Na década, aproveitamento de Luxa no Vasco só não supera o de Ricardo Gomes



Luxemburgo deu outra cara ao Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Não foram poucas as críticas recebidas por Vanderlei Luxemburgo em sua chegada ao Vasco. Sem clube há quase dois anos, quando foi demitido do Sport, o treinador aportou em São Januário trazendo um caminhão de desconfiança. Em parte, até justa. Mas em muitas, não.

Cinco vezes campeão brasileiro – técnico mais vitorioso da história da competição -, Luxa não conquista um título nacional desde o Brasileirão 2004, com o Santos. No entanto, ganhou seis estaduais nesse período – três Paulistas, um Carioca, um Mineiro e um Pernambucano. Uma queda no nível dos triunfos, é verdade, mas que não impediu o aumento de sua coleção de troféus.

‘Estaria Luxemburgo ultrapassado?’, era um dos questionamentos mais comuns após o anúncio da sua contratação.

A verdade é que se em campo o Vasco ainda não apresenta ideias novas, um futebol vistoso, ofensivo, de posse, o time tem sido ao menos eficiente, apesar das claras limitações do elenco. Os reforços prometidos não chegaram, pelo contrário. O elenco que tinha mais de 40 atletas foi reduzido, perdendo inclusive Maxi López, uma das referências do grupo. Ainda assim, os resultados são acima do que vinha obtendo Alberto Valentim, seu antecessor. E não só dele.

Contra o São Paulo, no domingo, Vanderlei completou 15 jogos no comandando da equipe, contando os três amistosos de intertemporada. São oito vitórias, quatro empates e apenas três derrotas. Um aproveitamento de 62,2%, o maior de um treinador do clube desde Ricardo Gomes, em 2011, com o time que tinha Dedé, Fágner, Fernando Prass, Diego Souza, Allan, Felipe e Juninho Pernambucano, entre outros, e conquistou a Copa do Brasil. Sob a batuta de Ricardo, a equipe conquistou 64,39% dos pontos disputados.

‘Mas Garone, você somou os amistosos’. Sim, assim como dos outros técnicos – veja a lista abaixo – também.

Vale lembrar que, com exceção dos amistosos, Luxemburgo só enfrentou equipes da Série A, enquanto que os outros treinadores comandaram no Estadual e em fases iniciais da Copa do Brasil, onde enfrentaram adversários de divisões inferiores e até sem série.

Ainda assim, analisando apenas os resultados no Brasileirão, o Vasco com Luxemburgo tem um aproveitamento de 52,7%. Muito acima dos 29,6% de Valentim e dos 43,3% de Jorginho em 2018. Com esse rendimento desde o início do campeonato, aliás, hoje o Cruz-Maltino estaria na 7ª posição, à frente de Internacional, Grêmio, Athletico Paranaense e Bahia, clubes mais estruturados e com elencos mais capacitados.

A última vez que teve um aproveitamento superior aos 52% no Brasileiro, inclusive, também aconteceu em 2011, quando foi o segundo colocado conquistando 60,5% dos pontos. Ricardo Gomes iniciou o trabalho e Cristóvão Borges deu continuidade, em razão do AVC sofrido pelo primeiro treinador durante a partida com o Flamengo, pela 19ª rodada.

O futebol apresentado pelo Vasco de Luxa pode não ser moderno – não é. Mas as transições rápidas pelo lado, o 4-1-4-1 com linhas próximas, alternando entre pressão alta e marcação baixa para contra-atacar, somados a força no jogo aéreo, dão a competitividade necessária para o time se manter longe da zona de rebaixamento e, quem sabe, chegar em 2020 não só na elite, mas também de volta a uma competição sul-americana.

RANKING DE APROVEITAMENTO DOS TREINADORES DO VASCO NOS ANOS 10
– Números entre 2010 e 2019

1º – Ricardo Gomes – 2011 – 44 jogos – 24 vitórias – 13 empates – 7 derrotas – 64,39% de aproveitamento
2º – Vanderlei Luxemburgo – 2019 – 15 jogos – 8 vitórias – 4 empates – 3 derrotas – 62,2% de aproveitamento
3º – Vagner Mancini – 2010 – 19 jogos – 10 vitórias – 5 empates – 4 derrotas – 61,4% de aproveitamento
4º – Gaúcho* – 2012/2013 – 18 jogos – 10 vitórias – 3 empates – 5 derrotas – 61,1% de aproveitamento
5º – Cristóvão Borges – 2011/2012 – 78 jogos – 41 vitórias – 18 empates – 19 derrotas – 60,2% de aproveitamento
6º – Adílson Batista – 2013/2014 – 52 jogos – 24 vitórias – 21 empates – 7 derrotas – 59,6% de aproveitamento
7º – Jorginho – 2015/2016 – 87 jogos – 43 vitórias – 24 empates – 19 derrotas – 58,6% de aproveitamento
8º – Cristóvão Borges – 2017 – 14 jogos – 7 vitórias – 2 empates – 5 derrotas – 54,7% de aproveitamento
9º – Doriva – 33 jogos – 2015 – 15 vitórias – 9 empates – 9 derrotas – 53,5% de aproveitamento
10º – Gaúcho – 2010 – 10 jogos – 5 vitórias – 1 empate – 4 derrotas – 53,3% de aproveitamento
11º – Joel Santana ** – 2015 – 17 jogos – 7 vitórias – 6 empates – 4 derrotas – 52,9% de aproveitamento
12º – Zé Ricardo – 2017/2018 – 50 jogos – 22 vitórias – 13 empates – 15 derrotas – 52,6% de aproveitamento
13º – Paulo Autuori – 2013 – 13 jogos – 6 vitórias – 2 empates – 5 derrotas – 51,2% de aproveitamento
14º – Alberto Valentim – 2018/2019 – 41 jogos – 17 vitórias – 11 empates – 13 derrotas – 50,4% de aproveitamento
15º – Celso Roth – 2015 – 13 jogos – 6 vitórias – 1 empate – 6 derrotas – 48,7% de aproveitamento
16º – Milton Mendes – 2017 – 27 jogos – 11 vitórias – 6 empates – 10 derrotas – 48,1% de aproveitamento
17º – PC Gusmão – 2010/2011 – 39 jogos – 14 vitórias – 14 empates – 11 derrotas – 47,8% de aproveitamento
18º – Jorginho – 2018 – 10 jogos – 4 vitórias – 1 empate – 5 derrotas – 43,3% de aproveitamento
19º – Dorival Júnior – 2013 – 29 jogos – 9 vitórias – 8 empates – 12 derrotas – 40,2% de aproveitamento
20º – Marcelo Oliveira – 2012 – 10 jogos – 2 vitórias – 2 empates – 6 derrotas – 26,6% de aproveitamento
Celso Roth – 2010 – 5 jogos – 1 vitória – 1 empate – 3 derrotas – 26,6% de aproveitamento

* Contabilizado o jogo entre Vasco e Palmeiras pelo Brasileiro de 2011, onde Gaúcho assumiu como interino após a saída de Cristóvão Borges e antes da chegada de Marcelo Oliveira.

** Não contabilizados os jogos ABC x Vasco e América-MG x Vasco, em setembro de 2014, onde Jorge Luiz assumiu interinamente. Não computada também a partida entre Vasco x Bragantino, onde Marcelo Salles assumiu interinamente.

Obs: não contabilizados os aproveitamentos de técnicos interinos, como Gaúcho – apenas quando foi efetivado -, Marcelo Salles, Valdir e Marcos Valadares.



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