As mudanças no Vasco pós-Milton Mendes



Ramon se destacou nos últimos jogos (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Ramon se destacou nos últimos jogos (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Ainda não dá para fazer uma análise do trabalho de Zé Ricardo frente ao Vasco, claro. Com menos de um mês no clube e apenas um jogo disputado, seria prematuro qualquer tipo de avaliação. É como qualificar um restaurante apenas pelo serviço de valet.

Porém, algumas mudanças pós-Milton Mendes já são visíveis.

Mais do que Escudero ou Gilberto como volantes, Andrés Rios como centroavante ou até mesmo a volta de Nenê aos titulares, o time alterou sua forma de atuar, de tratar a bola quando tem a posse. O Cruzmaltino passou a gostar dela, a não se livrar com tanta facilidade da redonda.

Houve, por assim dizer, uma reaproximação do Vasco com o futebol. O time se reapaixonou pela bola. Ou ao menos esboça uma pequena paquera.

E um dado que elucida bem essa questão é o dos cruzamentos.

Com Milton, era comum ver a equipe fazer ataques rápidos pelo lado, porém, concluídos de forma quase que descompromissada com levantamentos pouco relevantes. Quase sempre, o time jogava mais pela segunda bola do que pela primeira. Tornou-se, assim, um ‘reboteiro’.

Sob o comando de Mendes, o Vasco vinha sendo a 5ª equipe com mais cruzamentos realizados, porém, apenas a 12ª em aproveitamento. A média do time era de 25,7 tentativas por jogo, acertando somente 20,8%, segundo o Footstats. Nas duas últimas partidas, entretanto, o volume foi reduzido pela metade – 13 por jogo – e os acertos dobraram – 42,8%.

Foi o melhor desempenho nos cruzamentos, em aproveitamento, de todos os clubes da Série A nas duas últimas rodadas do Brasileirão. O Botafogo, com 31,8%, aparece em segundo.

Ou seja, não é que o time parou de buscar o jogo aéreo, que é uma arma válida e importante, mas passou a fazê-lo de uma maneira mais criteriosa, caprichosa, não a esmo. Tanto que foi assim que saiu o gol de Mateus Vital, após cruzamento de Ramon, garantindo a vitória sobre o Grêmio.

Com a bola sendo mais trabalhada nos pés do que brigada com a cabeça, o Vasco vem correndo menos riscos e atacando de maneiras mais variadas.

Um mês após a saída de Milton Mendes, a equipe tem, ao menos até agora, características distintas. Contra o Fluminense, teve o seu melhor desempenho nos passes e um de seus maiores volumes de finalização. Após o duelo com o Grêmio, um dos postulantes ao título, mostrou eficiência num dos fundamentos que vinha sendo deficiente: o cruzamento.

É pouco para avaliar o trabalho de Zé Ricardo, mas o suficiente para entender a saída de Milton.



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