A estreia de Valentim



Vinícius Araújo não foi bem em sua estreia como titular (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

O Vasco foi até Curitiba enfrentar o Atlético Paranaense com os anseios naturais de quem debuta um novo técnico, sonhando com o toque de Midas que faria, da noite para o dia, a equipe jogar como se treinasse há meses sob a mesma cartilha. Mas é sabido, porém, que em dois dias não se cura nem gripe, menos ainda se realiza um milagre.

Alberto Valentim, em sua estreia, ainda se viu ceifado de dois nomes que vinham sendo fundamentais: Wagner e Maxi López. O primeiro, por precaução. O segundo, pela falta dela. O argentino foi suspenso com três cartões amarelos após atropelar – fisicamente e tecnicamente – uma dúzia de zagueiros em apenas quatro jogos.

Para o lugar da dupla, o treinador optou pelas entradas de Andrés Ríos e Vinícius Araújo.

Ou seja, em seu primeiro jogo, Valentim já foi apresentado sem rodeios ao mais comum dos atos de um técnico vascaíno neste ano: o remendo. Em 2018, seja por lesões ou suspensões, o Vasco é um time em constante alteração.

E se Andrés teve a discrição que lhe é comum em campo, distribuindo apenas nove passes e errando três, Vinícius Araújo não foi capaz de passar desapercebido. Foi nos pés do atacante que caíram as principais chances cruzmaltinas. Todas elas desperdiçadas com a desfaçatez de um bêbado na missa da manhã.

Vinícius teve todas as suas armas ofensivas colocadas à prova na partida. Na primeira chance, num rebote ofertado, tentou de direita. Pra fora. Na segunda, na maior das ironias, recebeu de Santos, o goleiro do Furacão, na entrada da área. E nestes casos onde a ajuda vem diretamente do adversário, não há outra coisa a se fazer a não ser agradecer e concluir com toda gentileza possível. Faz parte da política da boa vizinhança. Araújo, entretanto, optou por passar a bola da perna direita para a esquerda e, como se tampasse o olho da mira na hora do tiro, finalizou com a raiva que não cabia naquele instante.

No fim, quando o relógio já havia corrido seus 45 minutos tradicionais e mais três adicionais, Vinícius subiu mais solitário que colecionador de tampinha de vinho, após belo levantamento de Moresche, e, com a displicência de um anestesiado, mandou para fora a última chance carioca no jogo.

Naquele momento, o vascaíno, que até outro dia só se relacionava com Maxi López pelo videogame, passou a sentir uma saudade cortante, dessas que machucam na adolescência. O torcedor, passional que só ele, talvez sentisse saudade até de sentir uma saudade assim.

A presença de Maxi nos últimos jogos foi sentida. Sua ausência, porém, ainda mais.

O Furacão, por sua vez, que tinha mais campo para trabalhar que um agricultor em dia de colheita, não conseguia se infiltrar. Diante da estéril troca de passes, assustou com o que há de mais temido pelas terras vascaínas: os cruzamentos. Foram 24 no total, sendo oito completados. Apenas Zé Ivaldo, o zagueiro, conseguiu finalizar quatro vezes. Uma delas, no travessão de Martin Silva.

Num jogo onde um defensor é o líder de arremates ao gol, é natural que o 0 a 0 prevaleça. E assim seria se, livres como estavam os zagueiros paranaense, com as ausências de Maxi, Ríos e Araújo – apenas o primeiro de forma física – eles não fossem também capazes de cruzar. De Léo Pereira, o companheiro de Zé, para a cabeça de Raphael Veiga, que não teve sequer a humildade de tirar os pés do chão para anotar o tento único.

Entre Léo e a área, cinco vascaínos a contemplar a bola subindo. Lá dentro, próximo do gol, três para cada lado, entre cruzmaltinos e atleticanos,  e um erro de posicionamento que mais uma vez fez do Vasco uma presa fácil. E, como já dito, até óbvia.

A fragilidade defensiva do Vasco é tão grande que o gol contra si só é destaque quando ele não acontece, como foi contra o Atlético Mineiro, por exemplo. Do contrário, não é notícia. Estabeleceu-se, ainda que inconscientemente, que o Vasco já começa no menos um.

E pelo ritmo de treino com que o Furacão marcou o seu gol, com meio e defesa apresentando a frouxidão de um moletom, talvez realmente seja verdade. No mínimo menos um.

Já disse aqui outras vezes: o Vasco precisa de um convite formal, assinado e autenticado em três vias, para balançar as redes adversárias, mas basta esquecer a porta aberta por alguns segundos para ver sua sala cheia de gente. Foi assim mais uma vez. E, desta maneira, cai-se no erro de dizer que o time jogou de igual para igual. Ora, como se eficiência não fosse um fator de desigualdade e, portanto, decisivo.

Pouco adianta criar dez chances e não aproveitar nenhuma, enquanto que do outro lado o adversário precisa de apenas cinco para deixar o seu.

Acabar com a burocracia ofensiva e estancar a sangria defensiva são os trabalhos que esperam Valentim no clube. Resta saber se terá tempo e mão de obra para isso.

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