A separação natural de Vasco e Luxemburgo



Luxemburgo teve 47% de aproveitamento no Brasileiro (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Em maio deste ano, o Vasco precisava de um treinador que o tirasse da última colocação – 1 ponto conquistado e saldo negativo de sete gols em apenas quatro jogos -, e Vanderlei Luxemburgo procurava um novo desafio que o recolocasse no mercado após um ano e meio sem comandar uma equipe. Se encontraram e se encaixaram.

Como todo elenco limitado – das 19 contratações apenas três terminaram como titulares por opção (Rossi, Guarín e Richard) -, o Vasco oscilou quando ameaçou galgar posições maiores no Brasileiro. Chegou a estar a 4 pontos do G8, que lhe daria uma vaga na Libertadores 2020, restando 10 jogos. Terminou a sete, sofrendo gols nos 15 minutos finais contra Ceará, Palmeiras, Goiás e Chapecoense. Os dois últimos, nos acréscimos. Um deles, contra.

Exatos sete pontos perdidos nestes duelos.

Foi melhor do que se esperava no início do trabalho, com o time na lanterna, mas inferior ao que se projetou após a arrancada e o bom começo de 2º turno. De toda forma, se fosse uma corrida, Luxa foi quem largou em 20º e terminou em 12º. Oito posições conquistadas saindo atrasado e com um carro arrumado por outro. E ainda teve que trocar o pneu com ele andando.

Luxemburgo foi mais que treinador no Vasco. Segurou os problemas de salários atrasados, usou a base, ajudou a unir o elenco, a impulsionar a torcida e recolocou o time numa competição internacional. Mas também cometeu seus equívocos – inclusive com contratações que não deram retorno, como Clayton e Marquinho – e foi responsável por alguns pontos deixados pelo caminho.

No balanço final, um bom trabalho diante do que o clube poderia oferecer. A grande questão para 2020, porém, é a mudança na expectativa.

De volta ao mercado, Luxemburgo sonha em reviver os tempos de títulos. Pra isso precisa de um elenco competitivo, algo que não teve em São Januário e nem em suas passagens recentes por Sport, Cruzeiro, Fluminense e Flamengo. A última grande oportunidade talvez tenha sido em 2012, com o Grêmio, quando ficou em 3º no Brasileiro com um elenco que tinha Elano, Gilberto Silva, Zé Roberto, Kléber Gladiador, Marcelo Moreno e Souza, entre outros.

O Vasco, hoje, não pode oferecer isso. O Palmeiras, seu possível destino, sim.

Vanderlei era o que o Vasco precisava para se reerguer quando estava na lanterna – e vice-versa -, mas talvez não seja o que o clube necessita para 2020. Não com aumento salarial e cobrança por maior investimento no futebol – não consegue pagar nem a folha atual em dia.

O Cruz-Maltino buscou um bombeiro e Luxa atendeu às necessidades. Agora precisa de estabilidade e Vanderlei quer riscos. Natural que queiram caminhos distintos.



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