A humilhação do Vasco



Vasco não tem mais chances de acesso (Foto: Cléber Mendes/LANCE!Press)

Menos de 700 desavisados estiveram em São Januário nesta quarta-feira para assistir o time da casa perder por 3 a 0 para o Vitória. Digo desavisados com todo respeito, pois acredito que os torcedores que ali estiveram passaram por lá para ver o Vasco. Esse Vasco que eles procuravam, porém, infelizmente, há anos que por lá não aparece.

Estar na Série B, para um clube do tamanho do Vasco, é naturalmente constrangedor. Mas infelizmente se tornou rotina. Escrevi aqui após a já trágica estreia contra o Operário: é algo semelhante ao primeiro dia de aula de um repetente na escola: quanto maior, mais vergonhoso.

A versão 2021 do Cruz-Maltino, no entanto, conseguiu ir além. Além de repetir mais um ano, resolveu também apanhar no recreio, dia sim, dia também. Na frente de todo mundo, sem esboçar sequer uma reação.

Sofrer um 7 a 0 – 4 do Botafogo e 3 do Vitória – dentro de casa em apenas quatro dias é inédito. E quando se consegue uma façanha negativa desta magnitude pela primeira vez em 105 anos de futebol no clube, já disputando em um nível inferior, a torcida precisa bem mais do que desculpas em uma coletiva. E até isso faltou no último fim de semana.

Alexandre Pássaro, diretor de futebol do clube, passou sua última entrevista defendendo o próprio trabalho. Sem nenhuma autocrítica. Aliás, pelo contrário. Deixou claro que não sabe trabalhar de outra forma – com essa palavras. Foi o mais próximo de uma confissão que chegou.

Deveria servir como aviso para a diretoria.

Logo Pássaro, que tanto falou em metas e planejamento desde que chegou ao clube – inclusive para justificar a demissão de Marcelo Cabo -, aparentemente não soube avaliar a produtividade do próprio departamento que comanda. E nem precisaria de algo muito detalhado.

O futebol do Vasco em 2021 foi 5º no Campeonato Carioca, teve dificuldades para superar adversários das Séries C e D na Copa do Brasil e na B não figurou entre os quatro melhores em nenhum momento. Em qual destas competições será que o dirigente acredita que bateu alguma meta?

O desempenho, sob qualquer prisma, foi péssimo. As únicas estatísticas que o time figura no top 4 na 2ª divisão são de passes (2º com 1212), de posse (2º com média de 53,4%), de perdas de bola (4º com 964) e de gols sofridos (4º pior com 45 bolas na rede).

Isso, inclusive, poderia ser o resumo da equipe na temporada: muitos passes, posse improdutiva, perdas em profusão e a consistência defensiva de uma manteiga. O gol do Vitória com menos de um minuto é um bom exemplo disso. O do Botafogo, após apenas 12 passes no jogo, idem.

Todos em contra-ataque, assim como também fizeram Operário, Brasil de Pelotas, CSA, Londrina, Avaí, Coritiba e Guarani. E, antes, sofreu do Nova Iguaçu, Bangu, Boavista…

Quando não foi desta forma, foi no jogo aéreo. Tal qual o segundo do Vitória esta noite. E o do Botafogo no fim de semana. E o da Portuguesa, Volta Redonda, Fluminense, Macaé, Madureira, Tombense, Resende, Avaí, Brusque, Náutico, CSA, Guarani, Remo, Confiança, Cruzeiro…

Só não fez quem não quis. A equipe foi vazada em 82% dos jogos que disputou na temporada. A pior marca do clube no século e certamente uma das piores da história.

Aliás, pra ser justo: o único que não marcou ao menos um gol no Vasco foi o Vila Nova. Mas ainda tem tempo, já que é o próximo adversário da equipe carioca. Todos os outros estufaram as rede vascaínas na ida ou na volta. Independente de competição.

Esse foi o roteiro do Vasco durante toda a sua melancólica trajetória na Série B 2021, não apenas no fim.

Pássaro, o Departamento de Futebol e a diretoria tiveram tempo para corrigir as deficiências. Ou não foram capazes de enxergar os problemas, ou foram incompetentes para achar a solução. A inércia do departamento nos últimos meses impede de sanar a dúvida.

O Vasco, que jamais deveria ter uma Série B em seu currículo, viverá a 5ª em 2022. E, mais uma vez, terá que recomeçar do zero.

Dentro e fora de campo.



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