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Athletico dá aula de futebol e de gestão ao Vasco



Vasco foi goleado na estreia do Brasileiro (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

“O meio-campo é o lugar dos craques, que vão levando o time todo para o ataque. O centroavante, o mais importante, que emocionante é uma partida de futebol”. Você certamente já ouviu isso em algum lugar.

Eu já me pegava questionando a segunda frase do trecho da famosa música do Skank, de 96, quando Maxi López, livre como um domingo a tarde, a dois palmos do gol, esperou a bola descer e o zagueiro cortar para esboçar uma reação de ataque. Maxi atacou com o ímpeto de uma sequoia centenária.

No caso, nenhum.

Menos de dois minutos depois, Marco Rubén, com a sagacidade de um animal caçando, antecipou Raul – que furou -e Werley – que marcou contra o 3º e perdeu para Rony na corrida do 4º -, que assistiram passivos como duas codornas ao argentino rasgar as redes marcando o segundo gol do Athletico Paranaense sobre o Vasco, ainda no primeiro tempo. O que poderia ter sido o empate cruzmaltino rapidamente se transformou num 2 a 0 merecido e incontestável aplicado pelos donos da casa.

Realmente não tem como ignorar a importância de um bom centroavante, como afirmou Samuel Rosa, e esse gol foi o ponto incontestável da afirmação do músico. Porém, o meu foco mesmo quando comecei a escrever era o meio-campo. Esse sim, ao meu ver, peça-chave do jogo.

Do de hoje e de todos os outros.

Marcos Valadares assumiu os três zagueiros no Vasco, colocando Miranda, voltando Cáceres para lateral e sacando seu meia central, posição que contra o Santos tinha sido ocupada por Lucas Santos, que sequer foi relacionado para a partida deste domingo. O 3-5-2 contra o Peixe se tornou um 5-4-1 defendendo frente ao Furacão, que atacava num 2-5-3, obrigando o Cruz-Maltino a povoar sua defesa.

Era muita gente perto da área defendida pelo bom goleiro Alexander.

Com o ataque vascaíno enfraquecido pela ausência de um homem de criação e os homens de frente do Paranaense encaixotados pela linha de cinco, coube aos meias o protagonismo. Ficava claro aí que a supremacia seria do Athletico.

Enquanto Marrony e Pikachu se preocupavam com as subidas de Renan Lodi e Jonathan, Lucas Mineiro e Raul ficaram responsáveis por frear as subidas Camacho, Bruno Guimarães e Tomás Andrade. Uma inferioridade não só numérica como técnica. E foi assim que os donos da casa iniciaram a vitória, com Bruno iniciando e concluindo a jogada do primeiro gol.

Disse ser uma desvantagem também técnica em razão dos constantes gols sofridos pelo time em finalizações da entrada da área. Jorge, do Santos, no meio de semana, finalizou mesmo marcado por Mineiro. Assim como Marcos Júnior, novo reforço cruz-maltino, também fez quando estava no Bangu. O mesmo ocorreu nos jogos contra Avaí e Botafogo, entre outros.

A dificuldade para organizar a marcação na frente de sua área mesmo tendo 12 opções para a posição é o símbolo do elenco desequilibrado montado pela atual diretoria, onde se tem mais de um time para uma mesma função e nenhuma solução. Algo que eu já havia criticado na análise feita essa semana.

Essa má gestão no futebol, confusa – e não é de hoje -, fica ainda mais escancarada quando enfrenta um Athletico montado em cima de um gabarito eficiente: base, garimpo de jovens promessas, boas oportunidades de negócio e reforços pontuais. Basta analisarmos o time que foi a campo nesta tarde: Santos, Léo Pereira e Renan Lodi, criados no clube. Bruno Guimarães e Camacho, ambos ex-Audax, Nikão, ex-Ceará, Rony, ex-Náutico, e Thiago Heleno, ex-Figueirense, todos destaques em equipes que não estavam na Série A. Jonathan, que vinha treinando em separado no Fluminense. E, aí sim, os argentinos Tomás Andrade e Marco Rúben.

Uma equipe montada num custo inferior ao do elenco cruz-maltino, que gasta meio milhão de reais a mais por mês de acordo com ranking divulgado no Blog do Mauro Cezar Pereira, no UOL, em março, tendo como base o registro de contrato dos atletas na CBF. Ainda assim, o Athletico é o atual campeão da Sul-Americana, competição que o time de São Januário sequer conseguiu se classificar, e campeão paranaense com sua equipe sub-23, de onde saíram Renan Lodi, Bruno Guimarães e Léo Pereira recentemente. Já o Vasco, foi 16º no último Brasileiro, perdeu o Estadual e já está fora da Copa do Brasil.

O problema não é apenas dinheiro, é gestão.

Um trabalho bem feito fora de campo que se refletiu dentro dele, com superioridade técnica e tática, já que o modelo de jogo vem desde os tempos de Fernando Diniz, no ano passado, e hoje segue sendo implantado por seu antigo auxiliar, Tiago Nunes. No Vasco, após prorrogar a permanência de Alberto Valentim no fim de 2018, mesmo com o baixo rendimento no Brasileiro, até agora não se sabe quem assume. E quem pegar, sequer tem uma linha a seguir, começará do zero. Mas com um elenco já inchado de opções que podem não ser as suas.

O 4 a 1 imposto na Arena da Baixada não foi apenas um banho de futebol do Furacão, que venceria da mesma maneira se Valadares tivesse povoado o meio-campo ao invés da última linha, como fez na etapa final ao avançar Miranda – colocou Bruno César em seu lugar depois. Nesse cenário, o protagonismo só seria maior dos atacantes, que teriam mais espaços, do que dos meias. O real baile visto, na verdade, foi o de gestão.

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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

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