhecidos da torcida vascaína, como os meias Fabrício Baiano, Bruno Gallo e Matheus Índio. Todos com mais minutos jogados que Bruno César. O meia, aliás, dos 120 brasucas, é o 6º que menos esteve em campo no campeonato- apenas 24 minutos.

Portugal é, geralmente, uma liga de transição para os sul-americanos. Muitos jogadores passam pelo país antes de brilharem em clubes maiores da Europa, de campeonatos mais fortes, como Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha. Outros, no entanto, que não se destacam, por lá permanecem, acabam retornando ao Brasil ou vagando por mercados menos competitivos, como o famoso Mundo Árabe. É o caso de Bruno César.

Após brilhar no Corinthians em 2010, teve um bom início no Benfica, na temporada seguinte, mas logo caiu de rendimento. Em 2013 já estava cedido ao Al Ahli, da Arábia Saudita. No ano seguinte, voltou ao Brasil para ser o terceiro reserva do Palmeiras – junto com o ex-vascaíno Bernardo – que terminou o Brasileiro 2014 na 16ª colocação com apenas 40 pontos conquistados. Com essa pontuação, em 2018, teria caído.

Essa é mais uma diferença entre as situações de Maxi e Bruno César. Quando passou pelo futebol brasileiro, em 2009, atuando pelo Grêmio, o argentino quebrou seu recorde de gols em um ano, marcando 17 vezes. Ou seja, sua última passagem pelo país havia deixado a clara impressão de que o nível do jogador, para o Brasileirão, era elevado. Até por conta da escassez na posição de centroavante. Bruno César, por sua vez, não rendeu na última oportunidade em que atuou por aqui, sendo preterido inclusive por Allione, hoje na reserva do Bahia. Isso aos 26 anos de idade, quando a grande maioria vive seu auge. O que faz cair por terra a ideia de que qualquer um que venha da Europa chega em outro nível ao Brasil. Não é bem assim. Principalmente no caso de quem vem de Portugal.

E exemplos parecidos o Vasco tem de sobra. Recentemente o clube contratou Bruno Paulista, do mesmo Sporting, e Kelvin, do Porto. Nenhum se firmou em São Januário.

Não há uma regra, é claro, assim como não há uma maneira de se prever o futuro. Bruno César pode jogar no Vasco o que não jogou no Palmeiras de 2014 e nem no Sporting nos últimos dois anos, mas me parece um risco alto para um clube que tem pouco poder de investimento e espera ter no meia o seu grande camisa 10 para a temporada – com um custo mensal de cerca de R$ 300 mil, como noticiado. Ainda mais vindo de uma lesão no joelho que o deixou fora dos gramados por sete meses. Por este valor – ou até menos -, há opções em melhor fase no mercado, principalmente nos outros países da América do Sul, onde o salário pago é mais baixo. É preciso saber garimpar.

O vascaíno, naturalmente, torce para que Bruno repita Maxi e brilhe com a camisa cruz-maltina. A ameaça, porém, é de se tornar um custo alto sem o retorno esperado que justifique o valor, como aconteceu recentemente com Wagner e Giovanni Augusto, fazendo com que o Vasco passasse parte do ano atuando com Fabrício, contestado lateral, como 10.

Bruno César seria uma aposta para qualquer clube brasileiro. No caso do Vasco, que além de não ter uma boa espinha dorsal de 2018 precisa avaliar muito bem uma contratação antes de investir o pouco dinheiro que tem, se torna um risco.

Risco esse que precisa começar a ser reduzido no Vasco de qualquer maneira, caso queira interromper a bola de neve que vem atropelando o clube nos últimos anos.

TEMPORADAS DE BRUNO CÉSAR PELO SPORTING

2018/2019 – 4 jogos e 0 gols – nenhum como titular
2017/2018 – 33 jogos e 2 gols – 16 como titular
2016/2017 – 42 jogos e 6 gols – 31 como titular
2015/2016 – 18 jogos e 4 gols – 15 como titular

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