A bola na trave aos 51



Vasco se salvou no último lance do jogo contra o Petrolero (Foto: Reprodução/DAZN)

Tenho pra mim, e já escrevi aqui, que mais de três minutos não é acréscimo, é prorrogação. Seis então, quase um outro jogo.

Veja bem, a partida de futebol acaba aos 45 do 2º tempo. Todos sabem disso. Uma criança responde sem pestanejar quando perguntada sobre o assunto. Qualquer coisa depois desse período, portanto, já não pertence ao jogo, ao plano que estamos acostumados. Passa a ser algo quase que cósmico, um duelo de fé onde a bola é guiada pelo ilustre ato de torcer.

Tipo uma gincana espiritual.

No Oriente Petrolero x Vasco desta quarta-feira, quando o árbitro mandou subir a placa dos acréscimos, o vascaíno se viu preso ao confronto. Passava ele a fazer parte daquele duelo até então pouco atraente. Qualquer movimento mais brusco no sofá e a sorte mudaria de lado.

Compreensível.

Após colocar três bolas na trave no 1º jogo e uma no 2º, a equipe estava a um gol  de ter que decidir nos pênaltis contra um adversário que só havia finalizado certo três vezes em 180 minutos de bola rolando. Ser abatido nos últimos instantes, no soar do gongo, era o que faltava para completar a tragicomédia que ali se desenhava.

Alguns chamariam isso de punição desportiva, o famoso ‘quem não faz leva’. Eu prefiro o termo castigo divino, apesar da dúvida se realmente é algo que vem dos céus.

Quando o mexicano Bueno, camisa 9 de ofício e precisão, recebeu livre dentro da área, com tempo de ajeitar o corpo e tomar um último ar, o vascaíno já se contorcia na cadeira entre preces e murmúrios. Foram três segundos entre o passe, o domínio e a conclusão.

Tempo suficiente para o ateu rever seu posicionamento e para o religioso testar sua fé.

O barulho do travessão explodindo e da torcida da casa trocando a euforia pelo lamento, num anticlímax bem conhecido, trouxe o alívio cruz-maltino. Fim de jogo, 0 a 0, e Vasco classificado.

Mais uma vez no limite, assim como foi contra o Altos, do Piauí. Agora,  um limite não maior que os 12 centímetros de espessura do poste.

A bola na trave é um beijo de canto de boca. Emociona mas não apaixona. Isso para quem o acerta. Para quem tem sua trave osculada, aos 51 minutos do 2º tempo, o sentimento é de um beijo de boa noite.

Mas traz pesadelos.



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