A derrota após o apito final



Vasco ainda não venceu com Diniz (foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Sofrer um gol nos acréscimos do 2º tempo, por si só, é constrangedor. É como ter dor de barriga numa longa viagem, conseguir chegar em casa, mas fazer nas calças na porta do banheiro. Com o agravante dos milhões te assistindo.

É o sinal mais claro de fraqueza, de incapacidade.

Neste domingo, em São Januário, o estrago foi maior. Principalmente para os torcedores que acompanhavam pela televisão – praticamente todos. Aos 47 minutos do 2º tempo, quando o placar marcava Vasco 1×0 Cruzeiro, Daniel Amorim estufou as redes e correu para o abraço. Seria o 2º gol do Vasco, o da tão esperada vitória que não vinha há três rodadas – agora quatro.

O vascaíno, naquele momento, naturalmente, já havia deixado vago o seu lugar tradicional no sofá da sala. A camisa da sorte, que jamais pode deixar o corpo durante a partida, já rodava nos braços erguidos como uma bandeira de paz. Toda e qualquer superstição havia sido desfeita.

Para o cruz-maltino, com 2 a 0 no placar, não era preciso emanar mais nada naqueles instantes finais para que a vitória viesse. O Feng Shui havia sido quebrado, mas tudo bem, o triunfo já estava sacramentado – pensava.

O gol do cruzeirense Ramon, aos 49, foi sumariamente ignorado por quem assistia pela televisão. Tinha, até então, a relevância de um tiro de meta mal cobrado para a lateral.

Ledo engano.

Após o apito final, vibram os jogadores mineiros, enquanto os cariocas vão para cima do árbitro com o dedo em riste. Uma cena inexplicável para qualquer um que havia visto o jogo de fora do estádio. Os vascaínos, no entanto, já estavam na janela gritando para o vizinho, botando mais brasa na churrasqueira e abrindo mais uma para fechar um bom domingo de calor.

Eis que, como uma punhalada pelas costas, surge a informação.

O repórter da Globo no campo chama uma, duas, três vezes, e nada. Quando ganha a palavra, é tarde demais, o estrago já havia sido feito. Não restava outra coisa além dar a triste nota de falecimento: “O gol do Daniel foi anulado. O jogo terminou 1 a 1”.

Silêncio.

Aqueles dois minutos entre o gol de Daniel e o de Ramon, foram ignorados pelo torcedor em casa. Não houve apreensão com o ataque cruzeirense e nem com o sempre perigoso jogo aéreo contra a defesa do Vasco. O vascaíno, até então, estava em paz. Até pela boa atuação do time sob o comando de Fernando Diniz. Mal sabia que o insucesso viria com requintes de crueldade, numa situação talvez inédita na história do futebol e das transmissões: a notícia da perda da vitória após o apito final.

Muito pior que uma derrota no tempo normal.



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