Até o fim



Vasco precisará pontuar na última rodada pra evitar o rebaixamento (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

O título da coluna de hoje eu rabisquei na vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo, no meio de semana. A ideia da crônica original remetia a um time que parecia ter aprendido que precisaria brigar até o último minuto de seus jogos para permanecer na Série A. O gol de Pikachu, quando a voz já era apenas rouquidão, trouxe essa falsa sensação. O time, entretanto, como tem sido comum, não deu mais que dois dias de esperança ao seu torcedor. Agora, o sentido da frase é outro. A briga, involuntariamente, é até o fim. Até a última rodada, o Vasco será assombrado e açoitado pelo fantasma do rebaixamento, assim como seu torcedor.

Nada é mais concreto em São Januário que a paixão do vascaíno. Nem a própria estrutura ali montada há mais de 90 anos. Já escrevi aqui, talvez mais de uma vez, como o estádio lotado, em sua mais bela forma, se assemelha à obra Operários, de Tarsila do Amaral. Sempre foi, porém, uma comparação pela variedade de rostos e raças perfilados numa rampa que parece não ter fim, assim como o amor de seu torcedor. Hoje, entretanto, a semelhança está nos semblantes atônitos, no tom cinza pós-jogo, contrastante ao calor colorido do Rio de Janeiro.

Veja bem: o Vasco não celebra uma taça em seu estádio desde 1992, quando empatou em 1 a 1 com o Flamengo e ficou com o título de campeão da Taça Guanabara. Desde então, até o Paulista de Jundiaí levantou uma taça dentro da Colina Histórica – em 2005, ficou com o título da Copa do Brasil batendo o Fluminense no estádio – e o Cruz-Maltino não. Agora, tal qual o Corinthians em 2015, foi a vez do Palmeiras se sagrar campeão do Brasil na casa vascaína.

Nos últimos anos, permanecer na Série A tem sido o único título nacional disputado no clube. E nem sempre a conquista vem. Contra o Palmeiras, neste domingo, o Vasco teve a chance de fazer, na frente do seu torcedor, em sua casa, o dever que já deveria ter cumprido há tempos, e mais uma vez falhou. Mesmo apresentando um futebol, no 1º tempo, que se mostrado durante todo o campeonato hoje vislumbraria outros horizontes para 2019.

Uma etapa inicial de posturas de iguais, como se fossem duas equipes em momentos similares. Cada um escolhia seu período de pressão, alternando entre ataque e defesa como um jogo de xadrez, em que um aguarda o movimento do outro.

O Vasco tinha nas longas passadas de Thiago Galhardo suas melhores subidas, mas se aproximou com perigo apenas em duas finalizações de Andrey e num raro pivô de Maxi na partida. Já o Palmeiras, forçava com Dudu e Mayke pelo lado esquerdo da defesa vascaína, que perdeu Henrique nos primeiros minutos.

Num contra-senso, Valentim não mandou a campo seu único lateral-esquerdo presente no banco, Fabrício, que por diversas vezes foi titular com o treinador como meia, mas sim Willian Maranhão, volante improvisado na função. Como se as lesões já não fossem um problema, Alberto manteve também a tradição de remendos na equipe.

Mas não veio daí a derrota. Seria muito simplório culpar apenas um movimento errado. O Palmeiras por si só já era motivo suficiente para o Vasco sair derrotado. Caberia ao time carioca ser mais do que tem sido para chegar ao triunfo, assim como fez contra o São Paulo. É normal na equipe, porém, a inconstância entre os tempos.

Pode-se dizer que o que vemos hoje é um Vasco bipolar, com surtos de fúria em meio a momentos de calmaria – como foi a etapa inicial.

Uma irritabilidade que foi impedida por Fernando Miguel nos minutos finais contra o Tricolor, mas que o goleiro nada pode fazer no tento de Deyverson, um garoto que poderia ter sido gerado na base vascaína mas que nunca ganhou espaço além da escolinha que frequentou durante a pré-adolescência. Assim como Vágner Love, autor do gol do título corintiano em 2015. Dois passarinhos que estiveram nas mãos vascaínas e voaram sem que ninguém ouvisse o canto.

Frágil como a moleira de um bebê, o Vasco chega na última rodada mais rezando do que torcendo. Pelo o que mostrou fora do Rio de Janeiro durante toda a temporada, deixa sua permanência mais nas mãos do insucesso de terceiros do que nos próprios pés, que fraquejam com frequência fora de São Januário.

O Vasco luta até o fim, por um fim sem luto.

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