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Posts com a Tag ‘torcida’

Processo contra Amarilla?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Alguns torcedores do Corinthians chegaram a cogitar processar o árbitro Carlos Amarilla e os bandeirinhas do jogo contra o Boca, exigindo danos morais e/ou materiais pelos erros na partida de quarta, que tirou o time da Libertadores.

Acho que eventual processo _ou processos_ não faz sentido nenhum. Erros acontecem _e o Corinthians não foi o primeiro nem será o último clube a ser prejudicado_ e o que cabe, a meu ver, é uma punição _geladeira, no caso_ ao trio por parte da Conmebol.

Recentemente um torcedor do Galo entrou na Justiça querendo indenização por um erro de arbitragem em partida contra o Botafogo, disputada em 2007, prejudicando os mineiros.  Felizmente não ganhou a ação. Se a moda pega…

Entendo as reclamações dos dirigentes corintianos, que têm todo o direito de pedir à Conmebol punição à arbitragem, mas se acham que houve má-fé eles têm que provar a acusação.

Os jogadores, em geral, foram mais equilibrados em suas declarações. Reclamaram, claro, mas também reconheceram algumas falhas do time, elogiaram a atuação do Boca e não ficaram apenas chorando as pitangas. Domingo, afinal, têm decisão do Paulista, jogo difícil na Vila. E a vida segue. Com ou sem Libertadores, ela segue.

A atuação do Boca

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Corinthians pode reclamar muito da arbitragem, mas foi digna de nota a atuação do Boca no Pacaembu.

Os argentinos foram muito bem no primeiro tempo, marcaram um golaço com Riquelme, levaram um sufoco danado no início da fase final e depois conseguiram administrar o resultado, criando inclusive chances em contra-ataques.

De parabéns o técnico Carlos Bianchi, especialista em Libertadores. Mas de parabéns também o Corinthians, que perdeu a vaga mas não se entregou em campo, assim como sua torcida, aplaudindo de pé o time após a partida. 

Resta saber, agora, como o clube vai assimilar a eliminação, fazendo companhia a São Paulo e Palmeiras. Domingo, afinal, tem a decisão do Paulista, quando entra em vantagem contra o Santos.

Cá entre nós, acho que irá assimilar bem o resultado, inclusive pelos recentes triunfos do time. Mas se chegar ao topo não é fácil, manter-se tampouco é.

O bode expiatório

domingo, 28 de abril de 2013

Faz muito bem Muricy Ramalho em sair em defesa de Neymar, uma das joias do futebol brasileiro e que virou bode expiatório pelas más atuações da seleção brasileira.

A seleção não é nem deve ser Neymar mais dez. E se ela não vai bem _aliás vai muito mal de 2010 pra cá_, a responsabilidade não pode ser atribuída só ao atacante santista, que tem sido insistentemente vaiado quando atua pela amarelinha.

Quarta, em Belo Horizonte, o time todo foi mal, engolido pelo Chile, que poderia ter saído do Mineirão com a vitória e colocou na roda o time brasileiro.

Mas as vaias e os xingamentos foram direcionados a Neymar, como se fosse o grande responsável pela péssima fase da seleção. Que não joga pelo Brasil o mesmo que apresenta com a camisa do Santos todo mundo pode constatar. Daí a transformá-lo em vilão não faz sentido nenhum. O buraco _do nosso futebol_ é muito mais embaixo e certamente não responde pelo nome de Neymar.

Aproveitando a ocasião e já mudando de tema, parabéns ao Audax, que conseguiu acesso dramático para a elite do futebol paulista. Venceu o Red Bull, no estádio do Nacional, e contou com tropeço do Guaratinguetá para assegurar a vaga na A-1 de 2014. Conseguiu quase que um milagre nas últimas três rodadas. Três vitórias e uma combinação de resultados que lhe garantiram a vaga. Sobem também Portuguesa e Rio Claro, que fazem a final da A-2, e Comercial.

O Palmeiras e a CBF

quinta-feira, 21 de março de 2013

A nova diretoria do Palmeiras procura se aproximar da CBF para evitar o que considera erros da gestão passada. Entre eles, um afastamento da confederação, algo que pode ter resultado, segundo avaliação interna, em prejuízo para o clube nos bastidores. Vale lembrar que o Verdão foi punido _e merecidamente, acho eu_ com perda de mandos de campo no Brasileirão do ano passado por conta do comportamento de sua torcida. E reclamou muito da arbitragem em boa parte de seus jogos.

O elo com a CBF tem sido costurado por Jesse Ribeiro, há mais de duas décadas um dos principais aliados de Paulo Maluf e secretário-geral do PP paulista. Vice-presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, foi Jesse Ribeiro quem procurou José Maria Marin, que tinha relações umbilicais com Maluf no final dos anos 70, início dos 80. Tanto que o atual presidente da CBF, que é político filiado ao PTB, foi vice-governador biônico de São Paulo nos tempos da ditadura justamente quando o titular era Paulo Maluf.

Graças a Jesse Ribeiro, Marin convidou Paulo Nobre, o presidente palmeirense, para chefiar a delegação brasileira na Suíça, onde a seleção faz amistoso contra a Itália. Também graças a Ribeiro e Marin Jesse Ribeiro e Paulo Nobre estão com as portas abertas na Federação Paulista de Futebol, recebendo apoio de Marco Polo Del Nero, presidente da entidade e vice mais velho da CBF, na decisão de cortar regalias da Mancha Verde. Marin, por sua vez, não quis se envolver diretamente na questão porque prefere se poupar, não se desgastando com as organizadas. Político das antigas, ele é tido como um “bom fazedor de média”. Mas não é disso que a CBF precisa. Muito menos de um presidente sem ideias e com a trajetória atrelada à ditadura militar. Ainda mais em tempos de Copa no Brasil.

Nobre e a Mancha

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não consigo entender como Paulo Nobre seguiu dando regalias à Mancha Alviverde depois de tudo o que aconteceu com a diretoria anterior, que chegou a ser ameaçada por integrantes da uniformizada e viu a lanchonete do então vice-presidente Roberto Frizzo, o tradicional Frevinho, invadida por torcedores no ano passado. Jogadores palmeirenses tiveram que contratar seguranças para evitar que fossem agredidos na rua e mesmo assim a organizada seguiu recebendo ingressos de graça, por exemplo, para jogos no exterior.

Um deles foi o de quarta, contra o Tigre, em Buenos Aires. O resultado foi a pancadaria no aeroporto, cujo alvo principal era o chileno Valdívia e que acabou atingindo o goleiro Fernando Prass, logo atendido pelo médico do clube. Acabou com três pontos na cabeça.

Em 2008 o técnico Vanderlei Luxemburgo também fora alvo da torcida, assim como o atacante Vagner Love, o primeiro no aeroporto, o segundo, em uma agência bancária. E os privilégios à uniformizada continuaram.

Menos mal que agora o novo presidente do Palmeiras, embora já esteja administrando o clube há mais de um mês e meio, tenha dito que vai cortar as regalias da torcida. E deveria ir fundo na questão. Não deixar que ela use o escudo do clube para lucrar fabricando e vendendo camisas, bandeiras e outros artigos mais.

Não bastasse o episódio envolvendo a Gaviões da Fiel e a Pavilhão Nove na Bolívia, agora vem a Mancha na Argentina? Já passou na hora de rediscutirem as relações dos clubes com suas organizadas. Que elas sintam no bolso. E que os dirigentes deixem de ser reféns de torcedores que não representam a instituição, seja ela Palmeiras, Corinthians ou São Paulo. Os verdadeiros torcedores são outros. Uma maioria talvez silenciosa que tem de começar a falar.

O mundo de Caras

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A diretoria do Corinthians acertou, a meu ver, ao tentar demover os quatro torcedores que, com liminar, viram o jogo de ontem no Pacaembu. Como disse o advogado Luiz Felipe Santoro, que representa o clube, não acredito que a entrada dos quatro atrapalhe a situação do time na Conmebol, mas, pelo sim, pelo não, eles poderiam ter ficado de fora.

Até entendo que se tratava de uma decisão judicial e eles tinham o direito de ver o jogo para o qual compraram ingressos há mais de um mês. Também entendo que o fato de terem entrado pode fazer outros torcedores procurarem o mesmo caminho, causando uma confusão maior para a próxima partida da Libertadores em casa, 13 de março, contra o Tijuana. Mas não acho que isso irá pesar na decisão da Conmebol, que ainda terá de julgar a punição do Corinthians após a tragédia na Bolívia. E espero que faça isso o mais rapidamente possível, em caráter de urgência, como legitimamente pede o time paulista.

Sobre os quatro torcedores que entraram, com todo o respeito a eles, talvez tenha pesado na decisão os 15 minutos de fama que ganharam, algo que também seria legítimo. Apareceram na TV, tiveram os nomes publicados em jornal, citados em emissoras de rádio, oportunidade de dar entrevistas… Tem gente que gosta de ser notícia e de repente até pode ser o caso dos quatro, que, bem ou mal, tiveram seu dia de celebridades. Talvez o próximo passo seja aparecer em “Caras”. A vaidade, a vaidade… Não é só o dinheiro que move a humanidade.

Corinthians padroniza discurso

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A diretoria corintiana pediu a jogadores e comissão técnica que tenham cuidado ao abordar a morte do garoto Kevin Douglas Espada, 14, atingido por um sinalizador que teria sido lançado pela torcida do time. O objetivo é martelar a tese de que foi uma fatalidade e que o Corinthians não tem responsabilidade por quem atirou o artefato, não podendo ser punido pela ação de uns poucos torcedores _pelo menos outros dois foram encontrados com sinalizadores navais, que podem matar em estádios de futebol.

Ontem o zagueiro Paulo André foi quem fez o discurso que deve ser adotado daqui para a frente, dizendo que “não há nada que pague uma vida” e que “uma punição, sem que se preocupe em oferecer segurança, pouco vai mudar”. O gerente de futebol Edu Gaspar, que chegou a chorar em Oruro e teria pedido desculpas pelo ocorrido, bate na tecla da “fatalidade”, dizendo que conselheiros corintianos também poderiam ter sido atingidos pelo disparo.

A maior preocupação foi com a declaração de Tite, na coletiva depois do jogo, considerada pela cúpula corintiana inadequada, já que pode dar a entender que o clube teve culpa, sim, pelo episódio. O técnico afirmou que só tinha que pedir que o desculpassem e que trocaria o título mundial pela vida do menino.

A diretoria jurídica do Corinthians não considera o clube responsável pelo ocorrido e acha que se alguém tem que se desculpar é a segurança do San José, que foi falha e deixou torcedores entrarem com artefatos que podem matar. Ela recorreu da punição de o time jogar com portões fechados em casa e não ter direito à cota de ingressos em jogos no exterior, insiste que foi um caso isolado e que o torcedor que atirou o sinalizador e matou deve ser preso. A instituição Corinthians não teria relação com ele nem com o episódio em si, não cabendo, neste sentido, pedido de desculpas seja de Tite, seja de Edu Gaspar.

O lateral esquerdo Fábio Santos também deve amenizar o discurso depois de ter dito ser totalmente favorável à expulsão do clube da Libertadores se a medida for necessária para acabar com as mortes no torneio. Pelo regulamento havia várias sanções possíveis, sendo a menor delas multa de 200 reais, a maior, a expulsão da competição.

Apesar de não se considerar responsável pelo acidente, o time, em sinal de respeito pela família do garoto e devido à tragédia que aconteceu na Bolívia, vai entrar de luto amanhã contra o Bragantino e quarta, diante do Millonarios, no Pacaembu.

Financiamento das organizadas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Depois do caso Oruro, onde um adolescente morreu atingido, segundo a polícia local, por um sinalizador naval atirado por um torcedor corintiano, uma das principais questões a esclarecer é quem bancou o sujeito na Bolívia. E muito mais do que isso: a relação entre clubes, jogadores e organizadas. Quem as sustenta? Como elas vivem? Quais suas fontes de financiamento? E a relação com clubes e diretores? E com jogadores e comissão técnica?

Fico me perguntando como um trabalhador consegue ir para a Bolívia acompanhar o time no primeiro jogo da Libertadores e depois seguir vivendo em função do Corinthians, viajando aqui e acolá, fazendo disso profissão? No mínimo precisa de recursos para se manter e manter os custos, que não são poucos, de viagens, hospedagem, ingressos…

Sou contra a extinção das organizadas, ato unilateral tentado, sem sucesso, nos anos 90 e feito por quem queria espaço na mídia. Medida populista, enfim. E autoritária. Mas a polícia e o Ministério Público deveriam investigar as entranhas de torcidas profissionais que contam com integrantes que causam problemas, marcam brigas por redes sociais, depredam patrimônio público, ferem e matam.

Punido pela Conmebol, tomamos ciência de que o Corinthians jogará sem torcida na Libertadores. Em casa terá portões fechados, fora, nada de cota de ingressos. O clube, que já havia vendido quase 85 mil entradas para seus jogos na primeira fase, terá que devolver o dinheiro para cada torcedor. Mas deveria refletir sobre eventuais privilégios que tenham os uniformizados. Porque uma coisa é sócio-torcedor, um programa que, no caso corintiano, tem dado certo, outra é a relação com as organizadas.

Punição ao Corinthians à parte, há muitos outros pontos a esclarecer, pontos que não se limitam às organizadas. O policiamento no estádio não falhou? O San Jose, como mandante, ofereceu condições de segurança para seus torcedores e os adversários? Porque a responsabilidade não é só do Corinthians.

No ano passado sinalizadores eram usados à vontade e a Conmebol não dizia nada. Uma tragédia já poderia ter acontecido e a punição ao Corinthians não resolve o problema. Insisto que o mundo do futebol tem de ir mais a fundo. Investigando, vale repetir, a relação entre clubes e os chamados torcedores profissionais, que se consideram donos dos times, quando não são. Ou não deveriam ser.

Sinalizadores corintianos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não é de hoje que torcedores corintianos _e não só corintianos_ levam sinalizadores a estádios de futebol, basta nos lembrarmos da final da Libertadores do ano passado, tanto em Buenos Aires, quanto no Pacaembu.

A morte do torcedor boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, que segundo a polícia boliviana teria sido atingido por um sinalizador atirado pela torcida corintiana ontem em Oruro, perdendo massa encefálica e chegando já sem vida ao hospital, não pode passar em vão. Precisamos de muita calma nessa hora, inclusive os bolivianos, que, indignados com o ocorrido, têm chamado os brasileiros de “assassinos” em Oruro, criando um clima de extrema hostilidade.

Tudo tem de ser apurado e cabe uma punição rigorosa. Exemplar. Se o Santos perdeu mando de campo pelas moedas atiradas em Ganso, no clássico com o São Paulo, e perdeu com toda razão, o acontecido na Bolívia é muito, muito mais grave. Envolve o Corinthians, a Gaviões da Fiel, com integrantes detidos na Bolívia, e o policiamento local, que deixou torcedores entrarem com artefatos que podem matar. E um deles, pelo que vimos, matou.

Nesse sentido acho lamentáveis as declarações do diretor adjunto de futebol, Duilio Monteiro Alves, de acordo com o qual o Corinthians não teme punição da Conmebol e que o episódio foi uma “fatalidade”. Também acho lamentável a nota oficial divulgada pelo presidente corintiano, Mário Gobbi, dizendo que o time jogará de luto nos dois próximos jogos, um deles pela Libertadores, sinalizando que ele não tem receio de ser afastado da competição sul-americana.

É preciso aguardar as investigações para depois se tomarem providências. O que não pode é ficar o velho jogo do empurra, pois há tragédias que são anunciadas, como a da avalanche gremista e, por que não?, a dos sinalizadores.

Duvido que houvesse intenção de matar, mas um garoto de 14 anos perdeu a vida. Talvez, não sei, se o clube receber punição exemplar, o torcedor, que é apaixonado por ele, sinta na carne. Não a dor da família do garoto, que deve ser indescritível, mas pelo menos a de ver seu time fora de uma competição importante, por exemplo.

Só que a discussão aqui não pode ser clubística, tem que ser mais ampla, muito mais ampla, porque muitos dos que não gostam do Corinthians vão querer aproveitar o momento para exigir isso e aquilo. Assassinatos têm acontecido por brigas de torcidas em São Paulo, no Rio, em Minas, em Goiás e isso não é de hoje. Uma mancha para o futebol brasileiro, que não deve “apenas” ficar de luto. Tem que se mexer para que o que aconteceu em Oruro não venha a se repetir. Aqui ou na Bolívia. Ou no Uruguai, na Argentina etc. etc. etc., já que conflitos entre torcedores, alguns dos quais assassinos, sim, não são uma exclusividade do nosso futebol.

Como Neymar incomoda…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

É interessante observar a reação das pessoas diante de Neymar. Ou melhor, a relação das pessoas em relação ao futebol e ao estilo do santista. Como aconteceu com Zico, muitos o consideram jogador de clube, alegando que ele nada joga na seleção e que só faz graça contra times pequenos, caso do Ituano e de boa parte das partidas do Paulistão. Outros o consideram um craque, algo inaceitável para alguns. Sem falar na discussão sobre simulação de faltas, postura diante de defesas mais fracas ou defesas mais sólidas, como foram as do Vélez e do Corinthians na Libertadores do ano passado.

Não vou entrar no mérito das questões levantadas, apenas acho que a reação contrária a Neymar mostra muito do comportamento de alguns brasileiros. Que se incomodam de ver o carismático jogador na mídia, protagonizando uma propaganda atrás da outra, repleto de fãs mirins, lucrando _e muito_ numa atividade que pratica com prazer. Isso irrita muita gente, quando quem deveria irritar, isso sim, era a cúpula que comanda a CBF e o esporte brasileiro, os deputados e senadores que elegeram para presidir Câmara e Senado, respectivamente, o que há de pior na política brasileira, mas não. A ira de alguns torcedores volta-se contra Neymar. Como se ele fosse o responsável _quando não é_ por todas as mazelas que afetam a sociedade brasileira. Menos, por favor, menos. Deixemos o santista um pouco em paz. Ele não joga sozinho, não faz milagres e não tem culpa por ganhar dinheiro. Pelo que me consta, honestamente.