A derrota indigesta



 

Fellipe Bastos foi titular (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O jogo às 11 horas da manhã carrega consigo um ar natural de almoço de domingo. Pode ser, no entanto, perfeito como uma propaganda da Sadia nos anos 90, com sorrisos e abraços entre pessoas claramente com boletos pagos, ou confuso, como uma reunião familiar em tempos de eleição.

Ou seja, pode ser uma bela entrada num encontro fraternal ou uma grande indigestão de proporções extremas.

A verdade é que só uma torcida chega ao Faustão ansioso pelos Cavalinhos do Fantástico. O outro lado do duelo, consequentemente, inicia a sua segunda-feira horas antes, mesmo sem ainda ter feito sua tradicional boia dominical. E uma semana com duas segundas e apenas meio domingo é um crime com o trabalhador. O vascaíno que o diga.

O problema do Vasco, porém, até então, vinha sendo a sobremesa.

Foram cinco pontos desperdiçados ao sofrer gols nos minutos finais – na derrota para o Atlético Mineiro e os empates com Avaí e Fortaleza. Os descuidos no fim se tornaram uma espécie de dose a mais, aquela constantemente responsabilizada pela ressaca, ainda que todos os outros goles despejados sem dó goela abaixo tenham igual efeito.

Para evitar um novo insucesso, Luxemburgo fez duas mudanças na equipe para enfrentar o Botafogo, apesar de manter o 4-1-4-1: Fellipe Bastos entrou no lugar do suspenso Raul e Tiago Reis na vaga de Yan Sasse, voltando Marrony para o lado esquerdo.

O Vasco, torto contra o Fortaleza, na última rodada, quando atacou somente pela direita, passou a ser mais equilibrado.

Mapa de calor mostra o Vasco mais presente ofensivamente pelo lado esquerdo, mas sem abandonar a direita (Fonte: Footstats)

Foi, desde o início, um duelo franco de estilos opostos. O Botafogo de Barroca com mais posse, com Cícero recuando entre os zagueiros para ajudar na saída de bola, mas enfrentando dificuldades para furar a defesa bem postada do Cruz-Maltino. Já a equipe de Luxemburgo, mais tempo sem a bola, recuava, mantinha seus onze jogadores no campo de defesa e tentava sair em velocidade nos contra-ataques.

E vinha funcionando melhor para os vascaínos, que mesmo tendo apenas 33% de posse no 1º tempo, fez Gatito trabalhar em uma cabeçada de Marrony e a trave chacoalhar na batida firme de Tiago Reis. Do outro lado, não era possível sequer saber se Sidão usava luvas ou não. Seria indiferente.

Parecia que a primeira vitória cruz-maltina viria. Parecia.

A dinâmica mudou na etapa final e os papeis se inverteram.

A posse do Botafogo caiu de 68% para 57% nos primeiros minutos do 2º tempo. O Vasco, precisando desesperadamente da vitória, passou a subir as linhas e tentar jogar no campo adversário. Inevitavelmente, deu brechas.

Mudança drástica na posse de bola entre 1º e 2º tempo (Fonte: Footstats)

Barroca colocou Rodrigo Pimpão em campo para jogar exatamente nas costas de Pikachu. Luxemburgo, quase ao mesmo tempo, lançou o garoto Talles Magno, de 16 anos, na vaga do também jovem Tiago Reis, o único com perfume de gol no time.

Em questão de segundos, enquanto o Vasco ainda tentava se reposicionar, Carli achou Pimpão no mano a mano com Yago, e o atacante cruzou. A bola que Fellipe Bastos não encontrou de cabeça, Diego Souza – uma espécie de embaixador da Lei do Ex – a aparou no peito, como um pai que protege o filho da chuva, colado ao corpo, e concluiu com a precisão de um Bulova.

Sem o seu único definidor e com a obrigação de propor o jogo, o time de Luxemburgo passou a ter a bola mas sofrer nos contragolpes. A arma montada, de repente, se tornou inimiga. E as melhoras da 1ª tempo, a organização e a estratégia bem definida, se perderam.

A verdade é que o torcedor vascaíno tem cada vez menos estômago para atuações sem apetite do time. Seja no almoço de domingo ou no jantar de quarta, o que assusta mesmo é a sensação de que terá que roer o osso novamente na Segunda.

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