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A decisão de Neymar

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Volto a um assunto que tenho abordado com frequência, tópico que considero importante e não se esgota em Neymar. Pelo contrário, trata-se de uma discussão mais abrangente, que envolve o que queremos para o próprio futebol brasileiro. Assim sendo _e dadas as mensagens que recebi após a publicação do texto no diário LANCE!_, reproduzo, neste espaço, coluna que escrevi para o jornal de terça passada:

“Nas últimas semanas tem aumentado o coro de técnicos, jornalistas e torcedores favoráveis à transferência de Neymar para a Europa. Liderados por Mano Menezes, que sugeriu a mudança há tempos, argumentam que no Velho Continente o atacante aprenderia a atuar contra defesas mais consistentes, aprimoraria seu estilo de jogo e conheceria novas culturas. Alegam ainda que Neymar, pelo Santos, não teria mais desafios a enfrentar. Fora que seria poupado das vaias a que tem sido submetido quando defende a Seleção jogando no Brasil.

É possível, mas não acho que exista uma receita pronta e que a solução passe necessariamente por eventual ida à Europa. Kaká é um que logo se transferiu pra lá, hoje amarga o banco no Real e, por mais que tenha enfrentado ótimas defesas jogando no futebol europeu, não se saiu tão bem assim nas Copas de 2006 e 2010. Ainda disputa vaga para a de 2014. Alexandre Pato é outro que foi cedo para o exterior, teve problemas com o departamento médico do Milan e acabou retornando ao Brasil pra tentar recuperar a forma dos tempos de Internacional. Mesmo Ronaldinho Gaúcho, depois de ter encantado os europeus por uns tempos, caiu muito de produção e só foi se reencontrar no Atlético-MG. Já Robinho anda sumido, enquanto Lucas, se tem jogado bem em Paris, já apresentava excelente futebol no São Paulo.

Não sou contra transferência de Neymar para o Barça, mas não a vejo necessariamente como receita de sucesso. Não dá pra dizer que se ele tivesse mudado de ares no ano passado estaria melhor ou pior que hoje. E a escolha sobre se e quando se transferir não cabe a nós, cabe a ele. Que deve ponderar uma série de fatores, inclusive a vida pessoal e familiar. Porque não há um caminho único. Há vários.

Recentemente li “Nossa Sorte, Nosso Norte: Para Onde Vamos?”, instigante obra do psiquiatra Flávio Gikovate e do filósofo Renato Janine Ribeiro em que os dois analisam uma série de questões, como os conceitos de liberdade e individualismo no mundo de hoje. Num dos trechos, Janine Ribeiro cita uma propaganda em que aparecia um garoto com roupas caras e cabelo punk chique e um narrador dizendo que, se ele escolhia seu cabelo, jogos e amigos, não poderia deixar na hora das drogas os outros fazerem sua cabeça. O absurdo da história é que, como bem aponta o filósofo, o menino era a própria negação da liberdade, todo padronizado, estereotipado, um produto da indústria publicitária. Ou, como diz Gikovate, o símbolo de um individualismo fajuto, onde não há liberdade de pensar.

A sociedade nos impõe um modelo a seguir e no futebol não é diferente. Como se a receita para jogar na Europa fosse obrigatória e devesse ser seguida por todos. E quanto mais cedo, melhor. Nada disso. Cada um deve procurar seu próprio caminho e modificá-lo sempre que achar necessário. Que Neymar encontre o seu. A vida, a carreira e a decisão são dele (ou deveriam ser) e espero que sejam respeitadas.”

Palmeiras na vitrine

terça-feira, 12 de março de 2013

A Rede Globo deve dar um bom destaque para o Palmeiras no Campeonato Brasileiro, mesmo o time estando na Série B. A ideia é exibir um ou outro jogo do Verdão no torneio e seguir dando destaque ao time em seus noticiários, especialmente nos voltados ao público paulista.

O Palmeiras passa por um mau momento, é verdade, inclusive na Libertadores, mas segue e seguirá sendo notícia. No torneio sul-americano, aliás, onde todos os brasileiros deram vexame na última semana, exceção feita a Atlético-MG e Grêmio, que seguem firmes e fortes, o Verdão é um dos dois mais ameaçados de não passar para a fase seguinte. O outro é o São Paulo, que terá dois jogos fora de casa, contra Arsenal e The Strongest, além da partida contra o Galo, em casa.

Passando ou não para as oitavas de final da Libertadores, o Palmeiras ainda pensa em apresentar dois reforços para disputar a Série B. A avaliação da diretoria é que, com o elenco atual, corre sério risco de seguir mais um ano na Segundona. Uma das possibilidades é repatriar algum brasileiro que esteja atuando no Leste Europeu ou no futebol asiático. Aguardemos.

Ídolos de barro

quinta-feira, 7 de março de 2013

Reproduzo aqui coluna que publiquei terça no LANCE! e diz respeito não só aos ídolos, mas aos fãs, à necessidade de alguns de verem algo que talvez não exista, ao papel da mídia que gosta de vender, vender e vender e a uma questão que certamente extrapola a esfera esportiva:

“O caso Oscar Pistorius, primeiro biamputado a participar de uma Olimpíada e acusado pela morte da namorada, Reeva Stenkamp, tem gerado questionamentos não só na África do Sul, mas em toda a comunidade esportiva. A defesa do atleta diz que ele atirou na modelo por engano, achando que sua casa havia sido invadida por algum criminoso. A acusação quer provar que o assassinato foi intencional e que aconteceu após uma discussão do casal.

Entre muitos sul-africanos e o público em geral, especialmente aqueles que alçaram o atleta à condição de mito e o tinham como modelo de vida, há a sensação de terem sido traídos e vítimas de um engodo. Como houve por parte dos norte-americanos e dos amantes do ciclismo com as denúncias contra Lance Armstrong, que acabou confessando o uso de doping para competir e vencer sete vezes a Volta da França, sem falar na acusação de tráfico de substâncias proibidas.

A questão talvez não esteja em Pistorius, que teve outros episódios nada edificantes agora tornados públicos, nem em Armstrong, cuja trajetória ficou ainda mais saborosa por supostamente ter vencido terrível luta contra o câncer e montado uma fundação baseada em sua história. Ambos estavam num meio extremamente competitivo, obrigando-se a vencer sempre e talvez se sentindo acima do bem e do mal.

A decepção, na verdade, diz mais a respeito a quem se sentiu passado pra trás, por ter idealizado os dois, do que aos próprios. Porque não conhecemos a intimidade e o que se passa no interior de ninguém, ainda mais de personalidades que vemos e acompanhamos à distância. Muitas vezes, quando olhamos de perto, percebemos que a história é outra, diferente da vendida pela mídia, que gosta de fabricar “heróis”. Pois eles vendem no esporte, nas artes, na política…

A trajetória de Pistorius é extremamente interessante e como a de Armstrong sempre esteve associada ao termo “superação”, uma das palavras mais chatas que o pessoal ligado à autoajuda gosta de usar. Pistorius protagonizou, pelo menos pra mim, um dos momentos mais emocionantes da Olimpíada de Londres, quando acabou não conseguindo a vaga para as finais dos 400 metros rasos. Terminou sua eliminatória em último, mas recebeu um presente de Kirami James, de Granada, atleta que ficou em primeiro: o número com o qual competiu o adversário, numa espécie de “troca de camisas” no fim de um jogo de futebol.

O mais curioso a observar é que, depois dos escândalos que atingiram Armstrong e depois Pistorius, notícias nada positivas sobre os dois começaram a pipocar na imprensa, muitas das quais antes eram ignoradas. Sobre o sul-africano, por exemplo, apareceram desde suspeitas de uso de esteroides e consumo excessivo de álcool até denúncias de assédio sexual e ameaças contra terceiros. Assim como interessa construir ídolos, muitas vezes interessa destruí-los, já que isso também vende e parte da sociedade se delicia com a queda. A que sentia inveja e a que acreditara no conto de fadas e acaba vendo seus ídolos se tornarem humanos.”

Marin alfineta Romário

quarta-feira, 6 de março de 2013

Não é de hoje que José Maria Marin tem alfinetado Romário. O presidente da CBF considera o ex-jogador uma decepção como político e acha que tem atacado sua administração apenas para aparecer e ganhar pontos com a galera. Lembra que, quando assumiu a confederação e até o começo da Olimpíada, Romário era só elogios tanto pra ele quanto pra Marco Polo Del Nero, seu vice mais velho e presidente da Federação Paulista de Futebol. Depois, como teria visto que não dava “ibope” elogiar a dupla e não teria conseguido ganhar espaço na entidade, passou a atacá-la, assim como o trabalho de Mano Menezes.

Em programa exibido pela “Rede TV”!”, pela primeira vez Marin foi, pelo menos publicamente, mais enfático ao tratar de Romário, que é deputado federal pelo PSB-RJ e luta pela abertura de uma CPI para investigar os negócios da CBF. Disse que política se faz construindo e não destruindo, ao contrário do ex-jogador, que, segundo ele, prega a desagregação. Afirmou ainda que duvida que Romário passe do cargo que ocupa, ou seja, que venha a ser mais do que deputado federal.

O curioso é que Marin, que se considera um conciliador, jamais conseguiu o que Romário conquistou, ao ser eleito pelo voto direto para deputado federal, quase 150 mil no Rio, ficando entre os seis primeiros com mais apoio popular.

Em 1986 Marin tentou ser senador pelo PFL, em São Paulo, e nada. Ficou em quarto lugar. Em 2000 foi candidato a prefeito em São Paulo, pelo fraco PSC, nem 10 mil votos teve, menos de 0,2% dos votos válidos. Em 2002 tentou mais uma vez o Senado e outro fiasco.  Só teve projeção, de fato, nos tempos da ditadura militar, quando foi vice biônico de Paulo Maluf e governou o Estado de SP por dez meses, entre 1982 e 1983, já que o titular se desvinculara do cargo para tentar a sorte como deputado federal. Mesmo na CBF, ganhou a presidência da CBF de presente. Era o vice mais velho de Ricardo Teixeira, cuja administração, marcada por denúncias de corrupção, considera excelente. Tanto que passou a pagar salário para o ex-presidente, que se refugiou na Flórida, dar consultoria por telefone, salário maior do que Teixeira recebia quando comandava a entidade. Coisas da política e do futebol brasileiro.

O mundo de Caras

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A diretoria do Corinthians acertou, a meu ver, ao tentar demover os quatro torcedores que, com liminar, viram o jogo de ontem no Pacaembu. Como disse o advogado Luiz Felipe Santoro, que representa o clube, não acredito que a entrada dos quatro atrapalhe a situação do time na Conmebol, mas, pelo sim, pelo não, eles poderiam ter ficado de fora.

Até entendo que se tratava de uma decisão judicial e eles tinham o direito de ver o jogo para o qual compraram ingressos há mais de um mês. Também entendo que o fato de terem entrado pode fazer outros torcedores procurarem o mesmo caminho, causando uma confusão maior para a próxima partida da Libertadores em casa, 13 de março, contra o Tijuana. Mas não acho que isso irá pesar na decisão da Conmebol, que ainda terá de julgar a punição do Corinthians após a tragédia na Bolívia. E espero que faça isso o mais rapidamente possível, em caráter de urgência, como legitimamente pede o time paulista.

Sobre os quatro torcedores que entraram, com todo o respeito a eles, talvez tenha pesado na decisão os 15 minutos de fama que ganharam, algo que também seria legítimo. Apareceram na TV, tiveram os nomes publicados em jornal, citados em emissoras de rádio, oportunidade de dar entrevistas… Tem gente que gosta de ser notícia e de repente até pode ser o caso dos quatro, que, bem ou mal, tiveram seu dia de celebridades. Talvez o próximo passo seja aparecer em “Caras”. A vaidade, a vaidade… Não é só o dinheiro que move a humanidade.

Quem matou Kevin?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O rapaz de 17 anos que irá se apresentar à polícia como autor do disparo do sinalizador que matou Kevin Espada parecia, na entrevista ao “Fantástico”, mais preocupado em salvar a pele dos 12 brasileiros detidos na Bolívia do que com qualquer outra coisa. Se foi ele o autor do disparo ou não, não sei, embora seja “conveniente” o fato de ser menor de idade.

O que acho é que faltam muitas coisas a esclarecer e que seguem no ar depois das declarações do rapaz à TV Globo.

Não perguntaram, mas continuo curioso por saber quem bancou a viagem dele à Bolívia. E a viagem dos demais, inclusive dos 12 detidos, um dos quais aparece como um dos responsáveis pelas finanças da Gaviões. Tampouco entendi como se pode comprar na rua 25 de Março, em São Paulo, sinalizadores marítimos. Que loja vende tal artefato, um artefato naval que pode matar e matou em Oruro? Como mais ninguém sabia de nada, se 2 dos 12 detidos na Bolívia estavam com sinalizadores semelhantes ao que o garoto diz ter usado? Quer dizer que no intervalo do jogo ele foi perguntar para a polícia se alguém tinha se ferido do outro lado e a resposta foi que estava tudo bem? Só soube da morte do boliviano mais tarde, quando já estava no ônibus? Há muitas, muitas coisas obscuras.

Seguimos sem saber que foi o autor do disparo e parece que ninguém se importa com o que ocorreu com Kevin. Mesmo na hora em que pediu desculpas à família do garoto de 14 anos, incentivado por uma pergunta do repórter Valmir Salaro, fez questão de incluir pedido de desculpas aos familiares dos 12 corintianos presos em Oruro, que segundo o jovem não têm relação nenhuma com o acontecido.

Talvez, como muita coisa no Brasil, a história acabe em pizza. Ou em medidas socioeducativas.

Avenida Brasil

domingo, 21 de outubro de 2012

Para o bem ou para o mal o Brasil é uma das bolas da vez e tem recebido cada vez mais a atenção da mídia internacional.

Na semana que passou duas notícias daqui ganharam destaque no exterior. Uma delas foi a repercussão de “Avenida Brasil”, novela da Globo cujo último capítulo foi exibido na sexta e parou parte do país. Não faltaram menções ao Divino, às cenas de futebol do fictício subúrbio do Rio e à paixão do brasileiro por telenovelas.

Meios de comunicação dos Estados Unidos, Espanha, França, Portugal, Alemanha e Austrália lembravam que o final da novela ganhou até do futebol em termos de audiência _a final da Libertadores, entre Corinthians e Boca, teria dado 47 pontos contra 51 do último capítulo de “Avenida Brasil”, a maior média do ano.

O outro assunto que esteve em pauta nada tinha a ver com TV. Foi, novamente, o caos no setor aereo, com a crise das principais companhias brasileiras, as deficiências dos maiores (e também dos menores) aeroportos nacionais e o estouro de um pneu de avião em Viracopos (Campinas), ocasionando seu fechamento por cerca de dois dias e o cancelamento de 512 voos.

E enquanto as obras para a Copa continuam caminhando devagar, quase parando, avançando apenas as dos estádios, o brasileiro segue ciclotímico. Um dia acha que o país é o melhor do mundo, no outro diz que é o pior, como se nunca existisse um meio-termo. Mas isso já é assunto para um outro dia… Bom domingo a todos, Janca

Em defesa dos atletas

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Posso estar equivocado, mas senti uma certa revolta ou irritação de parte do público brasileiro com a atuação de alguns atletas em Londres, especialmente em competições individuais.

Fabiana Murer foi criticada nas redes sociais por não ter tentado o último salto, dizendo-se prejudicada pelo vento. Rafaela Silva, desclassificada por um golpe ilegal no judô, trocou ofensas com internautas e depois se desculpou. Cesar Cielo mostrou-se irritado com os seguidos questionamentos sobre seu bronze e muitos não aceitaram sua justificativa de que estaria desgastado por ter tentado a sorte em outra prova antes, não focando na que é especialista. Ah! Só para não deixar de lado esportes coletivos, as meninas do handebol foram “acusadas” de descontrole emocional nas quartas de final, quando caíram diante da Noruega, depois da belíssima campanha na primeira fase.

Não acho que todo atleta seja “santo” ou não possa errar, vitórias e derrotas fazem parte da vida, o que acho é que o foco tem de ser outro. Deve estar na condução do esporte brasileiro. Em vez de criticar os atletas, por que não questionar os dirigentes? São eles que recebem e administram verba pública (meu, seu, nosso dinheiro) e devem responder pelos gastos e investimentos que fazem ou deveriam fazer.

Os atletas têm o direito de estar em um mau dia, caso da Fabiana Murer, ou de estar em um bom dia, caso do Arthur Zanetti, ouro nas argolas.

Acho que psicologia do esporte é uma ferramenta importantíssima e não sei se tem sido usada adequadamente. Estamos em um país em que não é raro ver atletas tirando dinheiro do próprio bolso (ou de pais, amigos e familiares) para custear seus treinamentos, ou seja, muitas vezes psicologia esportiva é um sonho de consumo. E um sonho distante…

Há muito a melhorar. Mas ainda assim acho que nossos atletas nos representaram bem em Londres. Os que venceram e os que saíram sem medalha, o que não quer dizer que tenham perdido. Muito pelo contrário.

Feio acho o que aconteceu nas quartas de basquete entre França e Espanha, jogo que terminou em briga na quadra, com os espanhóis acusados de terem deixado o Brasil vencer no encerramento da primeira fase, a fim de fugir do confronto contra os Estados Unidos antes da final. Mais feia ainda a declaração do ala-pivô Pau Gasol sugerindo que o Brasil, sim, teria feito corpo mole, poupando inclusive Nenê do jogo. Se fizemos pouco caso do jogo, o que não vi acontecer, por que vencemos?

Se faltou espírito olímpico _e faltou_ foi para a Espanha. Caímos diante da Argentina, mas saímos de cabeça erguida no basquete masculino e o trabalho tem de continuar.

Em diversas modalidades, porém, caso da natação e do atletismo, muito tem que mudar. Sem falar em esportes em que poderíamos ser fortes, como na luta olímpica, para ficar em apenas um exemplo, e nos quais quase nem figuramos.

Em vez de cobrar os atletas, cobremos quem está acima deles. São eles que devem explicações. E que adoram um holofote nas vitórias, mas na hora das derrotas muitas vezes deixam os atletas sós, dando a cara a bater.

Volto a postar na próxima terça, dia 14, mas até lá, dentro do possível, sigo respondendo os comentários de vocês. Bom final de Olimpíada a todos, João Carlos

Onda de violência

segunda-feira, 2 de julho de 2012

E não é que a violência na capital paulista começa a ganhar repercussão internacional? A crescente onda de arrastões e assaltos em condomínios residenciais e restaurantes e  onda de ataques a PMs e ônibus em São Paulo foram temas de programas na TV da Holanda e da Dinamarca. E ambos lembravam que a cidade será palco de abertura da Copa de 2014.

Num dos programas ainda apareceram imagens da apuração do Carnaval paulistano, que terminou em briga, vandalismo e tumulto dentro e fora do Anhembi.

No outro foi mencionado um joguinho (ou “game”, como preferirem) criado no exterior sobre a violência urbana, tendo São Paulo como foco. No jogo em questão um turista acaba se perdendo numa favela paulistana e sofre uma série de ataques e agressões. O jogador tem que livrar o estrangeiro das ameaças que ele enfrenta.

Enquanto isso o governador Geraldo Alckmin segue dizendo que está tudo sob controle, mesmo discurso do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Secretário que, aliás, tirou dois dias de licença na semana passada durante os distúrbios para viajar a Buenos Aires. Foi torcer pelo Corinthians na partida de ida da final da Libertadores. Deve ter voltado satisfeito com o empate de 1 a 1. Já com a violência de São Paulo, que continua, sei não, sei não…

A imagem do MMA

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A mídia que apoia o MMA e segue atrás da audiência e do retorno publicitário que as artes marciais mistas têm rendido tenta mudar a imagem do esporte para atingir um público ainda maior. A ideia é desassociá-lo da imagem de violência. Logo criaram o slogan de que “quem sobe no octógono não briga, luta”. E que os lutadores são colegas de trabalho e amigos dos adversários fora do ringue. E pais de família. Como se ser pai de família significasse muita coisa… Há pais de família e pais de família…

Mas, enfim, lá veio Anderson Silva e quase jurou de morte seu próximo adversário, o norte-americano Chael Sonnen. Disse o seguinte: “Ele é um marginal, a escória do esporte. Teve problemas com a Justiça e com doping. É um imbecil. Dia 7 vou acabar com a cara dele e com cada um dos seus dentes. Ele vai apanhar, apanhar muito. Muita gente vai ficar assustada. Vai ter perna quebrada, braço quebrado, cara quebrada, vou quebrá-lo todo. Vai sair de maca lá de dentro e precisar de uma plástica.”

Não condiz com a imagem que a Globo, por exemplo, tenta passar do esporte. Mas Dana White, presidente do UFC, vibrou. Quer bater o recorde de venda de pay-per-view. E para ele, talvez, se um dos dois tiver que fazer uma plástica depois da luta, ok. Mais audiência. Já eu sigo preferindo acompanhar futebol e a Olimpíada, que está quase aí. Menos de um mês pra começar.