A sorte de Jabá, o talento de Juninho e os problemas defensivos do Vasco



Juninho foi o melhor em campo - enquanto teve gás (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Não gosto de creditar derrotas ou vitórias à sorte. Nenhuma bola entra no gol por um acaso completo. Há de se ter o mérito ao menos para chegar próximo do gol, para induzir um erro ou contar com uma ajuda externa, seja do clima ou do próprio adversário.

Isto é, mesmo a ‘sorte’ precisa ser precedida por uma construção própria, ainda que seja o simples ato de marcar um bilhete de loteria. O gol do Vasco na vitória magra sobre o Vila Nova, por 1 a 0, nessa terça-feira, é um bom exemplo disso.

Veja bem, é inegável que um cruzamento que termina balançando as redes tem um quê de destino. Mas é inegável também que ninguém pisa na área adversária com chance de bater pra dentro sem ter produzido nada.

Se parte do gol teve um toque de sorte, a outra teve um toque de Juninho.

Foi o passe do meia que rompeu a forte defesa do Vila Nova – a 4ª menos vazada da Série B -, achando uma rara diagonal de Jabá no jogo. O destino pode ter colocado a bola no fundo das redes, mas o toque não foi casual. Aliás, é uma virtude habitual do jovem jogador.

Poucos minutos antes do tento vascaíno, já havia construído outra jogada por dentro, deixando Sarrafiore em condições de finalizar, mas o argentino demorou para definir o lance. Seja carregando, driblando ou passando, Juninho vinha sendo o único a furar o forte bloqueio.

Portanto, nem tudo foi sorte. Apesar do pouco futebol.

Aliás, que se registre: ninguém dribla tanto quanto Juninho nessa Série B. Entre os que entraram em campo ao menos dez vezes na disputa, o jogador tem a maior média de acertos por 90 minutos – 4,76 – do campeonato, segundo dados do Sofascore. Um talento indiscutível, mas que carece de constância. Principalmente física.

Bastou o garoto cansar que sobrou ao Vasco muito pouco ou quase nada, além de se defender. E até nisso foi mal.

O meio-campo vascaíno após as entradas de Andrey, Cayo Tenório, MT e Galarza claramente não se encontrou. Não que Marquinhos Gabriel, Sarrafiore e Figueiredo – atuando como centroavante – fizessem um grande jogo, muito pelo contrário, mas o 5-4-1 montado por Lisca no fim não encaixou.

Romulo, que vinha fazendo uma partida segura à frente da zaga, passou a fazer a função de terceiro zagueiro, dando um passou atrás. Se limitou a cortar cruzamentos. Foi bem, mas ninguém conseguiu proteger a entrada da área como o camisa 8 vinha fazendo.

Andrey e Galarza, que deveriam fechar o meio, pareciam indecisos entre subir para pressionar ou ficar e defender. No fim, não fizeram nenhum, nem outro.

O buraco era tão grande que permitiu ao Vila Nova, dono do 3º pior ataque da competição, finalizar oito vezes apenas nos 30 minutos finais. Para se ter uma ideia, a média da equipe no campeonato é de apenas 11 a cada 90.

Não foi apenas sorte do Vasco. Teve talento também, ainda que pouco. Muito mais individual do que coletivo, é verdade. E nem durou tanto assim. Porém, numa Série B tão nivelada – por baixo -, pequenos lampejos podem decidir.

Para o bem e para o mal.



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