Vamos a um breve balanço do Paulistão, direcionado aos torcedores do meu estado e, especialmente, do querido interior paulista.
O campeonato chega à fase final, mas apesar de muita gente ignorar, também teve emoção nessa fase classificatória, considerada inútil. Pergunte ao torcedor do XV de Piracicaba e do Botafogo o que eles sentiram nas três últimas rodadas, e principamente no domingo. A torcida da Lusa também não esquecerá este Paulistão, embora de maneira triste.
Para quem sonha em entrar no calendário do futebol nacional, a vaga na Série D (no caso do Mirassol) valeu até a última gota de suor. Assim como o título do interior valerá.
E os interioranos que garantiram quatro vagas nas oitavas, precisaram suar bastante. Para o Elefante da Noroeste (Linense) pisar no então líder São Paulo foi uma despedida e tanto.
Mesmo com tanto esforço da televisão, da PM da FPF para que os torcedores vão cada vez menos aos estádios, a média de público deste ano pode ser considerada boa para alguns clubes, principalmente os do interior.
Na última rodada, cerca de dois mil piracicabanos pegaram a estrada e foram a Mogi Mirim torcer pelo XV na sua luta contra o rebaixamento. Dois terços do público presente compostos pela torcida visitante. Um show, como já vinha sendo nas partidas no Barão de Serra Negra.
Em Ribeirão Preto, o Botafogo teve uma jornada épica, escapando do rebaixamento aos 43 do segundo tempo com um gol salvador contra o Guarani. Até o momento do gol de Clebinho, o time estava voltando para a Série A2 e descabelando seus torcedores. Mas no fim, os quase 10 mil botafoguenses (público oficial de 7.962 pagantes / Renda: R$ 93.432,00 – não contando mulheres e crianças que não pagaram), vibraram como se fosse um título.
A sensação de alívio não foi por acaso, pois em 2012 a diretoria investiu pouco (e mal) no time e só conseguiu corrigir a rota no último suspiro, graças em boa parte, à feliz contratação de Benazzi, que deu um sacode no time e obteve o resultado. Curiosamente rebaixando a sua Lusa. E Benazzi comemorou como um menino, arrancando a camisa e ajoelhando no gramado antes de ser ovacionado pelos torcedores que não arredaram pé do estádio. Um cenário típico de decisão.
Em 2012 o Botafogo se planejou equivocadamente, fez a chamada economia porca pois precisou trocar muitas peças e gastar dinheiro com o troca-troca de jogadores e dispensas. Paradoxal, pois nessa temporada obteve a sua maior bilheteria dos últimos cinco anos. R$ 1.491.621,00, brutos, dos quais arrecadou cerca de R$ 1.100.00,00 livres.
A equipe do interior teve a melhor média de público dos pequenos, perdendo apenas para o quarteto Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos. Com essa grana previsível, mais os valores fixos da cota da FPF, e o patrocínio de camisa, a receita beirou os R$ 3 milhões.
Dividindo isso por cinco meses, chega-se aos R$ 600.000,00 necessário para ter um ótimo elenco e, no mínimo, não passar sufoco. Gastando pouco mais da metade, como fez, o sofrimento é garantido.
Na mesma Ribeirão Preto, o Comercial, após 25 anos, voltou à elite. Tinha tudo para bater recordes de público e brindar sua volta à Série A1 com uma boa campanha. Bastava ficar na Série A1 para satisfazer a sua massa. Mas uma série de erros, em todos os níveis, jogou o time para o lamaçal novamente com a pior campanha de toda a sua história no Paulistão com 12 pontos e 13 derrotas. Antes havia sido em 1976, com 14 pontos (porém, sem rebaixamento).
A diretoria preferiu manter a base da Série A2 e o gestor optou por investimentos modestos, aplicando apenas em Fabão, Galhardo entre outros veteranos rodados. Com uma campanha pífia não demorou para o torcedor abandonar o time. Para piorar, uma medida inédita com a colocação de tapumes ao redor do campo (para impedir a aproximação dos torcedores ao alambrado) repeliu ainda mais os comercialinos. De acordo com o clube, uma decisão da PM local e da FPF. A entidade negou e diz que apenas orientou o clube a seguir as orientações da polícia. A desfiguração do estádio no final do ano passado com obejtivos de lucros financeiros (abertura de espaço para micaretas e eventos extra-futebol para angariar receita para a empresa gestora) foi um tiro no próprio pé.
Pobre Geninho que chegou no final e nada ganhou, a não ser R$ 60 mil por um contrato de um mês. A se comemorar apenas o fato de o vexame não ter sido maior, com a temida perda de pontos por salários atrasados. Aliás, a FPF não precisou, ou não quis, aplicar o novo item do regulamento que previa perda de pontos para os clubes inadimplentes.
Com um time fraco e o planejamento mal executado, o clube arrecadou bem menos do que poderia. (equipe fraca, campanha ruim, significam bilheterias às moscas). Mesmo assim, foram R$ 769.685,00 brutos e R$ 523.673,32 líquidos. (Em dois jogos, o Comercial teve prejuízo, pagando para jogar pois as taxas superaram as arrecadações R$ 11.530,76 contra o Guaratinguetá e R$ 9.399,45 contra o Oeste)
Somando as receitas da FPF, patrocínio de camisa e bilheteria, a receita do semestre beirou os R$ 2 milhões. Mesmo assim, houve atraso nos direitos de imagem, admitidos publicamente. Parte dos recursos (cota) foi antecipada da FPF. O investimento obrigatório no gramado foi feito de forma equivocada e fora do tempo. Resultado, um campo ruim, que prejudicou tecnicamente e contribuiu para resultados ruins no começo do campeonato.
O clube se preocupou no começo do ano apenas com um marketing barato, propagando uma parceria com jogadores do Ji-Paraná que disputaram a Taça SP na cidade. Tudo em troca da aparição na mídia nacional em um programa de TV. Muito pouco!
A base foi abandonada nos últimos três anos, com recursos sendo canalizados para o Olé Brasil, time formador de jogadores. E na fraca equipe montada para o Paulistão, como era de se esperar, nenhum jogador com identificação com o clube ou oriundo de suas fileiras.
Melancólicamente o Bafo volta para a A2 deixando um rastro de tristeza, decepção e revolta nos torcedores que ainda viram o rival escapar.
Um cenário deprimente com direito a vandalismo (carros de jogadores depredados) e salários dos jogadores em atraso. Modelo de gestão amparado por um Conselho Deliberativo uníssono e que não deve ser copiado. Que fique a lição e o choque de humildade para 2013.
Subiu e caiu
O Comercial se junta ao Catanduvense. Foram os dois, entre os quatro que subiram no ano passado, a voltar para a segundona poucos meses depois. Guarani e XV de Piracicaba continuam na elite. O Bugre honrado suas tradições, jogando a fase decisiva com grandes chances de derrubar o Palmeiras. O XV de Piracicaba, com humildade e engajamento da torcida, garantiu mais um ano na primeira divisão.
Na decisão…
Corinthians é favorito contra a Ponte Preta, assim com o São Paulo é contra o Bragantino e o Santos diante do Mogi. Pedreira para o Palmeiras que corre o risco de disputar a vaga nos pênaltis. Ruim deste regulamento é a simples vantagem de jogar em casa para quem fez melhor campanha. Deveria valer mais, como o direito do empate. Quem ficou atrás, pode armar uma retranca daquelas e beliscar uma vaguinha nos pênaltis. Ruim e mal pensado (e repetido).
Para valorizar um pouco mais seu estadual, que sobra em relação aos outros estados, a Federação Paulista de Futebol deveria fazer prevalecer seu direito de mandante dos jogos e marcar para o Morumbi as semifinais e as finais. Independentemente de quais forem os finalistas. Sem essa de final na Vila Belmiro ou Pacaembu e mais confusão na distribuição de ingressos nos clássicos. A sorte está lançada. Meu palpite: o título fica entre Santos e Corinthians. Mero palpite.