A artilharia improvável de Werley



Werley marcou dois gols contra a Portuguesa (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Com apenas 10 minutos de bola rolando já era possível afirmar que Portuguesa e Vasco fariam um duelo digno de um esquecimento precoce por parte de seus torcedores. Nesse tempo, o suor já cutucava os calcanhares e as equipes somavam 17 passes errados. Terminaram o duelo com 59 erros, segundo dados do Footstats – 27 dos vascaínos. Sem contas as bolas longas sem direção.

A verdade é que o time de Abel Braga, previamente eliminado da Taça Guanabara, entrou em campo em ritmo de jogo-treino. Quando Cano carimbou o travessão, aos 27 minutos, é bem possível que alguns vascaínos que acompanhavam o duelo pela TV já estivessem recostados no sofá, sonolentos, ainda digerindo o almoço de domingo.

Nada, até aquele momento, confirmava que era futebol o esporte disputado naquele campo.

A prova veio apenas quando Werley subiu livre na área e fez 1 a 0. O grito inigualável de gol era a certeza que ali se jogava futebol, ainda que numa forma mais bruta e lenta.

O zagueiro, porém, dois minutos depois, num ato quase de protesto contra a regra do impedimento, se meteu entre os atacantes avançados da Portuguesa, deu condição para dois e viu de perto Chay, sem timidez, deixar tudo igual no placar.

Werley era, já naquele instante, o nome incontestável de um jogo inominável. Para o bem e para o mal.

Antes do intervalo, porém, viria a comprovação que a tarde seria sua (positivamente): mais um gol, novamente de cabeça, em outro cruzamento do ex-artilheiro e agora garçom Yago Pikachu.

Ainda teve tempo para Cano, com a frieza germânica, fazer o terceiro, após linda jogada de Vinícius, com o insinuância brasileira que lhe é habitual. O único ponto dentro da curva no 3 a 2 imposto pelo Cruz-Maltino.

Werley não marcava um gol desde novembro de 2017, quando ainda defendia o Coritiba e anotou sobre o Fluminense. Não fazia dois desde abril de 2012, na goleada do Grêmio sobre o Ypiranga por 4 a 0. Um zagueiro do Vasco não fazia dois desde Anderson Salles, em 2015, contra o Boavista, também em Saquarema.

Um feito tão atípico quanto dois times do Rio se enfrentarem em Bacaxá.

 



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