As ironias da bola



Nenê marcou o gol da vitória sobre o Coritiba (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Um dos debates mais rasos e sem fundamento do futebol é sobre o que seria melhor: vencer jogando mal ou perder jogando bem? Ora, como se algum louco fosse capaz de escolher uma derrota no lugar de um triunfo, viesse como viesse. Um torcedor abraça a vitória como a um amigo de infância que não vê há anos. E não poderia ser diferente.

Agora, uma coisa não está atrelada a outra. Quem vence jogando mal, não vence PORQUE jogou mal. Vence APESAR DE ter jogado mal. Caso contrário, o Vasco seria líder da Série B. Aliás, nem teria caído.

Assim como quem perde apresentando um bom futebol não tem como motivo pelo insucesso o fato de ter ido bem. São as ironias da bola.

O Vasco de Fernando Diniz foi superior ao CRB e não venceu, sofrendo um gol aos 46 minutos do 2º tempo. Na 3ª finalização dos alagoanos no gol em nove tentativas. Depois, contra o Cruzeiro, a mesma coisa. Domínio, vitória parcial e gol sofrido no fim – aos 49 -, no 4º chute no alvo de somente nove arriscados.

Dois empates em 1 a 1 sendo melhor que o adversário. Assim como já havia sido nos duelos com Londrina – derrota de virada – e Brasil de Pelotas – empate – não faz muito tempo.

Contra o Brusque, nesta sexta-feira – dia naturalmente impróprio para a prática do futebol que não seja entre amigos, acompanhado de um churrasco -, foi o inverso. Os catarinenses finalizaram 21 vezes, sete delas no alvo – a soma dos jogos com CRB e Cruzeiro. Sem contar os dois gols anulados. Os cruz-maltinos, por sua vez, chegaram só quatro vezes.

Resultado: 1 a 0 Vasco, golaço de Nenê após ótimo cruzamento de Zeca.

O que antes era veneno, virou antídoto.

Quando parecia que não importava o que o time fizesse em campo, a vitória jamais viria, o triunfo com um jogador a menos – Léo Matos foi expulso no 1º tempo – e atuando mal, dá mais que três pontos ao Vasco. Dá ao seu torcedor a esperança de ser possível ganhar, até mesmo nas piores noites.

Pra quem não vencia nem nas boas, um alento.

Agora, convenhamos: jogar bem pode não ser uma obrigação pra vencer todos os jogos, principalmente na Série B, mas será na maioria. Pra quem precisa de, no mínimo, oito em 12 para sonhar com o acesso, apresentar mais do que foi visto nesta sexta será uma necessidade.

Sem ironia.



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