A queda anunciada do Vasco



Vasco foi rebaixado pela 4ª vez em sua história (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

A queda do Vasco era anunciada. Não só pelos últimos dias, mas pelo planejamento do clube nos últimos anos. Ou, claro, a falta dele. Balançou por dois anos antes de cair. Talvez tenha durado até tempo demais.

Veja bem, o clube contratou 43 jogadores durante a gestão de Alexandre Campello. Quase quatro times completos. No jogo deste domingo, onde foi decretado o 4º rebaixamento de sua história, no entanto, quem foi a campo foram meninos. Metade dos 16 atletas que enfrentaram o Corinthians eram oriundos da base. E não foi uma exceção para este fim de semana.

Dos oito “de fora”, um já estava em São Januário antes da diretoria que se despediu em janeiro – Yago Pikachu. Ou seja, durante três anos, o Vasco gastou, contratou, renovou – muitas vezes com aumento salarial – e não conseguiu criar uma equipe minimamente competitiva.

O Cruz-Maltino disputou um campeonato de homens com meninos, em sua grande maioria. E a culpa não é deles, claro, mas sim de quem os fez pular etapas, do planejamento que jamais existiu e da ciranda de contratações aleatórias e irresponsáveis – inclusive de treinadores. Negócios que geraram custos, mas pouco ou nenhum retorno. Sobrou para base ser solução quando ainda deveria ser apenas opção.

Em janeiro de 2020, Campello disse, em entrevista à Vasco TV, que discordava do Financeiro que queria reduzir a folha do futebol para R$ 3,3 milhões. Afirmava que seria difícil manter o clube na Série A desta maneira, pois não daria para fazer contratações. Ora, mas é claro. A folha já havia sido inflacionada nos seus dois anos anteriores, quando contratou mais de 30 atletas.

Não havia espaço na folha e nem qualidade em campo porque nunca existiu um planejamento ou uma linha de trabalho. E continuou sem ter, mesmo gastando mais. Porque não se trata apenas de uma questão de quanto se gasta, mas de como.

Isso fica claro quando olhamos a sequência de técnicos apenas nesta temporada: Abel Braga, Ramon Menezes, Sá Pinto e Vanderlei Luxemburgo. Não há conexão entre os trabalhos. Nada.

O mais curioso é que o melhor momento do ano aconteceu com o treinador que assumiu o cargo ao acaso: Ramon. O ex-auxiliar ganhou uma chance em meio a incerteza da pandemia, não foi uma escolha técnica. Logo, não houve mérito da diretoria nem na única fase em que o time, 7º no Carioca com Abel, figurou entre os 10 primeiros no Brasileiro, como aconteceu durante todo o período do ex-meia – mesmo com jogos a menos.

Até o menor dos acertos foi sem querer.

Muitos torcedores até acreditavam no ‘Milagre de Itaquera’. Claro, a fé é inerente ao torcedor, faz parte da sua rotina. A queda, no entanto, já era anunciada há muito tempo. Dentro e fora do gramado.

Um rebaixamento tão natural que em campo nem parecia que estava acontecendo. Ao ponto do chute mais perigoso do Vasco, no insosso 0 a 0 na Neo Química Arena, ter sido um cruzamento errado de Carlinhos que explodiu no travessão de Cássio. O retrato da incapacidade vascaína.

Um fim tão melancólico quanto o seu início.



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