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Título justíssimo do Flu. Agora, por que essa camisa branca?

por Bernardo Gleizer em 14.mai.2012 às 16:17h

O 31º título carioca do Fluminense é daqueles inconstestáveis. Mesmo sem ser brilhante e com um desempenho irregular, o Flu mostrou um grande futebol quando foi preciso, dosou as energias e levou a taça. As grandes atuações na decisão da Taça Guanabara, contra o Vasco, e no primeiro jogo da final do Carioca, contra o Botafogo, foram o suficientes para mostrar a força do plantel tricolor.

Jogadores do Flu, vestidos de branco, erguem o troféu do Carioca (FOTO: Cléber Mendes)

O Fluminense é de longe o time do Rio de Janeiro com mais jogadores com capacidade de decidir. Thiago Neves, Fred, Deco e Rafael Sobis têm esse poder. Para completar, as outras peças do Flu estão em grande fase, principalmente o goleiro Diego Cavalieri e o lateral-esquerdo Carlinhos. A dupla de zaga, formada por Gum e Leandro Euzébio – não sei se Abel vai voltar com o Anderson -, também mostrou nos últimos jogos estar muito bem, principalmente pelo alto.

Agora, cabe aqui um adendo. Que camisa era aquela branca que os jogadores usaram ao erguer a taça? Tudo bem que é marketing, essas camisas dão dinheiro, etc… Mas o Fluminense tem um uniforme tão bonito e, na hora da festa, colocam uma blusa branca sem graça, com uma mensagem que nem dá para ler direito. E, para piorar, sem a logomarca do principal patrocinador do clube. No mínimo estranho…

A torcida do Flu festejou, mas agora é pensar no Boca Juniors. Acredito que o Tricolor vai se classificar de novo. Tem mais time. O que preocupa são os desfalques de Fred, Wellington Nem e, agora, talvez o Deco. São desfalques de peso. Mas ainda assim o Flu tem todas as condições de dar mais um passo rumo ao sonho de todos os tricolores: conquistar a América. Parabéns, Fluminense!

Pior que a derrota foram as atitudes de Loco Abreu e Elkeson

por Bernardo Gleizer em 10.mai.2012 às 12:42h

Loco Abreu deixa o Engenhão depois da infeliz entrevista (FOTO: Cléber Mendes)

A goleada para o Fluminense e derrota para o Vitória, que culminou com mais uma eliminação na Copa do Brasil, já foram por si só vergonhosas. Mas pior do que o resultado em campo foram as atitudes de Loco Abreu e Elkeson, na derrota por 2 a 1 nesta quarta-feira, no Engenhão.

Elkeson, que vem sendo criticado pela torcida, fez o gol e saiu correndo em direção à chamada “turma do amendoim”, que fica no setor Oeste Inferior. Fez gestos como se a torcida estivesse maluca e soltou: “Eu sou f…, p…!”. Peraí, né? Sempre achei Elkeson bom jogador, mas daí a ter essa atitude não dá.

Loco Abreu, que perdeu pelo menos duas chances claras no jogo, deu uma infeliz entrevista ainda no campo, dizendo que futebol é “apenas um esporte” e que depois iria para casa ver a família, os filhos, etc… A torcida não vai engolir isso. A reação de desdém do jogador que a torcida teria que ver como referência é inadmissível.

Em quatro dias, o Botafogo mergulhou numa crise. O time se abate muito rapidamente. E tem jogadores experientes como Renato, Marcelo Mattos, Loco Abreu, que não deveriam se abater assim. Não aguentam a pressão. Hoje, o Botafogo tem um time bom, mas sem jogadores com poder de decisão. A virada na final de domingo, agora, ficou ainda mais improvável.

Antes de tudo, o Botafogo depende da sua torcida. E se os jogadores começarem a desrespeitá-la, como fez Elkeson e, de uma forma indireta, Loco Abreu, a situação se complica ainda mais. A diretoria precisa agir e chamar a atenção do elenco. E correr atrás de reforços gabaritados e com poder de segurar o rojão.

Em tempo. Há poucos dias, escrevi que Loco Abreu merecia respeito depois da grande atuação que teve contra o Bangu. Ele é um jogador inteligente, que pensa o jogo, apesar de não ter uma grande qualidade técnica. Já foi importante inúmeras vezes. Mas essa declaração pós-jogo contra o Vitória foi totalmente infeliz e qualquer elogio cai por terra.

Vitória merecida do Flu. Derrota doída para os alvinegros

por Bernardo Gleizer em 06.mai.2012 às 19:24h

Confesso que achava que o primeiro jogo da final do Campeonato Carioca caminharia para um empate, um jogo mais morno, mas com uma leve tendência para o Botafogo, que parecia num melhor momento técnico, com uma equipe mais organizada e coesa que a do Fluminense. Mas Thiago Neves e Deco resolveram jogar, e aí prevaleceu a qualidade técnica dos homens de frente do Tricolor.

Antes mesmo da expulsão de Lucas, muito justa por sinal, o Fluminense já era melhor em campo. O Botafogo, a grosso modo, só jogou bem nos dez primeiros minutos. Depois do gol de Renato, o Alvinegro recuou e começou a ser engolido pelo Tricolor. O Botafogo teria mais chances se povoasse o meio-de-campo e marcasse na frente. Mas não o fez, deixou o Fluminense vir e levou o gol.

Depois da expulsão de Lucas, o quadro para o Botafogo piorou e o talento dos homens de frente do Flu sobressaiu. Deco e Thiago Neves tabelaram como quiseram e ainda contaram com uma noite inspirada de Rafael Sobis. O Botafogo se desorganizou e poderia ter perdido até por uma diferença maior. Pelo nervosismo e falta de experiência, jogou por terra a invencibilidade de 23 jogos.

A goleada do Fluminense foi justa e o torcedor tricolor vai saborear essa vitória até quinta-feira, quando terá o Inter pela frente na Libertadores. Do outro lado, o torcedor alvinegro vai ficar remoendo essa doída derrota até quarta-feira, quando enfrenta o Vitória pela Copa do Brasil. A rivalidade entre as duas torcidas é muito grande e futebol é isso mesmo. Parabéns ao Fluminense! E ao Botafogo, que levante a cabeça.

Ronaldinho x Felipe: a personificação do clássico

por Bernardo Gleizer em 23.abr.2012 às 17:16h

Quem acompanhou os jogos recentes de Vasco e Flamengo nesta temporada não ficou surpreso com o resultado do clássico do último domingo no Engenhão, pelas semifinais da Taça Rio. O Vasco era mais organizado e, apesar de alguns buracos em seu sistema defensivo, criou mais que o Flamengo, perdido no jogo e sem um padrão tático. O resultado foi a vitória do Vasco por 3 a 2, que obrigará o Flamengo a ficar 28 dias sem jogar.

Ronaldinho reclama da arbitragem, Felipe comemora: retrato do clássico (FOTOS: Cléber Mendes)

Ronaldinho e Felipe foram a personificação dos dois times no clássico. Enquanto Ronaldinho continua mais preocupado em dar toques de calcanhar e a reclamar de faltas, Felipe ditou o ritmo e foi decisivo. O vascaíno fez dois gols – o primeiro deles um golaço – e teve participação decisiva no primeiro, de Eder Luis. Ambos são experientes e vencedores, mas dá para perceber o quanto Felipe é mais importante para seu time do que Ronaldinho, mesmo não jogando todas as partidas.

Pelos números do Footstats dá para ver a diferença. Felipe deu 26 passes certos, errou apenas um e só perdeu quatro bolas. Já Ronaldinho acertou 22 passes, errou quatro e perdeu oito bolas – o dobro do maestro vascaíno. Para deixar a torcida vascaína ainda mais feliz, foi inteligente na hora de responder as provocações dos rubro-negros. Marcou mais um gol nessa hora. Falta isso ao futebol de hoje em dia.

O Vasco tem um time muito mais encorpado. Tem em seu elenco opções que permitem ao técnico Cristovão variar como quiser a forma de sua equipe jogar. Do meio para frente, tem Rômulo, Allan, Felipe, Juninho, Fellipe Bastos, Diego Souza, Carlos Alberto, Eder Luis, William Barbio, Alecsandro… E todos comprometidos com o espírito do Vasco. Esse time do Vasco não é de encher os olhos, mas é daqueles que o torcedor olha e pensa: “Com ele eu vou até o fim”.

Tem que respeitar o Loco Abreu

por Bernardo Gleizer em 21.abr.2012 às 21:19h

Loco Abreu fez três e ainda perdeu um pênalti na vitória sobre o Bangu (FOTO: Cléber Mendes)

Estava para escrever sobre o Loco Abreu até antes do jogo contra o Guarani, pela Copa do Brasil, quando ele ficou no banco de reservas durante os 90 minutos. Agora que ele fez três gols na vitória do Botafogo sobre o Bangu e colocou o Glorioso na final da Taça Rio, não tinha como postergar. É preciso respeitar o uruguaio.

Loco Abreu é diferente. É culto, sabe falar bem, deixa os jornalistas sem palavras depois de algumas respostas. Tem uma outra cabeça, bem distinta das dos boleiros brasileiros. Sabe da sua responsabilidade, sabe se comunicar, dosar sua força. É inteligente. E jogador inteligente está cada vez mais raro no futebol.

Não achei justas as críticas ao Loco Abreu de parte da torcida do Botafogo. Já tinha alvinegro nas redes sociais pedindo que ele fosse embora. Como assim? E quem vai ser o líder do time? Quem vai empurrar a bola para dentro? Herrera, que apesar de ter muita vontade tropeça nas próprias pernas? Não tem como imaginar o Botafogo hoje sem Loco Abreu.

O camisa 13 foi o reponsável por um dos momentos mais marcantes da história recente do clube, aquela cavadinha contra o Flamengo na final da Taça Rio de 2010. Teve outras grandes partidas e foi decisivo em diversas oportunidades, como naquele golaço contra o Santos no Pacaembu. Foi o artilheiro do time no Brasileiro do ano passado, com 13 gols. Tá bom?

Diante do Bangu, Loco Abreu voltou a ser o atacante que a torcida espera. Inteligente, fez boas jogadas e concluiu com precisão as três grandes chances que teve. Agora, não pode é mais bater pênaltis. Oswaldo precisa intervir nisso. E não tem nenhuma crise nisso, é apenas uma deficiência momentânea do jogador. Mais para frente, ele pode voltar a bater.

SEMPRE SOFRIDO…

Quem conhece o Botafogo sabe que são raras as vezes em que o time vence uma partida de forma tranquila. Contra o Bangu, o Glorioso quase pôs tudo a perder com falhas imperdoáveis de Lucas e Jefferson. De qualquer forma, considero o Botafogo um time bom, com boas opções na frente, e a volta de Maicosuel vai ajudar muito, uma vez que Andrezinho ainda não se encaixou no time. Se a torcida acreditar, pode conquistar coisas boas esse ano.

Se o Fluminense levar a sério…

por Bernardo Gleizer em 12.abr.2012 às 12:57h

Wellington Nem foi a melhor peça ofensiva do Flu contra o Boca (FOTO: Paulo Sérgio)

A torcida do Fluminense teve razão ao reclamar e vaiar o time depois da derrota por 2 a 0 para o Boca Juniors, no Engenhão. A cobrança é porque ela sabe que o time pode render mais do que está rendendo no ano. E contra o Boca, no Rio, foi muito toquinho de letra, passe de peito, lançamento direto… E Libertadores não se ganha assim.

Antes de tudo, é sempre preciso respeitar o adversário. Ainda mais um clube como o Boca Juniors, que mesmo não tendo um grande time conseguiu uma boa vitória e teve grande atuação. O Fluminense, por sua vez, até teve boas chances, com Fred e Thiago Neves, em assistências de Wellington Nem e Deco. Mas está claro que é possível melhorar muito e minimizar essas falhas no sistema defensivo.

Se parar para pensar, o Fluminense só fez duas grandes partidas este ano: na final da Taça Guanabara, contra o Vasco, e na vitória sobre o Boca no La Bombonera. Nos outros jogos, até ganhou, mas mostrou lentidão e uma certa preguiça. Contra o Boca, no Rio, foi mais ou menos assim: o time não se encaixou, pareceu sem motivação. Mas é um resultado que pode não fazer diferença.

Com os resultados da quarta, o Fluminense enfrentaria o Bolívar, da Bolívia, nas oitavas de final, teoricamente o mais fraco dos classificados à fase de mata-mata. Não há motivo para pânico. Mas as vaias servem como alerta. O Fluminense de Abel Braga precisa ser mais incisivo, mostrar para o adversário que pode chegar longe, avisá-lo: “Olha, temos um time forte, cascudo, e queremos ganhar essa Copa”. Faltou isso contra o Boca.

O que é Ronaldinho Gaúcho hoje?

por Bernardo Gleizer em 29.mar.2012 às 19:04h

Ronaldinho reclama de falta no jogo contra o Olimpia: rotina (FOTO: Andrés Cristaldo/EFE)

Alguém pode explicar o que faz Ronaldinho Gaúcho hoje no Flamengo? Para mim, ele só engana parte da torcida rubro-negra. É, parte dela, pois conheço muitos torcedores do Flamengo que já não aguentam mais o R10.

Tudo bem, ele é um jogador querido, um craque, já foi o melhor do mundo e tem carisma. Falou que “É Mengão!” e eu acredito. Mas o que ele faz em campo não justifica nem 10% do salário milionário que ele recebe. Qualquer um, mesmo não sendo torcedor do Flamengo, se irrita com ele em campo.

Ronaldinho se esconde do jogo. Quando pega a bola, quer virar o jogo e na maioria das vezes dá de presente para o rival. Ou então tenta dar um drible, perde a bola, cai no chão e reclama com a arbitragem. Hoje não é nem sombra do que já foi e, com isso, o Flamengo vai sofrendo para conquistar bons resultados.

No jogo contra o Olimpía, em Assunção, Ronaldinho foi peça nula. Até deu o passe para o gol de Vagner Love, mas sua produção no jogo foi pífia. Ele não tem espírito de Libertadores. Não marca, só reclama, tenta fazer uma graça… E a Libertadores não é competição para ficar fazendo graça.

Se tem hoje um jogador no Flamengo que representa o espírito rubro-negro e se encaixa no estilo que a Libertadores pede é o Love. Ele raramente perde uma chance na cara do gol. Fica batalhando sozinho contra os zagueiros, até porque Joel insiste em deixá-lo sozinho lá na frente. E vira e mexe faz um gol. Está em grande fase e já anda merecendo uma chance com Mano Menezes, até pela carência de centroavantes hoje no Brasil.

Uma solução para isso tudo? Joel deixar de birra e escalar Deivid na frente, para ajudar Vagner Love. Com Deivid, a marcação adversária tem outro jogador a marcar e Love pode ganhar mais espaço. E o Ronaldinho, que não pode mais ficar correndo nem jogando de costas, seria o cara para distribuir o jogo, de frente para o gol, com a opção de passar para Deivid ou Love e fazer tabelas.

E aí, Papai Joel? Não é a hora de mudar?

Placar justo no Fla-Flu dos mistões

por Bernardo Gleizer em 11.mar.2012 às 20:41h

Pouco mais de 10 mil pessoas pagaram ingresso (FOTO: Gilvan de Souza)

Foi uma vitória justa e merecida do Flamengo, no esvaziado clássico Fla-Flu dos mistões. Esse jogo não significa muita coisa, até porque a prioridade das duas equipes é a Copa Santander Libertadores. Mas é Fla-Flu, no ano em que o clássico completa 100 anos. E o Flamengo precisava da vitória para seguir com chances de classificação, até porque o Grupo A, ao que parece, está mais complicado.

Visto com uma certa desconfiança pela torcida rubro-negra, o goleiro Paulo Victor foi muito bem. Mostrou segurança de um veterano na posição. Outra figura de destaque foi o volante Kleberson, que fez o segundo gol. Longe de ter feito uma partida brilhante, mas o pentacampeão mostrou que pode ser útil e voltar a ser opção em meio a tantos desfalques naquele setor. A garotada do Flamengo esteve bem ao suportar mais de 60 minutos com um homem a menos.

Vale aqui dar os parabéns ao árbitro Eduardo Cordeiro Guimarães, que teve a coragem de expulsar Ronaldinho Gaúcho. Não foi a primeira vez que R10 foi desleal e mereceu receber o vermelho. Em outros jogos, os árbitros pipocaram. Agora, o juizão agiu certo. Mas o árbitro deveria ter expulsado também Thiago Carleto, que fez o pênalti que Ronaldinho converteu – ele já tinha cartão amarelo e deveria receber o segundo.

O Fluminense também atuou com um time modificado, desentrosado, sem os astros da frente, mas não foi bem. Não conseguiu se encontrar no jogo, nem construir boas jogadas ofensivas. Souza teve alguns lampejos. Wagner segue sumido e é uma das maiores decepções em termos de contratações este ano no futebol carioca. Rafael Moura e Rafael Sobis não jogaram nada. E o Flu atuou a maior parte do jogo com um a mais em campo. O Tricolor já está garantido na final, mas faltou um pouco mais de empenho.

Não duvidem do Fluminense

por Bernardo Gleizer em 08.mar.2012 às 8:52h

É para comemorar mesmo! O Fluminense conquistou uma vitória maiúscula na Bombonera, diante de 50 mil torcedores. Está com seis pontos em seis possíveis e deixou a classificação bem encaminhada. Jogou com muita raça, apesar de em vários momentos do jogo não segurar a bola no meio como deveria. Jogou com autoridade, demonstrando que não vai temer ninguém nesta Libertadores.

Torcida do Fluminense lotou seu espaço na Bombonera (FOTO: Ricardo Ayres/Photocamera)

Diguinho foi um monstro. Diego Cavalieri fez grandes defesas, principalmente no segundo tempo, e parece ter voltado à velha forma. Digão foi outro que foi muito bem. Fred, Thiago Neves e Deco são daqueles que podem fazer a diferença a qualquer momento. Wellington Nem é uma grata surpresa – sim, porque sabemos que ele é muito veloz e habilidoso, mas mostra uma experiência que não condiz com a idade que tem.

O Boca assusta? Só se for pela Bombonera, um estádio realmente espetacular. Esse time deve ser um dos piores do Boca de todos os tempos. Só tem o Riquelme e o Mouche, o resto jogaria num Ipatinga ou Barueri da vida. O que não tira o mérito do Fluminense, claro.

O Tricolor tem que continuar sua caminhada sem dar sopa para o azar. E vai seguir assim, pois tem jogadores e técnico acostumados com a Libertadores. Não é só porque ganharam do Boca que vão se acomodar, e eu tenho certeza disso.

Parabéns também à torcida tricolor, que lotou seu espaço na Bombonera e viu uma vitória incrível. Hoje o Fluminense só pode temer o Santos, por causa da genialidade de Neymar. Não vejo outro time brasileiro ou sul-americano capaz de bater o Flu quando joga seu máximo.

Não duvidem do Fluminense.

É com esse time, Flamengo?

por Bernardo Gleizer em 05.mar.2012 às 16:06h

Joel orienta o time em treino em Macaé : técnico precisa se mexer (FOTO: Cléber Mendes)

Tudo bem que o time estava desfalcado contra o Duque de Caxias. Mas já não é dessa partida que o Flamengo está jogando mal. E o que é pior: vendo seus jogadores perdendo a cabeça. Isso no Campeonato Carioca! Sendo que a prioridade e a menina dos olhos da torcida rubro-negra esse ano é a Copa Santander Libertadores, como não poderia deixar de ser.

A torcida rubro-negra está pensando: é esse o time que vai disputar a Libertadores? É assim que Joel vai seguir escalando o time, com 800 volantes em campo? E a zaga? E o problema na criação das jogadas? E o descontrole emocional? Há muita coisa a ser acertada.

A diretoria acabou, com a contratação do Vagner Love, resolvendo um problemão para Joel. Agora, o Flamengo tem na frente um artilheiro, um jogador fora de série para os padrões atuais, que ajuda Deivid. É sabido que o atacante que é tão criticado pela torcida não é centroavante. Com Love ao lado, tende a render mais.

Aí vai restar o problema da zaga – vamos ver como esse chileno González vai se comportar – e o meio-de-campo, que Joel tem como resolver. Ronaldinho não pode jogar de costas para o gol, tem de vir de trás pensando a jogada. Não dá mais para ele ficar carregando muito a bola, correr muito. Tem que pensar, tocar e lançar.

Também não sei se Renato precisa continuar no time. Todos sabem da importância dele para o grupo, sua liderança, mas sua função hoje naquele setor não existe. Ele só aparece de vez em quando, quando acerta uma bomba de fora da área. Joel precisaria de um terceiro-homem de meio-de-campo – seria o Bottinelli, que até hoje não apresentou uma consistência. E na cabeça-de-área, Luiz Antônio e Willians.

Não adianta vir com esse discurso de Papai Joel. O treinador do Flamengo precisa é apresentar soluções dentro de campo. Na época do Botafogo, ele até obteve um certo sucesso porque a zaga era boa e ainda contava com seu talismã Caio, que vira e mexe entrava e fazia um golzinho. Mas seu esquema logo ficou manjado pelos adversários. Agora, não pode cair no mesmo erro.

O grupo do Flamengo na Libertadores não é dos mais difíceis e acredito que a classificação virá sem dificuldade. O problema será depois que chegar na fase eliminatória, onde o bicho pega. Hoje o Flamengo não tem time para ir muito longe e, se continuar assim, acredito que só conseguirá uma campanha de destaque se a torcida abraçar de vez o time. Porque, hoje, só ela faz a diferença a favor do Flamengo.

É hora de colocar sua prancheta para funcionar, Joel.

ATUALIZANDO: Agora à noite surgiu a notícia de que uma alteração nos batimentos cardíacos provocou o afastamento de Renato por tempo indeterminado dos treinos. Toda vez que falamos de coração é sempre bom adotar a precaução. Agora, serão feitos novos exames. Tomara que não seja nada grave, mas virou mais uma dor-de-cabeça para Joel, porque são muitos desfalques.