A vitória protocolar



Ribamar fez seu primeiro gol pelo Vasco (Carlos Gregório Jr/Vasco)

As primeiras fases da Copa do Brasil se assemelham bastante com uma disputa de futebol de sabão. Quem tem mais qualidade pisa devagar pra não cair, enquanto que quem tem menos joga esperando o deslize adversário. Um, joga pela vitória protocolar. O outro, pelo triunfo histórico. Uma grande e bela armadilha democrática do esporte.

Esse desequilíbrio de obrigações – que eu acho interessante, vale ressaltar -, no entanto, muitas vezes atrapalha a partida. Veja bem, todo mundo espera uma goleada, um flagelo, uma imposição quase que física do grande sobre o pequeno. O maior, porém, na verdade, só quer sair de campo sem arranhões e sem a necessidade de tomar mais que dois Gatorades ao fim do duelo para se recuperar. Quando se faz o primeiro gol ainda na etapa inicial, então, dizem que alguns já voltam do intervalo de sapato social e meia de seda para agilizar o voo de volta.

Serra x Vasco foi um pouco disso.

A equipe capixaba esteve longe de mostrar o mesmo ímpeto do Juazeirense, adversário vascaíno na fase anterior da competição. Foi, por assim dizer, um time mais respeitoso e estéril que o baiano. Fernando Miguel, por exemplo, poderia ter atuado com um bebê no colo que ninguém perceberia. Isso porque nenhuma das dez finalizações do Serra – oito de fora da área – foram em gol.

O Vasco, no entanto, também não fez muito diferente.

Após o gol de cabeça de Lucas Mineiro, que vem voando mais alto do que se imaginava no início da temporada, aos 26 minutos, a equipe criou poucas chances reais. Apesar da boa atuação de Bruno César, que deu mais bola nas costas do lateral que sinuquista animado, o time esteve longe de mostrar o elã dos dois duelos recentes contra o Fluminense, quando definiu nas poucas oportunidades que criou. A saída do efusivo Marrony, artilheiro e maior ladrão de bolas do time no ano, para a entrada de Yan Sasse, pouco antes do intervalo, praticamente sepultou o pouco de entusiasmo que havia na atuação cruzmaltina.

Um desempenho seguro, é verdade, mas pouco empolgante.

O Serra jogava por uma bola casual qualquer, vadia, um escanteio bem batido ou um erro defensivo, que o time de Alberto Valentim, como tem sido comum em 2019, não deu. Como já disse, Fernando Miguel foi menos requisitado que repolho no churrasco. O Vasco, por sua vez, teve a bola, se aproximou do gol até com certa liberdade, mas pecou pela inaptidão de alguns. Maxi e Bruno pela falta de pernas, e Sasse, Pikachu, Rossi e Danilo, pela pontaria.

Coube a Ribamar, o menos artilheiro entre os goleadores, mas o mais ativo em um fim de jogo preguiçoso, fazer o segundo e sacramentar a classificação vascaína.

Após o quase-fracasso em Juazeiro e o triunfo final no Maracanã, sobre o Fluminense, enfim um jogo morno, porém controlado, do Vasco. Uma vitória dentro da normalidade e, principalmente, da formalidade.

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