A previsibilidade vascaína



Vasco ficou apenas no empate com o Vitória, no Maracanã (Foto: J Ricardo/Ag.Freelancer)

O mais difícil de escrever sempre sobre o mesmo clube, é que muitas vezes o time não é capaz de se reinventar dentro de uma semana. Muito menos dentro de uma partida. E poucas coisas são mais chatas que um filme de final óbvio e roteiro previsível. Este é o Vasco atual.

Só em uma partida do Cruzmaltino um gol de empate aos 46 minutos do segundo tempo aparenta ser algo natural, comum, quase que uma obrigatoriedade. Diminui até mesmo a festa do adversário, tamanha a certeza de sua ocorrência.

Há no Vasco de Zé Ricardo um desejo incessante de ser derrotado. Até mesmo quando vence. A equipe carrega consigo um odor de medo que atrai o adversário todas as vezes em que sai na frente no placar.

Contra o Vitória, neste domingo, o time de São Januário conseguiu a incrível façanha de finalizar apenas três vezes em gol. Foi a sua pior marca no Brasileiro 2017, superando negativamente os cinco arremates do duelo contra a Chapecoense, ainda no 1º turno – derrota por 2 a 1.

Ora, como uma equipe que se autoproclama postulante a uma vaga na próxima Libertadores se dá ao luxo de criar apenas uma trinca de oportunidades? De impressionante, apenas o fato de ter conseguido balançar as redes em uma delas. Todo o resto, a falta de qualidade, de competitividade e o insucesso no placar, já eram de se esperar com este desempenho.

A verdade é que o Vasco sonha em comer uma lagosta no fim do ano, mas quando tem a oportunidade de provar, não faz ideia de por onde deve começar. É como se tivesse receio do próprio sucesso. Ou medo de se lambuzar.

Com exceção do gol de Breno, aos dez minutos do primeiro tempo, o lance mais comemorado pela torcida foi a entrada de Paulinho. Nem mesmo a caneta pornográfica de Ríos em Wallace foi tão celebrada. Isso mostra bem o quão carente de chances foi o ataque vascaíno.

Por cinco minutos a entrada do garoto ameaçou incendiar o jogo, mas o efeito se deu apenas nas arquibancadas. Outro fato comum no Vasco de hoje.

O time de Zé Ricardo é uma churrasqueira com carvão molhado tentando ser acesa com álcool gel. Não pega nem quando a chama ameaça subir.

É importante para o grupo ter como meta a Libertadores, ainda mais por ser um objetivo real, quando olhamos para a tabela. Mas é necessário também que se porte em campo como um time que deseja estar na competição sul-americana, e em condições de fazer jus à sua história na disputa.

O futebol de hoje do Vasco não é digno de Libertadores. Ainda que ele possa lhe dar uma vaga.



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