As linhas tortas do VAR, a estreia de Bruno Gomes e a péssima atuação do Vasco



Vasco teve gol anulado no início do 2º tempo (Foto: Reprodução/SporTv)

Foi num Corinthians x Vasco, em São Paulo, em 1992, que Edmundo estreou como profissional – goleada carioca por 4 a 1. Dessa vez, o debutante foi Bruno Gomes, outra promessa vascaína, mas de características bem distintas das do Animal. Com a classe de um tangueiro, girando e conduzindo sempre de cabeça erguida, foi um dos poucos lúcidos em campo no péssimo jogo deste domingo. Mesmo em sua primeira dança, foi quem mais acertou passes pelo lado cruz-maltino (48) – errou apenas dois – e desarmes (5) na partida. E olha que não faltaram passes tortos no duelo: 90, segundo o Footstats.

Tão tortos quanto a linha do VAR no gol anulado do Vasco quando o placar ainda estava rigorosamente zerado – e assim deveria ter terminado pelo nível apresentado pelos dois times. A imagem divulgada pela própria arbitragem deixa claro, na linha vermelha, que o ponto do corpo de Werley levado em conta para a exclusão do tento foi seu antebraço, quase o punho, o que não pode ser considerado vantagem, já que não pode usar para marcar. A linha azul, por onde passa o ombro e a cabeça do zagueiro, é exatamente onde o pé do marcador dá condições no meio da área.

Um zoom simples, uma ampliação no Paint, como essa abaixo, e o árbitro de vídeo não teria sido decisivo, novamente de forma negativa, num jogo do Brasileirão.

Linha vermelha passa pelo antebraço de Werley, parte do corpo que não pode ser utilizada para análise de impedimento (Foto: Reprodução)

É o mesmo VAR que achou falta de Rossi contra o Grêmio numa saída de bola, impedindo o 2 a 0 vascaíno – terminou 2 a 1 para os gaúchos. VAR que viu bem a mão de Castan contra o Palmeiras mas fechou os olhos em lance idêntico do CSA contra o mesmo Vasco. VAR que foi utilizado ainda na rodada anterior, marcando acertadamente falta de Henríquez em Santos, anulando outro gol vascaíno, mas que não foi analisado para ver o abraço de Bruno Guimarães em Castan dentro da área. Ou seja, um VAR que faz justiça quando quer. Que escreve, no Brasil, sua história tão torta quanto suas linhas.

É óbvio que o erro não anula a péssima partida vascaína, que não conseguiu ser eficiente na marcação alta, deixando um buraco entre defesa – que não avançou a linha – e ataque, e nem veloz na transição, com muitos erros de passe – 41, pior marca nos últimos sete jogos. Destaque negativo para Pikachu, com 10 erros, Rossi, com 8, mesmo saindo mais cedo, e Marcos Júnior, com cinco – também saindo antes do apito final. Porém, é inegável que a anulação de um gol – de forma equivocada – interfere no resultado final. Não só pela simples mudança no placar, mas pela alteração na dinâmica que o gol traz. Uma coisa é jogar um empate, outra é segurar uma vitória. Principalmente pra quem atua fora de casa e tem grandes dificuldades de criação.

Com exceção dos passes retos de Bruno Gomes, mais uma dia torto no futebol brasileiro. De várias formas.



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