As muitas diferenças entre Flamengo e Vasco



Diego levou a melhor no duelo com Benítez (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

O 1º tempo do Flamengo x Vasco dessa quinta-feira lembrou aquelas cenas clássicas de Rocky, o filme. O Cruz-Maltino, nas cordas, sendo golpeado, e o Flamengo, mesmo sem nocautear, castigando e minando o adversário.

Era nítido, mesmo quando o placar ainda marcava 0 a 0, que uma hora os vascaínos iriam à lona. Porém, diferente do filme, sem forças para se levantar. O ‘Time da Virada’ não virou nenhum jogo na temporada, não seria diferente contra o rival.

O time da Gávea teve 71% de posse de bola na primeira etapa. Dez finalizações contra nenhuma da equipe de São Januário. Quatorze cruzamentos em apenas 45 minutos – no Vasco, apenas dois.

Um desavisado que batesse o olho na tv, poderia imaginar que o Flamengo jogava com homens a mais. E não estaria muito errado, apesar da matemática simples me desmentir. Mas, no campo, o que soma mesmo é a bola.

Diante de um Vasco incapaz de escapar do seu campo defensivo, centralizando todas as saídas em Benítez – o que facilitava a marcação -, o Flamengo se deu ao luxo de atacar com nove jogadores simultaneamente. O time de Luxa, no entanto, foi incapaz de se defender com 10. Tem sido assim quase sempre, aliás. E o pior: esse número vai diminuindo conforme os minutos se passam. É quase como se fosse uma ampulheta, que se esvazia um lado com o passar do tempo.

Cano conseguiu forçar um erro de Filipe Luís antes dos 10 minutos. E foi a única vez.

Benítez, responsável por marcar Diego, num raro encontro de camisas 10 – e que só foi possível graças a ousadia de Ceni de recuar o meia para jogar como volante – deixou o gramado no intervalo sem nenhum desarme, mas com sete perdas de posse.

Pec e Pikachu, que completavam o quarteto ofensivo, roubaram apenas uma bola cada um. Arrascaeta, sozinho, fez mais desarmes (3) que todos os quatro homens de frente do Vasco somados. Everton Ribeiro, também (3). Bruno Henrique e Gabigol? Mais três. Mesmo tendo poucas oportunidades para isso, já que na maior parte do tempo a bola esteve em pés rubro-negros.

O perde pressiona do Flamengo é exatamente o oposto do perde olha do Vasco.

Muito mais do que um ataque potente, o que diferenciava os dois rivais em campo era a forma como marcavam. Por isso, o time de Rogério parecia jogar com 10 e o de Vanderlei, com 7. Era realmente mais ou menos essa a proporção de jogadores atacando de um lado e se defendendo de outro.

E a areia fina seguia descendo junto do relógio…

Para pressionar o Vasco em seu campo defensivo, não foi preciso o Flamengo entupir seu time de cabeças de área tradicionais. Muito pelo contrário. Gerson, outro camisa 10 de origem que já não é de hoje joga numa linha mais recuada, ganhou sete dos 13 duelos que disputou no chão. Leo Gil, volante original, ganhou apenas três de oito.

Um ’10’ brasileiro pressionar mais do que um ‘5’ argentino é a prova definitiva da importância do saber jogar sem a bola. Enquanto o Flamengo defendia e atacava com dez, o Vasco marcava com sete e avançava, quando muito, com quatro ou cinco.

A superioridade, além de técnica, era também numérica, tática e física.

Diante da incapacidade vascaína de marcar e atacar, não fazia sentido Willian Arão e Filipe Luís ficarem presos à linha de três defensiva. Ninguém tocou tanto na bola quanto os dois. Foram 85 passes de Arão e 79 do lateral. Filipe, livre, inclusive, foi quem fez o cruzamento para Arrascaeta ajeitar para Bruno Henrique sofrer o pênalti no fim do 1º tempo.

Com o 1 a 0 no placar, o Rubro-Negro tirou o pé. As entradas de Catatau, Carlinhos e Juninho também ajudaram na mudança de dinâmica do jogo, tendo em campo dois meias de mais toque de bola e menos aceleração. Facilitou a transição, o passe curto e as inversões.

Carlinhos, por exemplo, acertou as quatro bolas longas que tentou e errou apenas dois passes de 28 – Juninho acertou todos. E ainda roubou três bolas. Novamente: mais do que todo o quarteto de frente do Vasco em 90 minutos.

O contexto do jogo mudou, a característica do time vascaíno também, o encaixe na marcação e o ímpeto rubro-negro, idem, mas ainda assim a diferença entre Flamengo e Vasco era muito grande. Mesmo sendo capaz de equilibrar em alguns aspectos, seria impossível nivelar em qualidade técnica. E foi assim, sobrando, que Bruno Henrique fez o segundo e fechou o placar.

Se o 2 a 0 não foi um resultado capaz de mostrar o tamanho da distância entre os dois times neste momento, o primeiro tempo foi um retrato fiel das diferenças.

* Com estatísticas do Sofascore



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