Após quase 80 anos, Vasco volta a apostar em dupla de ataque argentina



Maxi e Ríos formam a nova dupla de ataque do Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

O Vasco de Alberto Valentim vem contando com uma novidade ofensiva nos últimos jogos: a dupla formada por Andrés Ríos e Maxi López. Não vinha sendo comum no clube a utilização de dois atacantes de ofício. Mais raro ainda é a presença de dois argentinos na frente. Tão inusitado que não ocorria há quase 80 anos.

O histórico de atletas nascidos na Argentina vestindo a camisa cruzmaltina é antigo. Com a profissionalização do futebol em 1933, o clube logo foi atrás de reforços nos países vizinhos. No ano seguinte, sob o comando do técnico inglês Harry Walfare, a equipe foi campeã carioca tendo em seu elenco cinco argentinos: o lateral Roque Calocero, o meia Navamuel, os pontas Hugo Lamanna e D’Alessandro, e o centroavante Esteban Kuko.

D’Alessandro, Kuko e Calocero atuaram no Vasco nos anos 30 (Foto: Reprodução)

Na época, as formações táticas eram diferentes das de hoje em dia, com o ataque muitas vezes sendo formado por pontas, atacantes e meias-atacantes. Em 34, por exemplo, a linha de frente titular contava com Orlando Rosa Pinto, Almir, Gradim, Nena e D’Alessandro. Contra o Bangu, porém, no dia 24 de junho, Lamanna entrou na vaga de Almir durante a partida – o que não era comum -, formando pela primeira vez uma dupla argentina no ataque vascaíno.

O Vasco venceu o jogo por 5 a 2, com Lamana deixando sua marca – Gradim, três vezes, e Mena, completaram o placar para o time de São Januário.

A grande atuação dos hermanos, entretanto, aconteceria em um amistoso. Em dezembro, contra o Corinthians, o Cruzmaltino foi a campo com três de seus gringos: o lateral Calocero e os atacantes Lamanna e Kuko. Lamanna marcou quatro dos cinco gols da goleada vascaína por 5 a 0, a maior imposta pelo clube sobre o rival até hoje.

Lamanna, inclusive, foi o de maior destaque entre os cinco, apesar do pouco tempo vestindo a camisa do time carioca. Contra o Boca Juniors, em janeiro de 35, em novo amistoso, jogando na linha de frente junto com Navamuel e Kuko, marcou os três gols no empate em 3 a 3, na Colina Histórica.

Kuko e Calocero ficariam no Vasco até 1936, enquanto que Lamanna sairia no fim de 1935, para o futebol francês.

Com o argentino Ramón Platero de volta ao comando técnico – já havia passado pelo clube na década de 20 -, em 38, o clube montaria novamente uma frente de ataque composta por argentinos. Os atacantes Menutti, Emeal e Bernardo Gandulla chegaram a São Januário na temporada seguinte junto com o zagueiro Agnelli e o meia Dacunto.

Ataque do Vasco com Emeal e Gandulla (Foto: Reprodução)

Ao lado do uruguaio Villadoniga e dos irmãos – brasileiros – Orlando Fantoni e e Niginho, Emeal e Gandulla formariam o ataque vascaíno naquele Carioca. O último com dois argentinos.

Desde então, o clube teve outros atletas vindos da Argentina em seu elenco, como o zagueiro Rafagnelli, campeão sul-americano em 48 com o Expresso da Vitória, e, mais recentemente, os meias Dario Conca e Guiñazu, e o atacante Herrera, mas nunca dois homens de ataque simultaneamente.

Agora, quase 80 anos após Emeal e Gandulla, desta vez sob o comando de um técnico brasileiro, os argentinos surgem novamente como esperança de gols no Vasco. Maxi e Ríos foram titulares nos dois últimos jogos com Valentim, e devem ser mantido para a partida contra o Bahia, na próxima segunda-feira.

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