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O dinheiro na privada

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reproduzo aqui, pra quem quiser comentar, texto que publiquei ontem no diário LANCE!. Boa quarta a todos, Janca.

“Não canso de bater na tecla, mas ainda acho que vale insistir e bater e bater e bater. Na tecla. Enquanto o povo brasileiro vê o legado da Copa ficar cada vez menor, o gasto com o evento não para de crescer.

Outro dia assisti a discurso da senadora Ana Amélia (PP-RS), em que reclamava que o “investimento” público em estádios para o Mundial era estimado em 2,1 bilhões de reais quando o Brasil se tornou sede em 2007. E não é que, segundo a senadora e jornalista, que tive a oportunidade de conhecer em 1997, durante cobertura de visita de Fernando Henrique à ONU, o valor já chegou à casa de 6,9 bilhões de reais? Ou seja, mais do que triplicou. Descaso total com o dinheiro do contribuinte. E as coisas vão ficando por isso mesmo como se devessem ser assim. Como se não houvesse um outro caminho, quando há. E um deles é punir os responsáveis por tamanha irresponsabilidade com a verba pública. Entre eles os dirigentes esportivos que se perpetuam no poder. Em entidades que chamam de privadas, mas que de privadas não têm nada. Ou talvez tenham tudo. Afinal os gastos são públicos, mas os benefícios, pelo jeito, não.

A própria intervenção do governo no Comitê Organizador Local da Copa-2014, enfraquecendo os cartolas brasileiros, tirando a independência do COL e repetindo o que já acontecera na África do Sul, em 2010, mostra o descaso como o evento vinha sendo tratado. Sem comando. Não que agora, nas mãos de Aldo Rebelo, indicado para o Esporte porque a pasta foi terceirizada para seu partido, o PCdoB, a fim de contentar a base aliada de Dilma, a coisa vá melhorar. Porque a irresponsabilidade é dos cartolas, mas também dos políticos que vivem de mãos dadas.

E enquanto todos falam da Copa parece que se esquecem que dois anos depois teremos os Jogos Olímpicos no Rio. E que o comitê organizador está nas mãos de quem “organizou” o Pan de 2007, aquele que deixou um legado sofrível para os cariocas e o Brasil e em vez de gastar os prometidos 400 e tantos milhões de reais acabou fechando as contas na casa de 3,7 bilhões de reais.

Se a história fosse diferente poderíamos ter muitos ganhos com os Jogos, como Londres está tendo com os de 2012. Toda uma região degradada da cidade acabou sendo revitalizada. Há melhoras no transporte público e nos setores de turismo, hotelaria e segurança. Não por acaso o projeto e a organização da Olimpíada londrina foram temas centrais das eleições locais, que deram vitória ao prefeito Boris Johnson, reeleito para mais quatro anos. E isso em tempos de massacrantes derrotas para o Partido Conservador, criticado pela condução da economia e a ameaça de recessão, sem falar no escândalo das escutas clandestinas do magnata Rupert Murdoch, que envolvem membros do governo do premiê David Cameron. E entre os conservadores Johnson já surge como alternativa de poder ao próprio Cameron. Enquanto isso nos trópicos…”

Rio-16 x Atenas-04

segunda-feira, 12 de março de 2012

Escuto muita gente comparando a realização dos Jogos de 2016, no Rio, com os de 2004, em Atenas. E dizendo que o colapso econômico da Grécia tem relação com a Olimpíada que o país realizou, gastando uma fortuna que não tinha, assim como a Copa, em 2014, e a Olimpíada, dois anos depois, podem prejudicar muito o Brasil, especialmente por conta dos orçamentos que tendem ao infinito.

Discordo da comparação. E digo o porquê. No caso grego os Jogos foram apenas uma gota no oceano, como podemos constatar diante dos recentes acontecimentos que culminaram com o maior calote da história. Desde o ano passado ficamos sabendo que um dos grandes problemas foi que os políticos gregos simplesmente maquiaram as contas de 2003 a 2009 apresentadas à União Europeia.

Antes mesmo dos Jogos de Atenas a Grécia vinha gastando muito mais do que podia e apresentava uma contabilidade fictícia à UE. Depois da crise de 2008 os reais gastos do país começaram a vir a público e a Grécia teve de admitir que não teria como pagar sua dívida.

Gastou o que não podia também com a Olimpíada de 2004? Sim, mas seguiu gastando depois em todos os setores um dinheiro que não tinha. E que agora não tem como pagar.

A responsabilidade, portanto, não está com os Jogos Olímpicos, mas com os políticos e o governo grego que foram irresponsáveis em todos os sentidos, contraindo dívidas que sabiam que não teriam como bancar.

Quem também lembra do prejuízo dos Jogos de Montréal, em 1976, cujas contas só foram fechadas recentemente, para criticar o do Rio-2016, parece se esquecer de outros, como Los Angeles, em 1984, ou Moscou, quatro anos antes, que se mostraram lucrativos.

Não acho que o Brasil tenha que lucrar com a Olimpíada e a Copa, mas acho que deveria fazer o máximo para receber os dois eventos sem obras superfaturadas e desvio de dinheiro e deixando um legado para a população. Que muitas vezes é maior do que o esportivo. É um legado para a autoestima e para a imagem do país, além de um legado que pode ficar para o dia a dia do cidadão e contribuinte, como a melhoria da mobilidade urbana e das instalações esportivas, para citar apenas dois exemplos.

Mas da mesma forma que pode ser um legado positivo para a autoestima, pode ser um legado negativo se o exemplo do Pan for repetido. Com promessas aqui e acolá e no final um legado quase inexistente e custos multiplicados por dez.

Por enquanto, com a Copa de 2014, a imagem que passamos para nós mesmos é de incompetência e falta de planejamento, com tudo deixado para a última hora. Da Olimpíada pouco se fala ainda pois o Mundial tem ofuscado o evento que acontece dois anos depois. Mas uma hora vamos acabar falando dela…

Precisamos encontrar nossa fórmula, que não deve ser a do atraso, da falta de planejamento e do superfaturamento.

Não é porque a Grécia implodiu que vamos seguir o mesmo caminho. Até porque, repito, a Grécia implodiu não por conta da Olimpíada, como insistem alguns por aí. O problema foi muito maior do que os gastos com 2004. Muito maior…

As joias da Coroa

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A estrutura de funcionamento do esporte grego é parecida com a do brasileiro. Dinheiro do governo vai para a confederação olímpica que o repassa, de acordo com critérios próprios, às federações. Exceção é o futebol masculino, que vive com recursos privados.

Com a crise econômica do país, os cortes nos gastos com a preparação de atletas para Londres-2012 chegaram a 84% do previsto em 2008, logo após a Olimpíada de Pequim. A expectativa é que o país obtenha duas medalhas de bronze, nada mais que isso.

Pior: a Olympic Properties S/A, estatal montada para gerir o legado dos Jogos de 2004, quebrou. Como não tem sequer condições de manter a estrutura básica criada para o evento, colocou tudo que estava em seu poder à venda. São as joias da Coroa, como brincam os gregos.

Sem interessados na compra no mercado europeu, não é que já cogitam vender a estrutura para gigantes asiáticos? O problema: se a venda se concretizar, será por valor bem inferior ao investido no começo da década passada pelo governo grego. Falta de planejamento dá nisso…

Fifa põe pressão em Natal

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Em outubro, quando a Fifa anunciará os palcos de abertura e final da Copa de 2014, Natal terá de dar uma série de explicações aos dirigentes da entidade sob o risco de ser cortada como uma das 12 sedes do evento.

As preocupações com os preparativos da capital do Rio Grande do Norte para o Mundial não são de hoje. As obras no estádio, que será construído na área que era ocupada pelo Machadão, começaram há uma semana, atraso de 17 meses.

Com isso, assim como o Fielzão, em São Paulo, a arena poderá ser entregue apenas em fevereiro de 2014, a quatro meses do início da Copa. Só que, ao contrário do Corinthians, que conseguiu todas as garantias para erguer seu estádio em Itaquera, Natal ainda sofre para viabilizar o seu.

Sem falar que não houve preocupação devida com o uso da Arena das Dunas, o estádio da Copa em Natal, pós-Mundial. Uma das ideias é criar um espaço multiuso, mas no legado existe a intenção de ocupá-lo bastante com o futebol, sendo que o do Rio Grande do Norte anda em baixa e teria que ser “revitalizado”. Só shows não garantiriam sua manutenção, o que pode gerar a criação de um elefante branco na cidade.

Outro ponto preocupante diz respeito à estrutura aeroportuária, que corre risco de ficar pronta dois meses depois do Mundial. A atual é extremamente defasada e não tem dado conta de atender à demanda de cerca de 2 milhões de turistas e passageiros que passam por ano pelo Estado.

A mobilidade urbana também inquieta, pois a rede de transporte coletivo está obsoleta, os ônibus estão longe de atender aos interesses da população e os congestionamentos são constantes.

Apesar de tanto a Prefeitura quanto o governo do Estado insistirem que Natal estará em ótimas condições para receber jogos da Copa e alegarem ter total apoio de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, a situação segue complicada.

Por isso, a Fifa fará uma forte fiscalização na cidade em outubro, com o intuito de ter uma definição e riscá-la ou não como cidade-sede. No total são 12, mas o próprio governo federal já cogita reduzi-las para 10, dadas as dificuldades enfrentadas pela maioria delas para se preparar para o evento.

A hora do não à Fifa

domingo, 7 de agosto de 2011

Ontem conversei com dois economistas _Bráulio Borges e Francisco Pessoa_ que me deram vários argumentos contra a Copa no Brasil.

Saí do almoço pensando que o Brasil tem que bater os pés e não fazer o que a Fifa manda. Simplesmente abaixar a cabeça e seguir as ordens de uma entidade atolada num mar de lama, repleta de denúncias de corrupção e com a imagem arranhada em todos os cantos do mundo, não.

Economista-chefe da LCA, uma das principais consultorias econômicas do país, Bráulio Borges conta que esteve recentemente em Cape Town, na África do Sul, e que muitos defendem que o estádio construído para a Copa de 2010 seja demolido, pois ficou um elefante branco difícil de ser mantido.

Algo semelhante se deu com a estrutura montada para os Jogos de Pequim, em 2008, com várias arenas sem utilidade, assim como com a dos Jogos de Atenas, em 2004, que custa ao governo mais de 100 milhões de dólares por mês apenas para manutenção.

Resultado, no caso da Grécia, que estava à beira de quebrar e foi socorrida pelo FMI e pela Comunidade Europeia: o governo não vai mais manter a estrutura e deve entregá-la praticamente de graça para a iniciativa privada.

No Brasil, como bem apontaram Borges e Pessoa, a questão do legado não foi discutida. E o que se vê nos preparativos da Copa-2014 e dos Jogos-2016 é uma repetição do que tivemos no Pan-2007. O orçamento subiu de pouco mais de 400 milhões para 3,8 bilhões de reais e o legado foi praticamente nulo. Um dos maiores escândalos esportivos deste país e ninguém caiu com isso. Pelo contrário, o mesmo grupo é o que comanda os preparativos para os Jogos de 2016.

Segundo Borges e Pessoa, teremos uma série de elefantes brancos no Brasil, especialmente no Norte e Nordeste, num claro desperdício de dinheiro público.

No Sul e Sudeste possivelmente não, mas arenas como Fielzão, Maracanã e Mineirão serão construídas com dinheiro do contribuinte e não privado, ao contrário do que disse Ricardo Teixeira quando o Brasil garantiu o direito de sediar a Copa, em 2007.

Como praticamente nada foi feito até o início deste ano e as obras começaram a cerca de três anos do Mundial, os preços são mais altos, as empreiteiras ganham mais e os contribuintes só perdem com o novo cenário.

O metro de metrô construído fica mais caro porque tudo tem prazo para ficar pronto: 2014, no caso da Copa, e 2016, no caso da Olimpíada. E quem paga a conta, repito, somos nós.

Não se pensou nas arenas _e no seu uso pós-Copa_, não se fez um plano de mobilidade urbana (transportes, incluindo o setor aeroportuário), nem um para fomentar o turismo no Brasil.

Muita gente vem para ver os dois eventos? Sim. Mas e quantos deixam de vir por conta da confusão e dos preços que sobem quando eles acontecem? E não voltam mais nem recomendam uma visita ao país aos amigos por conta da desorganização e da falta de infraestrutura local?

Na África do Sul o turismo não cresceu depois da Copa, em julho de 2011 voltou a nível semelhante a julho de 2006 e a rede hoteleira de três das principais cidades do país chegou a ficar no primeiro semestre com capacidade ociosa de 76%. Sim, de 76%.

Na Alemanha em 2010 o turismo foi similar ao que era em 2005, ou seja, pouco mudou depois do Mundial de 2006.

Os taxistas, só para citar um exemplo, foram ou serão treinados para receber estrangeiros? Há algum plano para ensinar noções básicas de inglês a eles? Não, nada, nada, nada.

É certo o Rio ter gasto mais de 100 milhões de reais em 1999/2000 para preparar o Maracanã para o Mundial de Clubes, mais de 300 milhões em 2006/2007 para prepará-lo para o Pan e agora 1 bilhão de reais para a Copa de 2014? Sendo que o argumento para investir mais de 300 milhões no estádio em 2007, para o Pan, era que ficaria preparado para atender às exigências da Fifa. Não ficou e o dinheiro foi para o lixo.

E por que a Fifa exige tanto de países como África do Sul e Brasil, mudando seu “padrão” de 20 anos para cá? Pois na Copa de 1994, nos Estados Unidos, não foi preciso construir 12 estádios, as arenas foram adaptadas, muitas com estrutura provisória, para abrigar a Copa, mas… as empreiteiras não lucraram como na África do Sul ou no Brasil.

Por que não preparar o Pacaembu para receber jogos do Mundial em SP? Porque construir novos estádios dá dinheiro. Para as empreiteiras e… Gostaria de acreditar que para mais ninguém. Mas dá dinheiro. E o lucro da Fifa é cada vez maior. Cada vez maior.

Se dissermos um grande não à Fifa e fizermos a Copa do nosso jeito, não sob o comando de Teixeira e cia., duvido que ela a tire daqui. Mas vale correr o risco, pois do jeito que as coisas estão é prejuízo na certa. Como o próprio ministro do Esporte, Orlando Silva, confessou em relação ao Pan de 2007, o governo abriu as torneiras no fim para evitar um fiasco internacional.

Fiasco que já ocorre, pois o mundo todo sabe que estamos com problemas para organizar os dois eventos, o que arranha nossa imagem. Estamos mais atrasados do que a África do Sul a três anos do Mundial e do que a própria Rússia, que organizará a Copa de 2018. Ou seja, e o prejuízo para a “marca Brasil”? Ninguém fala disso?

Por que os organizadores não se mexeram em 2007 e deixaram tudo para a última hora? Por que o governo pouco fez depois do auge do caos aéreo, em 2007, deixando tudo para ser resolvido agora, às vésperas do Mundial? É legal gastarmos 50 bilhões de reais num trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio _e o preço fica cada vez mais caro a cada dia que nos aproximamos da Copa e dos Jogos_ quando a verba poderia ser usada em metrô e na melhoria de transporte público urbano em SP e Rio, cidades onde o trânsito é caótico e que serão “beneficiadas” pelo trem-bala?

O mais grave é que o Brasil soube oficialmente que seria a sede da Copa em 2007, mas pelo menos um ano e meio antes disso já tinha a informação de que o Mundial seria na América do Sul e que seríamos candidatos únicos ou no máximo teríamos um concorrente fraco, pois a Argentina não se candidataria. Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino, cuja saída do cargo tem sido pedida nas ruas por estudantes e torcedores, é amigo íntimo de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, cuja saída tem sido pedida nas redes sociais. Saída da presidência do Comitê Organizador Local e da própria CBF, onde se eterniza no poder desde 1989.

Enfim, chegou a hora de o Brasil peitar a Fifa e de o governo peitar Teixeira. Pois não adianta fazer faxina apenas no Ministério dos Transportes. A faxina tem que ser maior. O Pan de 2007 continua como exemplo a não ser seguido. Mas o que se vê é a repetição do Pan. Com orçamentos estratosféricos, obras de última hora, tudo feito às pressas, preocupação zero com o legado esportivo e social e o povo, sem escolas e um sistema de saúde decente, pagando as contas. Até quando?

Memória curta

sábado, 30 de julho de 2011

As acusações contra Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e cia. e as dificuldades de ambos para lidar com a mídia e a opinião pública têm ajudado Carlos Arthur Nuzman. Porque a péssima organização da Copa de 2014 ofusca o que está sendo feito _ou não está sendo feito_ para os Jogos de 2016.

Nuzman, diferentemente de Teixeira, é um sujeito simpático, muito bem articulado, gentil, que sabe como lidar com a imprensa e circula bem no governo federal.

Para citar apenas um exemplo, quando Agnelo Queiroz tornou-se ministro do Esporte no governo Lula, Nuzman e o COB passaram a chamar a lei que destina parte dos recursos das loterias federais ao comitê de Lei Agnelo-Piva, em homenagem ao político do PCdoB.

Até então era conhecida apenas como Piva, pois o principal responsável por ela era considerado o empresário Pedro Piva, que chegou ao Senado como suplente de José Serra (PSDB-SP). Mas quando Agnelo virou ministro a coisa mudou e ele foi contemplado pelo COB com a mudança no nome da lei.

Agnelo Queiroz não é mais ministro, é governador do Distrito Federal e se encontra no Rio para fazer lobby por Brasília, pois quer vê-la como palco de abertura da Copa de 2014, o que dificilmente deve acontecer _a tendência, no momento, é que a sede escolhida seja mesmo SP.

Mas não é que a Secretaria de Comunicação do Governo do DF solta um comunicado intitulado “Brasília brilha em evento da Fifa” enaltecendo Agnelo e elogiando sua experiência por, segundo ela, o então ministro ter viabilizado o Pan de 2007? Ninguém vê que o que os organizadores da Copa e os dos Jogos de 2016 têm de fazer é tudo diferente do que foi feito para o Pan? Que o Pan foi uma vergonha e é um exemplo a não ser seguido?

O atual ministro do Esporte, Orlando Silva, reconhece que os Jogos teriam sido um fiasco se a União _com o nosso dinheirinho_ não tivesse aberto as torneiras e colocado um caminhão de dinheiro para, aí sim, viabilizá-los. Como já está ocorrendo com a Copa de 2014 e com a Olimpíada de 2016, da qual a mídia e o povo parecem ter se esquecido, pois o Mundial acontece dois anos antes.

Ninguém mais se lembra que os Jogos custaram quase 4 bilhões de reais quando o orçamento inicial era pouco superior a 400 milhões de reais? Que o legado para o Rio foi mínimo? Que os mais de 300 milhões de reais investidos no Maracanã eram para deixar o estádio pronto para receber jogos da Copa e que isso nunca aconteceu? Tanto que o estádio foi colocado abaixo e serão necessários mais de 900 milhões de reais para reconstruí-lo para o Mundial, num dos grandes escândalos da administração esportiva do país?

O povo do Rio e a população brasileira foram ludibriados se pensarmos que não tiveram o Pan que havia sido prometido nem pela quantia que deveria custar.

E Agnelo segue todo prosa, assim como Cesar Maia, prefeito do Rio responsável pelo Pan e possível candidato a vereador nas próximas eleições, sem falar no próprio Nuzman, que apesar do estouro no orçamento dos Jogos de 2007 segue não só no comando do COB, mas também do comitê organizador dos Jogos de 2016. Dos quais, repito, poucos falam pois Teixeira, ele sim um elefante em loja de cristais, chama a atenção de todos.

Tirar Teixeira da organização da Copa de 2014 é essencial, mas os problemas no esporte brasileiro infelizmente não se resumem a ele. Definitivamente o buraco é mais embaixo.

SP em Londres-2012

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Anteontem fiz uma crítica a Gilberto Kassab e à ida de Walter Feldman, que deixou o PSDB e é aliado do prefeito paulistano, para Londres, pago pelos contribuintes paulistanos, para acompanhar os preparativos para os Jogos de 2012, já que o Brasil receberá os de 2016.

Quem quiser reler minhas críticas pode ir ao post intitulado “Beatriz Segall”. Sim, começo a falar da atriz para chegar ao esporte e à política.

Walter Feldman e Gilberto Kassab deram explicações a este colunista sobre a importância de SP ter um representante em Londres, apesar de eu lembrá-los que os Jogos de 2016 serão no Rio. Por que o Rio não manda um representante _e até agora não mandou_ e SP sim? Porque SP tem que trabalhar para o Rio? Nada contra os cariocas, que adoro como adoro o Rio, onde morei durante dois anos e fui muito feliz. O Rio talvez seja minha cidade preferida no Brasil ao lado de Maceió…

Mas a questão não é essa. Por que mandar Feldman como representante paulista para Londres? Pago, repito, pelos contribuintes paulistanos?

Kassab e Feldman deram suas explicações e as conclusões ficam com vocês. De meu lado, digo que concordo com boa parte do que foi colocado por ambos e que, o trabalho sendo feito, SP tem muito a ganhar. Ou seja, podemos mudar de ideia. E eu muitas vezes mudo. Sou um ser em constante mutação…

Então vamos lá:

A ideia teria vindo de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB que encabeça também a organização dos Jogos de 2016, mas não seria só dele. Também já estaria na cabeça de Kassab, segundo diz o prefeito. São Paulo, de acordo com Feldman e Kassab, quer se preparar para grandes eventos. Nada mais justo _quem diz sou eu. Ambos dão como certo que a abertura da Copa-2014 será em SP. Lembram que as delegações e os torcedores chegam antes e muitos ficam até 15 dias depois do Mundial. A passagem de Feldman por Londres poderia ajudar, portanto, também para a Copa de 2014. Ajudar, no caso, SP.

Sobre os Jogos de 2016, ambos dizem que não se trata de Jogos apenas do Rio de Janeiro, mas do Brasil. E que, como principal cidade do país, SP tem que se preparar para receber turistas no período, realizar eventos paralelos, mostrar sua gastronomia, vender a imagem da cidade, enfim. Querem ainda atrair empresas que farão serviços ligados aos Jogos do Rio para se estabelecerem em SP, além de realizar aqui uma série de seminários e workshops para empresários, já que se trata da cidade mais forte economicamente do país.

Mesmo os Jogos sendo no Rio, lembram que existe um movimento paralelo em cidades vizinhas de geração de negócios e investimentos e que SP não pode ficar parada, vendo o bonde passar. E aí concordo com eles.

Ambos querem ainda lutar para trazer não só outros grandes eventos, como a abertura da Copa de 2014, que deve mesmo ser em SP, mas ainda eventos de médio e pequeno porte. Pois todos eles geram negócios. E dinheiro. E empregos.

Segundo Kassab, Feldman não está restrito a Londres, tem ido a outras cidades da Inglaterra para ver o que elas estão fazendo para se beneficiar dos Jogos. E tem visto qual pode ser o legado não só para o Rio, mas especialmente para SP da Copa e de uma Olimpíada que não é em Sampa, mas será no Rio _aqui ao lado, portanto.

E Feldman ainda tem aproveitado para aprender sobre a revitalização de áreas urbanas em Londres para os Jogos de 2012, áreas antes deterioradas, algo que pode ser implantado em SP, que tem muitas regiões carentes de investimento, especialmente na Zona Leste e na Zona Norte, mas também em outras áreas. E isso pode ser importante, sim. Se conseguir trazer um pouco da experiência inglesa para Sampa seu período de seis meses em Londres terá sido válido. Contanto que a experiência seja de fato implantada na cidade.

Sobre seu salário, que é de cerca de 12 mil reais por mês, diz que Londres é caríssima _de fato é_ e que tem vivido sem grandes luxos na cidade, já que está lá para trabalhar.

Espero, sinceramente, que a iniciativa de Kassab e o trabalho de Feldman gerem bons negócios para São Paulo e que Londres sirva de exemplo para a melhoria de bairros tão carentes que temos por aqui. Não só em SP, mas também no Rio e em todo o Brasil.

Ah! E o Rio deve mandar um representante logo, logo para Londres, aliás mais de um, pois várias parcerias devem ser feitas com os ingleses, que devem dar uma mão para organizar a Olimpíada de 2016. Pois lá tudo tem sido muuuito bem feito. A um ano do início dos Jogos já está quase tudo pronto. E várias arenas custaram menos do que o previsto…

Teixeira e a “Piauí”

segunda-feira, 11 de julho de 2011

E não é que a primeira reação de Ricardo Teixeira sobre o perfil que a revista “Piauí” traça a seu respeito foi positiva?

A competentíssima jornalista Daniela Pinheiro acompanhou o presidente da CBF em Zurique e em Brasília e trouxe detalhes de sua intimidade, um retrato impressionante que mostra um homem destruído pelo poder. Porque Teixeira diz que está literalmente cagando para a mídia, que faz e acontece, que a seleção e a CBF são suas e a repórter vai mostrando a visão de mundo e a realidade de um homem que assusta o leitor… Pois é real. Tão real que a primeira reação de Teixeira foi… positiva.

Mas, segundo um assessor da CBF e também de acordo com um de seus principais aliados, que por motivos óbvios não querem ser identificados aqui, Teixeira considerou a reportagem honesta e ao lê-la pela primeira vez se mostrou satisfeito.

Achou que mandou um recado à Globo, que teria de tomar cuidado ao criticá-lo, pois quando o fez teve de exibir um jogo da seleção às 19h30 atrapalhando toda sua programação, outro para os demais órgãos de imprensa, que dariam traço de audiência, para o governo, que tem de respeitá-lo pois ele é o tal, para os patrocinadores da CBF, lembrando que jamais investiriam numa seleção e numa entidade envolvida em corrupção, ou seja, que creem em sua inocência das acusações que lhe são feitas e são seus parceiros…

Enfim, Teixeira viu a reportagem como extremamente positiva e não retira uma letra do que foi escrito. Só não gostou quando Daniela Pinheiro escreveu que ele aparenta mais do que os 64 anos que tem. Parece piada, mas não é.

Diante da repercussão negativa da matéria para Teixeira, ele foi aconselhado a ficar um pouco na moita e trabalhar para melhorar sua imagem. Pois foi convencido de que a reportagem não pegou bem. Que há certas coisas que a gente pode até pensar, só que nunca falar. Mas Teixeira chegou a um estágio em que de fato acredita que está acima do bem e do mal. É um estágio perigosíssimo. Para ele e para o Brasil. Pois se acha o dono da Copa de 2014. A Copa, como a seleção e a CBF, são dele, pensa. Quando são do Brasil.

É por isso que Dilma deveria agir e interferir para mudar o comando do Mundial.  Que não pode ficar nas mãos de Teixeira. Que ele continue no comando da CBF e da seleção, tudo bem. Ops, quer dizer, tudo mal, mas que não se meta na organização do Mundial. O Ministério do Esporte está complacente demais e chega a ser subserviente em relação a Teixeira, como se a Copa fosse realmente dele e ponto.

Já chega o que estamos vendo no Ministério dos Transportes, há anos nas mãos da turma do atual PR, que mais parece o “Partido da Republiqueta”, quando o transporte é um dos alicerces da Copa de 2014… Não é nem deveria ser do PR, como a Copa não é nem deveria ser de Teixeira.

Mas entendo que é um vespeiro danado e dois problemas bem sérios para a presidente resolver. Vai perder o apoio do PR no Congresso? Vai intervir e brigar com Teixeira e, consequentemente, com a própria Fifa, que não aceita interferência do governo no futebol? Por mais complicado que seja, chegou a hora de Dilma dizer sim e enfrentar o PR, mesmo que isso atrapalhe seus planos no Congresso, e enfrentar Teixeira, fazendo força para tirá-lo da organização da Copa.

Até concordo com algumas declarações do dirigente da CBF, concordo quando ataca o ex-governador Garotinho que só quer abrir uma nova CPI contra a CBF por interesses que sabemos quais são, com as críticas às duas últimas CPIs do futebol, que teve parlamentares, como Aldo Rebelo, que só faltaram fazer reverência a Ronaldo, chamado a depor numa delas. Mas daí a termos Teixeira como o homem a gerir a Copa de 2014 são outros 500. Simplesmente não dá.

Como quem geriu o Pan não deveria gerir os Jogos de 2016, já que o Pan foi um fiasco em termos de estouro de orçamento e legado para o Rio. Precisamos de mudanças e fiscalização sem vistas grossas. Fiscalização de verdade. E não de parlamentares e dirigentes esportivos que estão mais preocupados com outras coisas, entre as quais, no caso dos primeiros, muitas vezes apenas aparecer para a plateia, do que em realizar dois grandes eventos tão importantes para o Brasil. Para o Brasil, reafirmo.

O povo de olho…

terça-feira, 5 de julho de 2011

A pressão popular é importante para o governo tomar determinadas medidas ou recuar de algumas que pretende ou pretendia tomar.

Um bom exemplo é no caso do auxílio do BNDES para a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour. Diante da repercussão que não foi das mais positivas, Dilma Rousseff já age para que o banco não continue no processo de intermediar a transação. Ela demandaria nada mais nada menos do que 4 bilhões de reais da instituição financeira.

O mesmo se dá com o Ministério dos Transportes que teve sua cúpula demitida logo depois das denúncias da “Veja” sobre esquema de propinas na pasta. Dilma agiu bem rapidamente, o que é bom sinal.

E o mesmo pode se dar em relação aos gastos e investimentos com a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 se o povo ficar de olho.

Quando o Rio anunciou o projeto do Pan-2007, a prefeitura divulgara que o metrô chegaria à Barra da Tijuca e que não só o transporte mas o sistema de saúde também seria melhorado. No final nem uma coisa nem outra. E os gastos subiram de pouco mais de 400 milhões de reais para mais de 3,5 bilhões. Que o mesmo não aconteça com o Mundial e a Olimpíada de 2016. E que o legado seja algo concreto para o povo brasileiro, com melhora na infraestrutura do país e da cidade do Rio de Janeiro, não algo maquiado apenas para turista ver.

Como gerir um estádio?

sábado, 18 de junho de 2011

A administração de um estádio é uma das questões a serem debatidas em relação à Copa-2014.

Ricardo Teixeira insiste que o principal problema do país para receber o Mundial são os aeroportos, não as arenas esportivas. Eu diria que são os dois e muitos outros mais. Como a questão de quanto o evento vai custar para os cofres públicos. E agora a do famigerado sigilo sobre os gastos.

O Pan de 2007 começou com um orçamento de pouco mais de 400 milhões de reais. Foi crescendo, crescendo, crescendo e na hora de fechar as contas ultrapassou os 3,5 bilhões de reais. Com as obras dos estádios para a Copa no Brasil algo parecido já começou a ocorrer.

Mas além disso temos que discutir o legado. O que fazer dos estádios depois do torneio? Os Jogos de Sydney, em 2000, deixaram para a Austrália uma série de elefantes brancos. O mesmo ocorreu com os Jogos de Atenas, em 2004, com o agravante de que a conta ainda não foi paga e ninguém sabe se será, tamanha a crise econômica/financeira que atinge a Grécia.

Na África do Sul, dos dez estádios da Copa, quatro estão sendo bem geridos, um de forma razoável, mas cinco começam a ficar às moscas. Esse é um dos problemas que teremos de equacionar no Brasil.

Há diversos estudos de economistas. Um deles diz que uma arena de 70 mil a 80 mil lugares para ser mantida com eficiência, além de conseguir parceiros que comprem seus camarotes, por exemplo, deve ter pelo um grande evento por mês com 80% da capacidade do estádio ocupada, além de outros três com 60% de ocupação dos assentos. Isso manteria os investidores ativos e empenhados e a própria arena ficaria em evidência uma vez por semana, pelo menos.

O empresário J. Hawilla tem boas ideias para gerir estádios. Pensa em fazer como alguns na Europa, que além de jogos e shows, abrem suas portas para festas de casamento, bufês infantis, bons restaurantes, ou seja, acredita que a solução é aproveitá-los todos os dias do ano, não apenas uma vez por semana. Atividade constante. Resta saber se conseguiremos fazer isso no Brasil. Os sul-africanos até agora, passado quase um ano da última Copa, não têm tido êxito na questão. Nada indica que teremos aqui.