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O velho preço do Maraca

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Não é de hoje que a Secretaria de Obras do Rio trabalha com o valor da reforma do Maracanã acima da casa de R$ 1 bilhão, como esse próprio blog já publicou em 2011.

Desde lá o governo do Estado do Rio estimava a reforma do estádio no patamar de R$ 1,1 bilhão ou até um pouco mais, embora, pressionado pela mídia e opinião pública, críticas aos gastos excessivos com o Maraca, tenha passado meses e meses insistindo que o preço final seria de R$ 849 milhões.

Deve terminar, porém, em pouco mais de R$ 112 bi, depois de aditivo no contrato de R$ 200 milhões, elevando a reconstrução para mais de R$ 1 bi. Com outros gastos que não teriam sido inclusos, como construção e colocação de catracas e bilheterias, além do gerenciamento das obras, por exemplo, encosta em R$ 1,15 bilhão.

O preço final deve ser quase o dobro do que o previsto inicialmente. E o pior _ou pelo menos tão complicado quanto_ é que os organizadores dos Jogos do Rio, em 2016, já falam em novas obras para adequar o estádio às exigências do Comitê Olímpico Internacional, que não seriam as mesmas da Fifa.

Antes da reforma atual o Maracanã passou por duas signficativas. Uma para receber o Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians. A outra para o Pan de 2007, quando havia a promessa de que ficaria adequado aos padrões da Fifa. Não ficou, tanto que acabou reconstruído.

Na Copa de 2014 ainda corre o risco de não ver a seleção brasileira jogar lá. Palco da final do Mundial, só terá algum jogo do Brasil se o time de Luiz Felipe Scolari chegar à decisão.

O estádio também será usado na Copa das Confederações. Deverá ser reaberto para o público pagante apenas em 2 de junho, no amistoso que a seleção fará contra os ingleses.

Não serve de consolo para os cariocas, mas não é a única arena da Copa com preço maior do que o esperado. O estádio de Brasília, que não querem chamar de Mané Garrincha durante o Mundial, que o diga.

Fifa e Arena Pantanal

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Fifa quer explicações do Brasil sobre a crise que ameaça as obras na Arena Pantanal, em Cuiabá. A entidade que dirige o futebol mundial foi pega de surpresa sobre a situação da Santa Bárbara Engenharia, uma das construtoras responsáveis pelo estádio, que fica a cada dia mais grave. Com dívidas na casa dos 500 milhões de reais, ela estaria à beira da falência, colocando em risco a construção.

Segundo um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, no atual ritmo em que as obras estão e com a crise da Santa Bárbara, cujo pedido de recuperação judicial foi feito no final do ano passado, até outubro o estádio não fica pronto. A Fifa esperava vê-lo concluído em dezembro passado, mas dada a situação caótica da construtora, aceitou estender o prazo até outubro. As obras começaram há mais de dois anos e meio e ainda não chegou à marca de dois terços concluídos.

A Secretaria Extraordinária da Copa em Cuiabá, porém, considera a situação “normal” e mantém o prazo de outubro para a conclusão da Arena.

Mas o estádio está longe de ser o único problema da cidade, uma das 12 sedes da Copa de 2014.  O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), obra que também estava sendo planejada e tocada pela Santa Bárbara e cujo orçamento ficou na casa de 1,5 bilhão de reais, pode acabar ficando de lado, já que a urgência agora ficou toda por conta da arena.

No Rio, o Maracanã, que também sofre problemas com o cronograma das obras, enfrentou problema semelhante com a construtora Delta, que se retirou do consórcio responsável pelo estádio, assim como já se retirara da construção do Engenhão para o Pan de 2007. Vale lembrar que a Delta Engenharia era a empresa com ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, investigado por uma CPI no Congresso que terminou em pizza.

Já em Minas, apesar do caos que foi a inauguração do Mineirão, outro estádio da Copa, o secretário extraordinário para o Mundial em Belo Horizonte, considerou “normais” os problemas de acesso e estacionamento que tanto incomodaram torcedores e tantos protestos geraram no clássico mineiro. De “normal” em “normal”, caminhamos rumo à Copa das Confederações, logo mais em junho, e à Copa de 2014, que já está à vista.

Volto a postar na próxima segunda (dia 18), mas até lá, dentro do possível, tento responder os comentários de vocês. Bom restante de semana a todos e desde já um ótimo final de semana, João Carlos

Brasil em foco

domingo, 19 de agosto de 2012

Para o bem ou para o mal a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 têm deixado a imprensa internacional mais focada no que acontece por aqui.

Na semana que passou a operação-padrão realizada por policiais federais em diversos aeroportos do país ganhou destaque negativo na imprensa mundial, que lembrou o transtorno causado para a população, os atrasos, cancelamentos e perda de voos por parte de vários passageiros. Estiveram em pauta ainda as ações da Polícia Rodoviária Federal parando estradas no país.

O Superior Tribunal de Justiça chegou a proibir tanto as operações-padrão da PF quanto as da PRF. Os movimentos dos servidores serão alvos de reportagens especiais da CNN e da BBC, ambas de olho no país da Copa e dos próximos Jogos Olímpicos.

Também teve destaque o anúncio do Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias, apontado por alguns como o maior programa de privatização da história do país e elogiado no exterior, seja pelo “New York Times”, seja pelo “Financial Times” ou por jornais alemães, franceses e escandinavos.

Na avaliação estrangeira o investimento de 133 bilhões de reais do governo federal irá melhorar a infra do Brasil e contribuir para acelerar as obras para o Mundial de 2014, que estão bem atrasadas no tocante à mobilidade urbana. Tende, também, a ajudar as referentes ao Rio-2016. Quem viver verá…

A vez do Rio

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Depois de a Fifa não parar de pressionar o governo brasileiro em relação às obras da Copa, chegou a vez de o Comitê Olímpico Internacional começar a se preocupar. Com os Jogos do Rio, em 2016.

Quando terminar a Olimpíada de Londres, em 12 de agosto próximo, o COI deve aumentar as visitas ao Rio de Janeiro e subir o tom nas conversas com os brasileiros.

A principal preocupação é com o setor hoteleiro, considerado insuficiente para receber os Jogos. Segundo avaliação do comitê, projetos para a construção de novos hotéis não faltam, mas o problema é que, pelo menos até agora, eles seguem apenas no papel.

A mobilidade urbana também preocupa, mas o COI espera aceleração nas obras durante o ano que vem, já que o Rio, antes de receber a Olimpíada, será uma das sedes da Copa de 2014, quando abrigará a final da competição.

Das obras em atraso as que mais inquietam o comitê são o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e o Complexo de Deodoro, cujos cronogramas de trabalho não estariam sendo cumpridos. Em conjunto, ambos receberão 18 modalidades em 2016.

Com as atenções do COI ainda voltadas para Londres, já que os Jogos começam no próximo dia 27, e as do Brasil, para a Copa de 2014, as pressões do comitê têm ficado “escondidas” da mídia. Mas se o ritmo continuar na base do “devagar, quase parando”, uma hora a paciência termina. E confusão não vai faltar.

Delta fora da Copa

segunda-feira, 21 de maio de 2012

De fininho _ou nem tão de fininho_ a Delta, principal empreiteira do PAC e da Copa de 2014, começa a deixar para trás as obras do Mundial.

Primeiro foi o consórcio que reformula o Maracanã, que a empresa abandonou no final do mês passado, início de maio. Em seguida a Transcarioca, via de ligação entre o Aeroporto do Galeão e a Barra da Tijuca, um dos projetos mais importantes do Rio para a Copa e a Olimpíada que acontece dois anos depois.

Na semana passada foi a vez de Fortaleza, onde era a responsável por obras de mobilidade urbana. A próxima deve ser Natal, capital em que, assim como no Ceará, há acusações de uso de material de qualidade duvidosa. O mesmo acontece em Recife e o anúncio da saída da Delta é esperado até o final do mês. Os contratos para varrição de lixo na capital paulista e no Distrito Federal também estão na berlinda.

Para a Fifa, a maior preocupação é com o Maracanã, que talvez não fique pronto até a Copa das Confederações, ameaça que aumentou com a confusão no consórcio após as denúncias contra a Delta, envolvida no escândalo Carlinhos Cachoeira.

As construtoras que substituirão a empreiteira de Fernando Cavendish nos serviços para o Mundial e os Jogos Olímpicos ainda não foram definidas.

E apesar de tudo tanto o dono da Delta quanto os governadores e parlamentares suspeitos de ligação com Cachoeira deverão ficar fora da CPI. A comissão que comanda os trabalhos em Brasília faz de tudo para poupar Cavendish e os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnaldo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Tanto que, no caso da Delta, apenas seu escritório no Centro-Oeste deve ser investigado. Sem comentários…

Fifa cobra o Maraca

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Fifa resolveu pressionar o COL sobre a reforma do Maracanã, que corre o risco de não ficar inteiramente pronto para a Copa das Confederações.

Caso isso aconteça avisou o comitê organizador da Copa que o estádio não poderá receber a final do torneio.

O COL insiste que o Maraca estará com as obras finalizadas até junho do ano que vem, quando acontece a Copa das Confederações, mas com a saída da empreiteira Delta do empreendimento Odebrecht e Andrade Gutierrez, as construtoras que seguem no consórcio, têm divergido sobre a reforma.

Segundo a Fifa só estádios acabados poderão receber jogos na Copa das Confederações. O governo do Rio e o ministério do Esporte ainda não se pronunciaram a respeito. Nova confusão à vista. Lembrando que a Delta deixou o consórcio por conta de envolvimento no escândalo Carlinhos Cachoeira. Haja água…

 

Cachoeira na Copa

sábado, 21 de abril de 2012

E não é que as investigações sobre a ligação de Carlinhos Cachoeira com autoridades e políticos brasileiros, que será investigada por CPI, deve chegar à Copa?

Pois a Delta Construção, empresa que mais recebe recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e tem obras em todas as cidades-sedes do Mundial, é peça fundamental na CPI do Cachoeira pelas ligações já detectadas com o contraventor.

Algumas das obras da Delta ligadas à Copa são suspeitas de superfaturamento, caso das de mobilidade urbana em Belo Horizonte. Apesar disso tanto Marcio Lacerda, do PSB, prefeito de BH, quanto Aldo Rebelo, ministro do Esporte e representante do governo federal, querem que as obras continuem.

Ambos usam o argumento de que a Copa não pode parar. Com ou sem Cachoeira. Com ou sem favorecimento à Delta. Com ou sem superfaturamento. É, e viva o Mundial, e viva o Brasil!

Inter x Andrade Gutierrez

terça-feira, 20 de março de 2012

Apesar do anúncio da retomada da reforma do Beira-Rio, um dos estádios do Brasil para a Copa, a imagem da Andrade Gutierrez no Sul anda péssima.

Os atritos entre a direção do Inter e a construtora, que fizeram as obras pararem por cerca de nove meses, jogaram a opinião pública e os torcedores colorados contra a Andrade.

Representantes da empreiteira foram achincalhados pela mídia, que se postou ao lado do presidente do Inter até que o contrato entre as duas partes fosse assinado.

A própria presidente Dilma Rousseff interferiu na questão, pressionando a Andrade Gutierrez a fechar logo o acordo com o Inter e entregar o estádio no ano que vem, a tempo de Porto Alegre receber jogos do Mundial.

Divergências entre os dois lados eram várias, desde a escolha do foro para definir futuras controvérsias entre as partes até o uso de camarotes, estacionamento e lojas construídos pela Andrade no estádio, sem falar de possível penhora de renda de bilheteria, caso o Inter contraia dívidas trabalhistas e fiscais, praxe entre alguns dos grandes times brasileiros.

Com sua imagem arranhada no Sul mesmo com o contrato assinado e as obras sendo retomadas amanhã, a empreiteira pretende lançar forte campanha de marketing e trabalhar a mídia para se aproximar do torcedor colorado. A iniciativa começou ontem com a exibição de um vídeo homenageando o Inter, que emocionou a direção do clube.

Além do trabalho no estádio, a construtora terá outro tão grande quanto, que é o de se reaproximar da galera.

A ira de alguns torcedores e de parte da mídia contra a empresa era tanta que a avó de uma conhecida minha perguntou que time era “esse Andrade” que ia jogar contra o Inter… Virou mesmo um “Inter x Andrade”. Daí explicaram que não, que era a construtora responsável pela reforma do Beira-Rio… Futebol e paixão clubísticas são complicados. Quem entra na área tem que estar preparado, mesmo que seja empresa de grande porte. Ou principalmente se for.

 

Rio-16 x Atenas-04

segunda-feira, 12 de março de 2012

Escuto muita gente comparando a realização dos Jogos de 2016, no Rio, com os de 2004, em Atenas. E dizendo que o colapso econômico da Grécia tem relação com a Olimpíada que o país realizou, gastando uma fortuna que não tinha, assim como a Copa, em 2014, e a Olimpíada, dois anos depois, podem prejudicar muito o Brasil, especialmente por conta dos orçamentos que tendem ao infinito.

Discordo da comparação. E digo o porquê. No caso grego os Jogos foram apenas uma gota no oceano, como podemos constatar diante dos recentes acontecimentos que culminaram com o maior calote da história. Desde o ano passado ficamos sabendo que um dos grandes problemas foi que os políticos gregos simplesmente maquiaram as contas de 2003 a 2009 apresentadas à União Europeia.

Antes mesmo dos Jogos de Atenas a Grécia vinha gastando muito mais do que podia e apresentava uma contabilidade fictícia à UE. Depois da crise de 2008 os reais gastos do país começaram a vir a público e a Grécia teve de admitir que não teria como pagar sua dívida.

Gastou o que não podia também com a Olimpíada de 2004? Sim, mas seguiu gastando depois em todos os setores um dinheiro que não tinha. E que agora não tem como pagar.

A responsabilidade, portanto, não está com os Jogos Olímpicos, mas com os políticos e o governo grego que foram irresponsáveis em todos os sentidos, contraindo dívidas que sabiam que não teriam como bancar.

Quem também lembra do prejuízo dos Jogos de Montréal, em 1976, cujas contas só foram fechadas recentemente, para criticar o do Rio-2016, parece se esquecer de outros, como Los Angeles, em 1984, ou Moscou, quatro anos antes, que se mostraram lucrativos.

Não acho que o Brasil tenha que lucrar com a Olimpíada e a Copa, mas acho que deveria fazer o máximo para receber os dois eventos sem obras superfaturadas e desvio de dinheiro e deixando um legado para a população. Que muitas vezes é maior do que o esportivo. É um legado para a autoestima e para a imagem do país, além de um legado que pode ficar para o dia a dia do cidadão e contribuinte, como a melhoria da mobilidade urbana e das instalações esportivas, para citar apenas dois exemplos.

Mas da mesma forma que pode ser um legado positivo para a autoestima, pode ser um legado negativo se o exemplo do Pan for repetido. Com promessas aqui e acolá e no final um legado quase inexistente e custos multiplicados por dez.

Por enquanto, com a Copa de 2014, a imagem que passamos para nós mesmos é de incompetência e falta de planejamento, com tudo deixado para a última hora. Da Olimpíada pouco se fala ainda pois o Mundial tem ofuscado o evento que acontece dois anos depois. Mas uma hora vamos acabar falando dela…

Precisamos encontrar nossa fórmula, que não deve ser a do atraso, da falta de planejamento e do superfaturamento.

Não é porque a Grécia implodiu que vamos seguir o mesmo caminho. Até porque, repito, a Grécia implodiu não por conta da Olimpíada, como insistem alguns por aí. O problema foi muito maior do que os gastos com 2004. Muito maior…

Beira-Rio e Natal preocupam

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dos 12 estádios em construção ou reforma para a Copa os dois que agora mais inquietam a Fifa são o Beira-Rio, em Porto Alegre, e o das Dunas, em Natal.

A entidade que dirige o futebol mundial já trabalha com a hipótese de que o primeiro, que deveria ficar pronto em dezembro e está com as obras paradas, só seja entregue no primeiro semestre do ano que vem. Mais de 60% do estádio ainda tem de ser remodelado a um custo de quase 250 milhões de reais.

Já a Arena das Dunas, cuja previsão de entrega é dezembro de 2013, está atrasado, na fase de terraplenagem e colocação das primeiras estacas das fundações. Terá capacidade para 43,8 mil torcedores, sendo a do Beira-Rio de 55,6 mil.

Além de Porto Alegre e Natal, Curitiba, com a Arena da Baixada, também preocupa. Segundo o portal da Copa é o estádio mais atrasado até aqui, mas a Fifa tem mantido contatos com a direção do Atlético-PR e considera que metade da estrutura necessária está ok.

Os estádios que mais elogios recebem até aqui, seja pelo projeto, seja pelo caminhar das obras, são os de Brasília, Minas, Salvador e Fortaleza. Os quatro têm prazo de conclusão até dezembro.

A Arena Pantanal, em Cuiabá, e o do Corinthians, em Itaquera, também têm sido elogiados pela cúpula da Fifa, embora o segundo só deva ser concluído em dezembro do ano que vem. Mas as obras estão em ritmo acelerado…

Mesmo com o propalado sucesso da privatização de três dos principais aeroportos do país, entre eles o de Guarulhos, o setor aeroportuário e a questão da mobilidade urbana são as duas maiores preocupações da Fifa, seguidas pelo setor hoteleiro.