A anti-homenagem e os dois Vascos de Valentim



Rossi fez um bom 1º tempo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Deveria ser proibido um lateral-direito ou um ponta direita, que não vestisse a camisa do Botafogo, ser destaque em um jogo disputado no Nilton Santos. É o mesmo que um zagueiro sair como herói do Mané Garrincha ou um argentino brilhar no Rei Pelé. É uma espécie de anti-homenagem.

Porém, era por ali, em cima da lateral esquerda do Glorioso, que o Vasco vinha construindo sua vitória no clássico deste sábado. Em cima de Gilson, não de Nilton, é claro.

Sem Marrony, Alberto Valentim apostou em Rossi, em seu primeiro jogo como titular do time. Na decisão da Taça Guanabara, contra o Fluminense, o atacante já havia sido fundamental no triunfo, roubando a bola na jogada que originou a falta cobrada por Danilo Barcelos. Com a mesma disposição que lhe é peculiar, entrou em campo para enfrentar o Alvinegro.

Com dois minutos, Cáceres roubou a primeira bola de Luiz Fernando e passou para Rossi, que inverteu para Pikachu livre na esquerda. O camisa 22 achou Maxi no meio da área, mas o argentino acabou travado pela defesa. Aos cinco, foi o atacante ex-Internacional quem roubou e deu para Bruno César, que acabou errando o passe.

Na jogada seguinte, a redenção do meia.

O camisa 10 recuperou a bola e abriu para o avanço do lateral paraguaio. O camisa 2 mandou de primeira, à la Winck – o tio -, na cabeça de Pikachu, à la Bernardo contra o Fluminense, em 2011, no mesmo Nilton Santos, até então chamado de Engenhão. Duas batidas e o gol. De cabeça, no goleiro. De pé direito, na rede.

A pressão pela direita continuou nos minutos seguintes. Rossi deixou Maxi López em boa condição de marcar mas o centroavante acabou parando em Gatito. Na sequência, aos 12, impediu novo avanço de Gilson e vibrou com o torcedor à beira do gramado. Não apenas pelo desarme, mas por ter estabelecido ali, naquele lado – o mesmo de Erik, destaque botafoguense -, um domínio até então inquestionável.

Aos 30 minutos, no entanto, a sorte começou a virar.

Raúl, que tem ajudado a fechar o lado direito, teve que ser substituído após pisão de Erik no tornozelo. Andrey foi o escolhido de Alberto Valentim para entrar em campo. Uma mudança que alterou a forma de jogar da equipe.

O ex-Ceará é quem dá liberdade para Lucas Mineiro jogar mais avançado quando o time tem a posse no campo de ataque. Sem ela, Raúl atua atrás da linha de quatro do meio-campo, sendo o responsável pela maioria dos desarmes da dupla de volantes, muitas vezes se fazendo valer de sua velocidade e posicionamento.

Se com a bola Lucas é mais participativo, sem ela, é Raúl quem mais trabalha.

Andrey, por sua vez, tem características mais próximas de Mineiro, apesar da ótima média de desarmes. Mais ofensivo, tem dificuldades para recompor. Com os dois em campo, o time ganhou uma nova opção de ataque, mas passou a dar espaços onde até então não haviam.

O gol de pinball de Marcelo Benevenuto, no início do 2º tempo, fez com que a alteração forçada fosse ainda mais significativa. Com a necessidade de propor o jogo novamente para tentar conseguir a vitória, o time de Valentim encontrou dificuldades para acertar a movimentação de seus volantes, que em alguns momentos passaram a subir juntos, deixando uma lacuna entre meio e defesa. Algo raro na temporada.

Com Rossi cansado de um lado, Bruno e Maxi fadigados no meio, e Pikachu pouco participativo na esquerda, o Vasco perdeu força na marcação ofensiva e deu campo ao Botafogo, que aproveitou para ganhar o meio com as entradas de Gustavo e Ferrareis.

A troca de Lucas Santos, outro de característica distinta, no lugar de Rossi, fragilizou ainda mais o setor que começou a partida tocando de pé em pé, de Fernando Miguel até Maxi López, e terminou vendo a bola passar em tentativas de ligações diretas entre o goleiro e Ribamar.

A queda no desempenho entre os tempos deixou clara a importância da organização defensiva de Valentim, que começa ainda na pressão de seus meias e atacantes nos laterais e volantes adversários. O Vasco não é um time de posse, mas sim de recuperação rápida e conclusão. Não à toa Marrony é o líder de desarmes do time na temporada, seguido por Cáceres. Rossi manteve a pegada, mas Pikachu e Lucas Santos não. No segundo tempo, Bruno César também não.

No meio, Andrey disputou espaço com Lucas Mineiro, embolando o setor ao invés de organizá-lo. No esquema de Alberto, até agora, a simplicidade de Raúl tem funcionado melhor que o protagonismo de Andrey, importante em 2018 mas que em 2019 ainda não aflorou.

O Vasco mostrou a mesma boa atuação dos dois jogos contra o Fluminense. Até o intervalo. Depois disso, perdeu o que tem tido de melhor: o controle através da pressão e da organização defensiva, onde se expõe pouco e ataca rápido. Sinal de que há um caminho que vem sendo seguido e que tem tido êxito, mas que ainda precisa de reparos, principalmente na hora de buscar novas alternativas.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone



MaisRecentes

Mudança no Vasco precisa ir além de Valentim



Continue Lendo

Aproveitamento de Valentim foi inferior ao de Zé Ricardo e outros 11 técnicos que passaram pelo Vasco nesta década



Continue Lendo

O óbvio



Continue Lendo