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Posts com a Tag ‘obras’

Copa maquiada

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Semana passada veio a notícia de que a Prefeitura do Rio resolveu recapear um trecho de 300 metros na Favela da Varginha, exatamente aquele que faz parte do trajeto do papa Francisco, que estará na cidade em julho por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

Na Copa, que o Brasil abriga no ano que vem, algo parecido deve acontecer nas 12 cidades que receberão o evento.

A tendência é termos 12 ótimas arenas, todas de “Primeiríssimo Mundo”, mas sérios problemas nos arredores e em questõe de infraestrutura, já que pouco foi feito em termos de obras de mobilidade urbana, segurança, hotelaria etc. etc. etc.

Deveremos ainda ter feriados municipais em dias de jogos nas cidades e mudança nas férias escolares, de modo que elas coincidam com o Mundial, diminuindo o trânsito no período.

A ideia é tentar dar maior conforto ao turista, mas voltar ao “normal” logo depois do evento, com a vida diária repleta de problemas para o cidadão brasileiro, seja na saúde, na educação ou no simples trajeto ao trabalho, algo que poderia ser melhorado com as obras de infraestrutura para a Copa, boa parte das quais acabaram deixadas de lado.

Enquanto isso o Maracanã, que o governo do Rio insistia, pelo menos publicamente, que não ultrapassaria a casa de R$ 1 bilhão, ficará pronto por mais de R$ 1,1 bilhão e será repassado à iniciativa privada _Odebrecht e grupo Eike Batista_, que pode lucrar quase R$ 50 milhões por ano com a administração do estádio. Coisas da política brasileira.

E a reforma do Engenhão?

domingo, 12 de maio de 2013

Segue complicada e polêmica a questão da reforma do Engenhão, interditado desde fins de março por problemas estruturais na cobertura, fora o risco de pane na parte elétrica.

A Prefeitura do Rio trabalha com diferentes orçamentos e soluções para as obras. O preço variaria de R$ 110 milhões a R$ 180 milhões. O estádio, construído para o Pan de 2007, custou R$ 380 milhões, seis vezes a mais do que os previstos R$ 60 milhões.

A ideia inicial era que ficasse pronto até setembro, mas devido a divergências nos rumos da reforma, bem como nos custos, o Botafogo trabalha com a hipótese de a reabertura ser apenas no ano que vem.

O clube carioca ganhou da Prefeitura do Rio o direito de administrar o estádio pagando aluguel de cerca de R$ 40 mil mensais, além de arcar com a manutenção da arena.

Arrendando o estádio ao Fogão, a Prefeitura só recuperaria o investimento feito para construí-lo em quase 90 anos. Agora, diante da interdição do Engenhão e dos gastos que terá com a reforma, provavelmente nem em cem verá a grana de volta.

O velho preço do Maraca

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Não é de hoje que a Secretaria de Obras do Rio trabalha com o valor da reforma do Maracanã acima da casa de R$ 1 bilhão, como esse próprio blog já publicou em 2011.

Desde lá o governo do Estado do Rio estimava a reforma do estádio no patamar de R$ 1,1 bilhão ou até um pouco mais, embora, pressionado pela mídia e opinião pública, críticas aos gastos excessivos com o Maraca, tenha passado meses e meses insistindo que o preço final seria de R$ 849 milhões.

Deve terminar, porém, em pouco mais de R$ 112 bi, depois de aditivo no contrato de R$ 200 milhões, elevando a reconstrução para mais de R$ 1 bi. Com outros gastos que não teriam sido inclusos, como construção e colocação de catracas e bilheterias, além do gerenciamento das obras, por exemplo, encosta em R$ 1,15 bilhão.

O preço final deve ser quase o dobro do que o previsto inicialmente. E o pior _ou pelo menos tão complicado quanto_ é que os organizadores dos Jogos do Rio, em 2016, já falam em novas obras para adequar o estádio às exigências do Comitê Olímpico Internacional, que não seriam as mesmas da Fifa.

Antes da reforma atual o Maracanã passou por duas signficativas. Uma para receber o Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians. A outra para o Pan de 2007, quando havia a promessa de que ficaria adequado aos padrões da Fifa. Não ficou, tanto que acabou reconstruído.

Na Copa de 2014 ainda corre o risco de não ver a seleção brasileira jogar lá. Palco da final do Mundial, só terá algum jogo do Brasil se o time de Luiz Felipe Scolari chegar à decisão.

O estádio também será usado na Copa das Confederações. Deverá ser reaberto para o público pagante apenas em 2 de junho, no amistoso que a seleção fará contra os ingleses.

Não serve de consolo para os cariocas, mas não é a única arena da Copa com preço maior do que o esperado. O estádio de Brasília, que não querem chamar de Mané Garrincha durante o Mundial, que o diga.

Fifa e Arena Pantanal

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Fifa quer explicações do Brasil sobre a crise que ameaça as obras na Arena Pantanal, em Cuiabá. A entidade que dirige o futebol mundial foi pega de surpresa sobre a situação da Santa Bárbara Engenharia, uma das construtoras responsáveis pelo estádio, que fica a cada dia mais grave. Com dívidas na casa dos 500 milhões de reais, ela estaria à beira da falência, colocando em risco a construção.

Segundo um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, no atual ritmo em que as obras estão e com a crise da Santa Bárbara, cujo pedido de recuperação judicial foi feito no final do ano passado, até outubro o estádio não fica pronto. A Fifa esperava vê-lo concluído em dezembro passado, mas dada a situação caótica da construtora, aceitou estender o prazo até outubro. As obras começaram há mais de dois anos e meio e ainda não chegou à marca de dois terços concluídos.

A Secretaria Extraordinária da Copa em Cuiabá, porém, considera a situação “normal” e mantém o prazo de outubro para a conclusão da Arena.

Mas o estádio está longe de ser o único problema da cidade, uma das 12 sedes da Copa de 2014.  O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), obra que também estava sendo planejada e tocada pela Santa Bárbara e cujo orçamento ficou na casa de 1,5 bilhão de reais, pode acabar ficando de lado, já que a urgência agora ficou toda por conta da arena.

No Rio, o Maracanã, que também sofre problemas com o cronograma das obras, enfrentou problema semelhante com a construtora Delta, que se retirou do consórcio responsável pelo estádio, assim como já se retirara da construção do Engenhão para o Pan de 2007. Vale lembrar que a Delta Engenharia era a empresa com ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, investigado por uma CPI no Congresso que terminou em pizza.

Já em Minas, apesar do caos que foi a inauguração do Mineirão, outro estádio da Copa, o secretário extraordinário para o Mundial em Belo Horizonte, considerou “normais” os problemas de acesso e estacionamento que tanto incomodaram torcedores e tantos protestos geraram no clássico mineiro. De “normal” em “normal”, caminhamos rumo à Copa das Confederações, logo mais em junho, e à Copa de 2014, que já está à vista.

Volto a postar na próxima segunda (dia 18), mas até lá, dentro do possível, tento responder os comentários de vocês. Bom restante de semana a todos e desde já um ótimo final de semana, João Carlos

Brasil em foco

domingo, 19 de agosto de 2012

Para o bem ou para o mal a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 têm deixado a imprensa internacional mais focada no que acontece por aqui.

Na semana que passou a operação-padrão realizada por policiais federais em diversos aeroportos do país ganhou destaque negativo na imprensa mundial, que lembrou o transtorno causado para a população, os atrasos, cancelamentos e perda de voos por parte de vários passageiros. Estiveram em pauta ainda as ações da Polícia Rodoviária Federal parando estradas no país.

O Superior Tribunal de Justiça chegou a proibir tanto as operações-padrão da PF quanto as da PRF. Os movimentos dos servidores serão alvos de reportagens especiais da CNN e da BBC, ambas de olho no país da Copa e dos próximos Jogos Olímpicos.

Também teve destaque o anúncio do Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias, apontado por alguns como o maior programa de privatização da história do país e elogiado no exterior, seja pelo “New York Times”, seja pelo “Financial Times” ou por jornais alemães, franceses e escandinavos.

Na avaliação estrangeira o investimento de 133 bilhões de reais do governo federal irá melhorar a infra do Brasil e contribuir para acelerar as obras para o Mundial de 2014, que estão bem atrasadas no tocante à mobilidade urbana. Tende, também, a ajudar as referentes ao Rio-2016. Quem viver verá…

A vez do Rio

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Depois de a Fifa não parar de pressionar o governo brasileiro em relação às obras da Copa, chegou a vez de o Comitê Olímpico Internacional começar a se preocupar. Com os Jogos do Rio, em 2016.

Quando terminar a Olimpíada de Londres, em 12 de agosto próximo, o COI deve aumentar as visitas ao Rio de Janeiro e subir o tom nas conversas com os brasileiros.

A principal preocupação é com o setor hoteleiro, considerado insuficiente para receber os Jogos. Segundo avaliação do comitê, projetos para a construção de novos hotéis não faltam, mas o problema é que, pelo menos até agora, eles seguem apenas no papel.

A mobilidade urbana também preocupa, mas o COI espera aceleração nas obras durante o ano que vem, já que o Rio, antes de receber a Olimpíada, será uma das sedes da Copa de 2014, quando abrigará a final da competição.

Das obras em atraso as que mais inquietam o comitê são o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e o Complexo de Deodoro, cujos cronogramas de trabalho não estariam sendo cumpridos. Em conjunto, ambos receberão 18 modalidades em 2016.

Com as atenções do COI ainda voltadas para Londres, já que os Jogos começam no próximo dia 27, e as do Brasil, para a Copa de 2014, as pressões do comitê têm ficado “escondidas” da mídia. Mas se o ritmo continuar na base do “devagar, quase parando”, uma hora a paciência termina. E confusão não vai faltar.

Delta fora da Copa

segunda-feira, 21 de maio de 2012

De fininho _ou nem tão de fininho_ a Delta, principal empreiteira do PAC e da Copa de 2014, começa a deixar para trás as obras do Mundial.

Primeiro foi o consórcio que reformula o Maracanã, que a empresa abandonou no final do mês passado, início de maio. Em seguida a Transcarioca, via de ligação entre o Aeroporto do Galeão e a Barra da Tijuca, um dos projetos mais importantes do Rio para a Copa e a Olimpíada que acontece dois anos depois.

Na semana passada foi a vez de Fortaleza, onde era a responsável por obras de mobilidade urbana. A próxima deve ser Natal, capital em que, assim como no Ceará, há acusações de uso de material de qualidade duvidosa. O mesmo acontece em Recife e o anúncio da saída da Delta é esperado até o final do mês. Os contratos para varrição de lixo na capital paulista e no Distrito Federal também estão na berlinda.

Para a Fifa, a maior preocupação é com o Maracanã, que talvez não fique pronto até a Copa das Confederações, ameaça que aumentou com a confusão no consórcio após as denúncias contra a Delta, envolvida no escândalo Carlinhos Cachoeira.

As construtoras que substituirão a empreiteira de Fernando Cavendish nos serviços para o Mundial e os Jogos Olímpicos ainda não foram definidas.

E apesar de tudo tanto o dono da Delta quanto os governadores e parlamentares suspeitos de ligação com Cachoeira deverão ficar fora da CPI. A comissão que comanda os trabalhos em Brasília faz de tudo para poupar Cavendish e os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnaldo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Tanto que, no caso da Delta, apenas seu escritório no Centro-Oeste deve ser investigado. Sem comentários…

Fifa cobra o Maraca

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Fifa resolveu pressionar o COL sobre a reforma do Maracanã, que corre o risco de não ficar inteiramente pronto para a Copa das Confederações.

Caso isso aconteça avisou o comitê organizador da Copa que o estádio não poderá receber a final do torneio.

O COL insiste que o Maraca estará com as obras finalizadas até junho do ano que vem, quando acontece a Copa das Confederações, mas com a saída da empreiteira Delta do empreendimento Odebrecht e Andrade Gutierrez, as construtoras que seguem no consórcio, têm divergido sobre a reforma.

Segundo a Fifa só estádios acabados poderão receber jogos na Copa das Confederações. O governo do Rio e o ministério do Esporte ainda não se pronunciaram a respeito. Nova confusão à vista. Lembrando que a Delta deixou o consórcio por conta de envolvimento no escândalo Carlinhos Cachoeira. Haja água…

 

Cachoeira na Copa

sábado, 21 de abril de 2012

E não é que as investigações sobre a ligação de Carlinhos Cachoeira com autoridades e políticos brasileiros, que será investigada por CPI, deve chegar à Copa?

Pois a Delta Construção, empresa que mais recebe recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e tem obras em todas as cidades-sedes do Mundial, é peça fundamental na CPI do Cachoeira pelas ligações já detectadas com o contraventor.

Algumas das obras da Delta ligadas à Copa são suspeitas de superfaturamento, caso das de mobilidade urbana em Belo Horizonte. Apesar disso tanto Marcio Lacerda, do PSB, prefeito de BH, quanto Aldo Rebelo, ministro do Esporte e representante do governo federal, querem que as obras continuem.

Ambos usam o argumento de que a Copa não pode parar. Com ou sem Cachoeira. Com ou sem favorecimento à Delta. Com ou sem superfaturamento. É, e viva o Mundial, e viva o Brasil!

Inter x Andrade Gutierrez

terça-feira, 20 de março de 2012

Apesar do anúncio da retomada da reforma do Beira-Rio, um dos estádios do Brasil para a Copa, a imagem da Andrade Gutierrez no Sul anda péssima.

Os atritos entre a direção do Inter e a construtora, que fizeram as obras pararem por cerca de nove meses, jogaram a opinião pública e os torcedores colorados contra a Andrade.

Representantes da empreiteira foram achincalhados pela mídia, que se postou ao lado do presidente do Inter até que o contrato entre as duas partes fosse assinado.

A própria presidente Dilma Rousseff interferiu na questão, pressionando a Andrade Gutierrez a fechar logo o acordo com o Inter e entregar o estádio no ano que vem, a tempo de Porto Alegre receber jogos do Mundial.

Divergências entre os dois lados eram várias, desde a escolha do foro para definir futuras controvérsias entre as partes até o uso de camarotes, estacionamento e lojas construídos pela Andrade no estádio, sem falar de possível penhora de renda de bilheteria, caso o Inter contraia dívidas trabalhistas e fiscais, praxe entre alguns dos grandes times brasileiros.

Com sua imagem arranhada no Sul mesmo com o contrato assinado e as obras sendo retomadas amanhã, a empreiteira pretende lançar forte campanha de marketing e trabalhar a mídia para se aproximar do torcedor colorado. A iniciativa começou ontem com a exibição de um vídeo homenageando o Inter, que emocionou a direção do clube.

Além do trabalho no estádio, a construtora terá outro tão grande quanto, que é o de se reaproximar da galera.

A ira de alguns torcedores e de parte da mídia contra a empresa era tanta que a avó de uma conhecida minha perguntou que time era “esse Andrade” que ia jogar contra o Inter… Virou mesmo um “Inter x Andrade”. Daí explicaram que não, que era a construtora responsável pela reforma do Beira-Rio… Futebol e paixão clubísticas são complicados. Quem entra na área tem que estar preparado, mesmo que seja empresa de grande porte. Ou principalmente se for.