A passividade de Jorginho



Vasco de Jorginho perdeu a terceira partida seguida (Foto: Rodrigo Gazzanel/RM Sports)

O vascaíno, que já havia sido privado de uma refeição tranquila no domingo passado, quando foi goleado pelo Corinthians em pleno horário de almoço, desta vez, se mais desatento, pagou pela imprecisão do próprio relógio. Quem não foi pontual, perdeu o gol de Rojas com apenas um minuto de jogo.

Com 75 segundos de partida, o Vasco já brindava o São Paulo com uma de suas principais características: a falha individual.

Uma bola que costuma ser rebatida com a segurança de um carro-forte por qualquer defesa, no Cruzmaltino se torna gol adversário. Ricardo Graça, tão ingênuo quanto figurante de novela das seis, cortou para o meio da área o cruzamento de Militão. A bola bateu no bom ponta equatoriano e entrou.

A ideia de já entrar derrotado no gramado nunca foi tão próxima da realidade.

Combalido, o Vasco tentou sobreviver durante o restante do 1º tempo. E isso só foi possível graças a passividade do Tricolor que, ciente que o adversário era capaz de entregar o jogo sozinho, fez muito pouco por si próprio. Mesmo com os espaços dados pelos vascaínos, principalmente pelo lado esquerdo, onde Diego Souza pressionava Graça, Rojas caia às costas de Ramon e Militão não recebia a marcação de Thiago Galhardo, a equipe paulista levou pouco perigo real a Martin Silva.

O Vasco, por sua vez, com seus meias mais distantes que irmãos em crise, esperava uma arrancada solitária de Pikachu. Sem êxito.

Na etapa final, porém, funcionou a melhor – talvez única – arma vascaína: a infiltração imparável de seu goleador.

Veja bem, todos sabem que Yago cortará nas costas dos laterais e zagueiros. Todos esperam que ele faça isso. O facão do camisa 22 é quase tão famoso quanto o de Lampião. E assim como o cangaceiro, quase ninguém consegue pará-lo.

Se o passe vier com precisão, como saiu dos pés de Giovanni Augusto, no arco mais perfeito sem cor, só a rede, sempre uma boa anfitriã, a para: 1 a 1.

O gol pôs o Vasco no jogo. Deu confiança ao time que, desde o primeiro minuto, sentia a insegurança do gol dado.

O São Paulo subia e cruzava. O Vasco, respondia com velocidade nos espaços deixados por um Tricolor ansioso. Andrey e Pikachu, pela direita, arriscaram de fora. Giovanni Augusto chegou mais perto. De dentro da área, o corte seco em Arboleda e a batida de chapa, como no passe para Yago. Dessa vez, porém, sem a mesma precisão do pequeno artilheiro.

A fragilidade e a insistência, entretanto, uma hora cobram o seu preço.

Aos 25 minutos, Aguirre começou a se mexer. Tirou Militão e lançou Bruno Peres em campo. Na sequência, sacou Nenê e Diego Souza para as entradas de Tréllez – 1,85m – e Gonzalo Carneiro – 1,94 m. De olho na liderança, abriu mão do dito bom futebol, por baixo, com passes, para conquistar a vitória, pelo alto. E conseguiu, exatamente através da maneira que propôs.

Jorginho assistiu passivo as mudanças do São Paulo. Confiou num Vasco que vinha funcionando no 2º tempo, é verdade, mas foi incapaz de acompanhar as alterações que aconteceram no decorrer do jogo. Assim como ocorreu na inversão de Pedrinho e Romero proposta por Loos, contra o Corinthians. Quando viu, já era tarde. Tréllez fez 2 a 1.

A resposta foi a troca de um lateral por outro – Rafael Galhardo na vaga de Luiz Gustavo. Quase no fim, pôs Kelvin e Caio Monteiro, dois atacantes de poucos gols no ano. Uma movimentação com mais jeito de espasmo do que de premeditação.

A sensação que dá é que é que a equipe participa de uma competição de xadrez, só que com movimentos a menos que os adversários. E isso custa caro.

Trinta minutos de bom futebol é muito pouco para quem tem a capacidade de perder uma partida em questão de segundos.

O Vasco tem seus problemas individuais, isso é inegável. Mas a parcela de culpa de Jorginho nas últimas atuações é grande. Tanto no preparo da equipe, incapaz de apresentar uma jogada coletiva de ataque no 1º tempo, quanto na leitura de jogo após as trocas dos adversários.

É como se todos buscassem a vitória, e o Vasco, apenas a esperasse acontecer.

É normal perder para o São Paulo no Morumbi. Assim como também é natural ser derrotado pelo Corinthians em campo neutro. É igualmente comum perder jogos na altitude de Quito. Perder é normal, no esporte e na vida. O que não é costumeiro é fazer isso com a regularidade com que faz a barba.

Já são três derrotas do Vasco em sequência. A pior série do time no ano. A maior desde setembro de 2015, quando foi batido por Figueirense – 0x1 -, Internacional – 0x6 – e Atlético Mineiro – 1×2. Exatamente no início de trabalho de Jorginho, em sua primeira passagem.

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