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Posts com a Tag ‘obras’

Beira-Rio e Natal preocupam

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dos 12 estádios em construção ou reforma para a Copa os dois que agora mais inquietam a Fifa são o Beira-Rio, em Porto Alegre, e o das Dunas, em Natal.

A entidade que dirige o futebol mundial já trabalha com a hipótese de que o primeiro, que deveria ficar pronto em dezembro e está com as obras paradas, só seja entregue no primeiro semestre do ano que vem. Mais de 60% do estádio ainda tem de ser remodelado a um custo de quase 250 milhões de reais.

Já a Arena das Dunas, cuja previsão de entrega é dezembro de 2013, está atrasado, na fase de terraplenagem e colocação das primeiras estacas das fundações. Terá capacidade para 43,8 mil torcedores, sendo a do Beira-Rio de 55,6 mil.

Além de Porto Alegre e Natal, Curitiba, com a Arena da Baixada, também preocupa. Segundo o portal da Copa é o estádio mais atrasado até aqui, mas a Fifa tem mantido contatos com a direção do Atlético-PR e considera que metade da estrutura necessária está ok.

Os estádios que mais elogios recebem até aqui, seja pelo projeto, seja pelo caminhar das obras, são os de Brasília, Minas, Salvador e Fortaleza. Os quatro têm prazo de conclusão até dezembro.

A Arena Pantanal, em Cuiabá, e o do Corinthians, em Itaquera, também têm sido elogiados pela cúpula da Fifa, embora o segundo só deva ser concluído em dezembro do ano que vem. Mas as obras estão em ritmo acelerado…

Mesmo com o propalado sucesso da privatização de três dos principais aeroportos do país, entre eles o de Guarulhos, o setor aeroportuário e a questão da mobilidade urbana são as duas maiores preocupações da Fifa, seguidas pelo setor hoteleiro.

E a Fifa já sabia…

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Desde outubro do ano passado a Fifa já sabia que não teria mais como interlocutores para assuntos de Copa Orlando Silva, que ocupava a pasta de Esporte, e Mário Negromonte, que comandava o Ministério das Cidades.

Conforme publicado na ocasião por este próprio blog, Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, havia sido informado de que o ministro do Esporte não seria o único ligado à Copa a sair. E que assuntos ligados à mobilidade urbana teriam outro interlocutor que não Negromonte a partir de 2012.

Deu no que deu. Negromonte caiu atolado por denúncias de corrupção, denúncias que têm ligação com a organização da própria Copa, caso de fraude para encarecer projeto em Cuiabá.

Pena que o novo ministro também seja do PP, que se tornou dono do ministério. Como o PCdoB loteou o Esporte, o PDT, o Trabalho, e assim por diante. Seis por meia dúzia, seis por meia dúzia, mas isso é assunto para outro post. Ou até já foi, então deixa pra lá. Protestar também cansa.

As Correções

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Acabo de ler “Freedom” (“Liberdade”), de Jonathan Franzen, autor que adora tratar das difíceis relações pessoais e familiares no mundo contemporâneo.

Na obra lá está Pathy, competitiva jogadora de basquete durante os tempos de estudante, e sua relação com o ambientalista Walter e Richard, seu amigo músico.

Mais uma vez, no caso de Pathy, o esporte como pano de fundo. Para tratar de determinação, competição, inveja, foco, rivalidade e ajudar a moldar, para o bem ou para o mal, a personalidade do indivíduo. E, também como pano de fundo, o que fazemos de nossa juventude, sonhos, o enfrentamento da vida real…

Mais do que de “Liberdade”, gostei de “The Corrections” (“As Correções”), livro do mesmo autor publicado há mais de uma década e que tive a oportunidade de ler no ano passado.

Recomendei para alguns amigos que não gostaram. Acharam pesado. Talvez seja. Mas trata como poucos das mazelas da alma humana e das relações familiares. Bonito e profundo ao mesmo tempo. Sigo recomendando. E preferindo escrever sobre isso a escrever sobre Aldo Rebelo e à visita ao estádio do Corinthians, com Netinho de Paula lá no fundo fazendo campanha pelo PCdoB. Às custas do seu, do meu, do nosso dinheiro, que foi parar em estádios privados, ao contrário do que prometiam Ricardo Teixeira e o governo brasileiro.

Estádios enxutos

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os estádios para a Copa de 2014 ficam cada vez mais caros. O último a ter o valor ampliado foi o de Brasília. Tão grave quanto é não ainda não sabermos como eles serão mantidos depois do Mundial.

Para o ex-consultor da Fifa Manoel Espezim, que me enviou e-mail com sugestões para as arenas brasileiras, as construções deveriam ter sido diferentes, atendendo às exigências da Fifa, mas também antevendo a dificuldade de mantê-las depois da Copa.

Para ele uma base de concreto para 25 mil torcedores ou pouco mais do que isso e estruturas metálicas removíveis teriam sido uma solução, embora descartadas no Brasil, com exceção para o estádio corintiano, que terá uma parte das arquibancadas para ser retirada depois. Paga, aliás, pelo governo do Estado de São Paulo, assegurando assim a abertura da Copa para a capital paulista.

Espezim lembra que na Copa Coreia-Japão viabilizar as arenas após o torneio de 2002 foi uma das principais construções ao erguê-las ou reformá-las. Na Copa dos Estados Unidos também.

Ele defende, no entanto, que a administração do espaço seja feita depois pela iniciativa privada, mas aí tenho minhas dúvidas. Acho que cada caso é um caso. Se o poder público bancou a reforma ou a construção da arena só deve transferi-la para grupos do setor privado caso o processo seja lucrativo para o governo. Se não for, não. Afinal ônus público, bônus privado, não. E é a tendência que parece prevalecer no Brasil.

 

Hotel-contêiner para Copa

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De olho na Copa do Mundo, grupos de empresários estudam a construção de hotéis-contêineres nas 12 cidades-sede.

Os dois primeiros serão em São Paulo e Recife, o terceiro no Rio, o quarto em Fortaleza. Em seguida, Porto Alegre e Salvador, mais adiante, a vez das demais sedes.

O preço de cada hotel, cujo número de quartos deverá variar de 80 a 140, é estimado em 7,5 milhões de reais, sendo que o tempo de construção não passa de seis meses.

Utilizando conceitos de sustentabilidade, os hotéis-contêineres são uma opção aos hostels _ou albergues da juventude_ que começaram a ganhar espaço em São Paulo e no Rio, atingindo um público que não quer pagar tão caro por uma noite. O preço da diária por casal não deve ultrapassar os 140 reais, ficando abaixo dos chamados hotéis três estrelas.

Com a Copa de 2014, a ideia é atingir torcedores e viajantes europeus e brasileiros que estejam mais preocupados com o evento e os jogos do que com o conforto propriamente dito.

Se der certo no Mundial, novas unidades deverão ser construídas para atrair mais e mais turistas. Brasileiros ou não.

Dinheiro no lixo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

As autoridades fluminenses ainda não sabem quanto será gasto para despoluir rios e lagoas que deságuam no local onde ficará o futuro Parque Olímpico dos Jogos de 2016.

Uma pequena pesquisa junto ao governo do Rio mostra valores disparatados para as obras ambientais, valores que vão de 800 milhões de reais a quase 2 bi.

Especialistas, no entanto, dizem que o dinheiro pode acabar no lixo, pois o problema da poluição em rios e lagoas na capital do Estado deve voltar depois dos Jogos.

O motivo é que a população segue montando ligações clandestinas de esgoto que vão parar nas águas, ou seja, as obras podem ser feitas, mas logo depois o problema voltará.

Ou você ataca o problema de frente ou, se optar por solução paliativa, pra inglês ver em 2016, vai apenas perder dinheiro.

Um grupo de dez biólogos autônomos prepara um estudo sobre as ligações clandestinas para levar ao governo do Estado. Quer mostrar que o buraco é mais embaixo. É que, como diz um amigo meu, o problema é estrutural, não pontual. Alguns setores da sociedade civil, pelo menos, começam a se mexer. Menos mal, menos mal…

Custo Copa sobe de novo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O governo ainda não sabe quanto será gasto com a Copa de 2014, mas o orçamento não para de subir, agora por conta do setor aeroportuário.

Como os leilões dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas, que deveriam ocorrer em dezembro, ficaram para março devido a questões burocráticas, será incluída uma cláusula no programa de privatização para acelerar as obras. É que com o atraso no processo aumentou o risco de elas não ficarem prontas até o Mundial.

Para acelerar as obras será colocada mais gente para trabalhar na reforma dos aeroportos, sem falar na necessidade de pagamento maior de horas-extras que serão necessárias para ajeitá-los até o evento.

O programa de privatização, que inicialmente previa investimentos de 10 bilhões de reais nos três aeroportos, subiu para 11,9 bilhões de reais e agora ultrapassou a fronteira dos 13 bi, o que dificulta o processo e deixa a Fifa ainda mais inquieta com a demora dos brasileiros em aprimorar o setor.

Lamentavelmente essa não é a única preocupação. Em mobilidade urbana, por exemplo, quase nada foi aplicado até aqui e devem ser tomadas medidas paliativas, como decretação de feriado em dias de jogos da Copa para melhorar o transporte. Já os estádios só ficarão prontos graças à enxurrada de dinheiro público que está sendo investido nas arenas, ao contrário do que prometera Ricardo Teixeira quando o Brasil foi escolhido sede. Na ocasião, o presidente da CBF dizia que não haveria um centavo de verba pública nos estádios. Alguém acreditou???

Confusão no Atlético-PR

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Já não basta a difícil situação em que se encontra no Brasileirão, tentando fugir do rebaixamento nas duas rodadas finais, os conselheiros do Atlético-PR estão rachados e uma parte não poupa críticas de bastidores à atuação do presidente Marcos Malucelli.

As cifras sobre quanto terá que ser gasto com a Arena da Baixada para adequar o estádio aos padrões da Fifa variam de R$ 130 milhões a R$ 280 milhões, o que só aumenta a bagunça.

Malucelli bate o pé em R$ 220 milhões, mas há conselheiros que acreditam na redução do valor caso haja uma negociação ponto a ponto com a Fifa e o Comitê Organizador Local da Copa, o que o presidente não fez até aqui.

O dirigente tem se defendido dizendo que não era favorável ao Atlético receber jogos da Copa, o que, segundo ele, só dará prejuízos ao clube, mas alega que teve de ceder à pressão do conselho.

No meio de um processo eleitoral, a situação de fato não está fácil. O próprio Malucelli lembra que, sem a Arena da Baixada no ano que vem, além de prejuízo financeiro há o risco de prejuízo técnico, como aconteceu neste ano com Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG, os três obrigados a jogar longe do Mineirão.

É o custo-Copa, mais uma vez, causando polêmica…

Ponto para o Rio

domingo, 13 de novembro de 2011

Se o atraso nas obras do Maracanã, palco da final da Copa, preocupa a Fifa, os investimentos do Rio em mobilidade urbana têm deixado a entidade muito satisfeita.

Para o Comitê Organizador Local, o Rio é a sede que mais recursos canalizou para melhorar o transporte local, ganhando das outras 11 que abrigarão jogos em 2014.

O principal fator é a Olimpíada de 2016, que também acontecerá na cidade.

Graças ao projeto olímpico, o Rio terá um corredor expresso de ônibus de 54,9 km entre a Barra e Santa Cruz, parte da obra já inaugurada, outro de 19,6 km entre Deodoro e Maracanã e mais um terceiro, cujo trajeto ainda é discutido, ligando a Barra da Tijuca e o aeroporto do Galeão.

Além disso, a ideia é levar o metrô até a Barra, mas a chamada linha 4 só ficará pronta depois da Copa.

Em mobilidade urbana o Rio irá gastar mais de 10 bilhões de reais por conta do Mundial e da Olimpíada, incluindo uma espécie de trem para ligar pontos distintos da região portuária, que será revitalizada com os Jogos de 2016.

Fifa pressiona Natal

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jérôme Valcke avisou o governo brasileiro que atraso nas obras de infraestrutura preocupam muito a Fifa.

No encontro com Dilma Rousseff lembrou que a Matriz de Responsabilidade para a Copa de 2014 acordada com as cidades-sede não está sendo cumprida. E citou nominalmente o caso de Natal. Quer uma posição mais detalhada da União sobre o que se passa na capital do Rio Grande do Norte até o próximo dia 20, quando acontece a reunião do Comitê Executivo da Fifa e serão anunciados os palcos de abertura e encerramento do Mundial, além do nome das cidades que abrigarão a Copa das Confederações, em 2013.

O caso de Natal é emblemático. O resultado do leilão de concessão do Aeroporto São Gonçalo do Amarante foi suspenso devido a recurso do consórcio Aeroportos Brasil, segundo colocado, contra o Inframérica, que ficou em primeiro e ganhara a disputa. A construção do estádio Arena das Dunas começou com 17 meses de atraso e ele não ficará pronto até dezembro de 2012, como havia sido prometido. Para piorar, nenhuma das obras previstas de mobilidade urbana segue cronograma inicial para 2014.

Na reunião do próximo dia 20, na Suíça, o Comitê Organizador Local deve apresentar à Fifa plano B para Natal seguir como uma das 12 cidades-sede.

Um dos pontos é trocar o São Gonçalo do Amarante pelo Augusto Severo, aeroporto que seria ampliado para a Copa caso o primeiro não fique pronto a tempo para o evento. A questão é que o Augusto Severo também enfrenta problemas na Justiça. Há pelo menos dez investigações em andamento apurando denúncias de irregularidades na gestão do aeroporto.

Se pensarmos que estamos a poucos dias de completar quatro anos do anúncio do Brasil como sede da Copa veremos que Natal é apenas o retrato mais claro de como o país se prepara para o Mundial. Pelo jeito não aprendemos nada com o Pan, que deveria ser usado como exemplo a não ser seguido. A cartilha parecer ser a mesma. Legado mínimo e custo final das obras nas alturas. E que se dane o contribuinte brasileiro. Uma pena.