Afastamento de trio do Vasco é mais uma prova dos erros cometidos em 2019



Bruno César foi o principal reforço do Vasco no início de 2019 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Em outubro do ano passado fui convidado a enviar uma pergunta para uma entrevista com o presidente do Vasco Alexandre Campello, que foi ao ar no canal ‘Atenção, vascaínos’, do YouTube. Meu questionamento foi simples: se ele achava que teria ocorrido um erro no planejamento do futebol em 2019, já que o elenco chegou a ter mais de 40 atletas e passou grande parte da temporada tentando se desfazer de jogadores.

Algo, ao meu ver, péssimo para um clube cheio de dívidas, salários atrasados e um nível técnico abaixo do desejado – e do próprio gasto mensal. Tanto que terminou o ano e começou um novo devendo atletas e funcionários.

A resposta do presidente foi que não achava que haviam ocorrido erros. Que como o clube tinha um investimento pequeno, era natural correr certos riscos. Considerou normal trazer muitos jogadores e a maioria não render.

“A eficiência está em tirar esses jogadores que não deram resultado para que se abra espaço na folha (salarial). Sob esse aspecto, isso tem sido muito bem trabalhado”, afirmou Campello na ocasião.

Ora, como se fosse mais inteligente gastar primeiro para só depois da dívida feita tentar reduzir despesas. Obviamente não é.

Aparentemente, institucionalizou-se a boa e saudosa peneira, só que com jogadores de vencimentos superiores a R$ 50 mil – alguns chegando aos três dígitos – e não com garotos.

O velho “contrata e depois a gente vê no que vai dar”. Não deu.

Quanto à capacidade de se desfazer destes jogadores, não há dúvidas. Dos 19 (!) nomes trazidos em 2019, apenas quatro permanecem com contrato para 2020: Marcos Júnior, Ribamar, Bruno César e Cláudio Winck. Os dois últimos, afastados do grupo nesta sexta-feira junto com Rafael Galhardo, contratado ainda na gestão de Eurico Miranda.

Ou seja, pouco se aproveitou do que foi investido. E os que renderam, o clube vem enfrentando dificuldades para renovar, como são os casos de Rossi e Guarín. Por quê? Porque a austeridade financeira não saiu do discurso.

Dos 19 reforços do último ano, apenas oito disputaram mais de 20 jogos na temporada – o Vasco fez 62 – e só três terminaram como titulares – Richard, Guarín e Rossi.

Felipe Ferreira, Sidão, Marquinho, Clayton, Winck e Jairinho não foram aproveitados em dez partidas sequer. Assim como Felippe Bastos e Valdívia não passaram de 15. Bruno César, contratado com status de camisa 10 – e dono dela – foi titular em apenas cinco no Brasileiro. Michel nem entrou em campo.

A diretoria ainda renovou com Luiz Gustavo, Bruno Silva e Willian Maranhão. O último, até o fim de 2022. Nenhum terminou 2019 no clube – Bruno rescindiu na Justiça cobrando uma dívida – e o mesmo deve ocorrer em 2020 – Luiz Gustavo já acertou com o Goiás.

Contratações que serviram apenas para inchar a folha salarial, constantemente atrasada e um empecilho eterno na recuperação da saúde financeira do clube.

Agora o Vasco segue sem dinheiro e sem elenco, afastando jogadores mais uma vez por não saber o que fazer com os atletas que a própria diretoria contratou – como ocorreu com Ribamar, Luiz Gustavo, Jairinho, Vinícius Araújo e o mesmo Winck em 2019. Teve o fim do ano todo para negociá-los e não encontrou interessados. Agora os jogam aos leões.

Afastados, não disputarão a temporada, treinam em separado, mas o salário continua sendo uma obrigação do clube. Financeiramente, nada muda no Vasco. E a culpa não é dos jogadores.

Quando eu era mais novo trabalhei na pequena lanchonete do meu pai, do tamanho de uma garagem, por alguns anos. A primeira coisa que ele me ensinou foi que “a gente ganha dinheiro na compra, não na venda”. Ou seja, um bom negócio depende de quanto se paga, não apenas do preço que se vende.

No caso do Vasco, paga-se caro para trazer – salários, luvas e bonificações – e não recebe nada na hora de passar para frente. Nem tecnicamente, na maioria das vezes.

Hoje a diretoria do Vasco é obrigada a pagar por quem não quer utilizar, graças aos contratos que ela mesma propôs, enquanto sofre para quitar as dívidas com quem quer manter. Está sem crédito internamente e fora.

E há quem fale em eficiência nesse modelo.



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