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Posts com a Tag ‘Kassab’

CTs em São Paulo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Prefeitura de São Paulo resolveu dar o direito a São Paulo e Palmeiras de ficarem mais 70 anos usando as áreas na Barra Funda onde os dois clubes construíram seus centros de treinamento.

Situados na mesma avenida (a Marquês de São Vicente), um ao lado do outro, e erguidos em terreno cedido pela Prefeitura há cerca de duas décadas, eles são usados para treinamento e alojamento dos profissionais, mas também pelas categorias de base dos dois clubes, ambos são considerados modelos de excelência.

A questão é que no lugar dos dois estava prevista a construção de um parque aberto à população.

Se quiserem saber o que acho da questão, respondo aqui. A Prefeitura deve repassar mesmo a área aos clubes pois não teria sentido pegá-la de volta agora e destruir os centros de treinamento.

Sei que ambientalistas reclamam dizendo que se trata de medida populista, que os clubes pagam uma fortuna para contratar jogadores e bancar salários milionários, que poderiam ir para outro espaço, mas discordo. É tarde para a Prefeitura voltar atrás.

O que poderia fazer _e aí sim acharia uma medida interessante_ era exigir uma contrapartida de São Paulo e Palmeiras pra que a situação seja regularizada e eles continuem a ocupar os terrenos. Mas isso duvido que faça. O prefeito Gilberto Kassab, que a meu ver faz péssima gestão na capital paulista, não vai querer comprar briga com os dois. Ainda mais em ano de eleição.

A Indy e o trânsito

domingo, 29 de abril de 2012

E não é que li ontem na “Folha” que São Paulo teve anteontem o sétimo maior congestionamento de sua história no período matutino?

Que fique de exemplo para as autoridades pensarem bem quando realizam grandes eventos nas metrópoles brasileiras. Como fica o interesse e e como ficam os direitos do cidadão “comum”? Aquele que vai ao trabalho e depois volta, muitos dos quais perdendo mais de quatro horas por dia em deslocamento, como fica?

O prefeito Gilberto Kassab, que há tempos abandonou a cidade para pensar em voos e projetos mais altos, como se São Paulo não passasse de um trampolim, parece que está gastando _o nosso dinheiro_ para realizar a prova da Indy o mesmo que gasta com a F-1, que dá um retorno pelo menos três vezes maior para o município. Usa a competição para se promover, como fazem outras tantas autoridades, e depois vai responsabilizar a chuva, os acidentes e o fato de ter sido véspera de feriado prolongado a sexta passada.

A chuva, os acidentes e o fato de ter sido véspera de feriado certamente contribuíram para o caos que mais uma vez dominou o trânsito da capital paulista na última sexta. Mas a Indy, responsável pela interdição de uma parte da Marginal Tietê, uma das principais vias de São Paulo, também.

Sigo dizendo que falta planejamento para os grandes eventos e os políticos parece que estão interessados apenas com a promoção pessoal, não com o povo. Isso agora aconteceu em São Paulo, mas no ano passado, para ficar apenas em outro exemplo, vi ocorrer no Rio, com os Jogos Militares.

E ó que Fórmula Indy e Jogos Militares, com todo respeito aos eventos, estão longe de ser paixões nacionais… Um ótimo domingo a todos, Janca

 

Ainda o Pacaembu

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A mistura entre o público e o privado costuma ser bem complicada. Até por isso sou radicalmente contra recursos públicos, mesmo via benefícios, em arenas de clubes de futebol.

Pelo jeito políticos como Gilberto Kassab, que abriu as pernas para o Corinthians e agora quer ajudar São Paulo, Palmeiras e Lusa, não pensam assim. Pois estão de olho nas urnas e querem contentar torcedores de todos os times. Como se a cidade de SP não tivesse outras prioridades como investir em saúde, educação e transporte.

Após dar 420 milhões de reais em benefícios ao Timão, viabilizando a construção do Fielzão, Kassab ajudou a afastar do Pacaembu seu principal cliente e agora não sabe direito o que fazer do estádio.

Representantes da Prefeitura até tiveram uma boa ideia, atrair o Santos para jogos na capital, que não sei como e se de fato será viabilizada.

Se for, menos mal para o Pacaembu, o estádio mais charmoso da cidade. Se não for, o que será feito para gerenciar e tornar rentável o local? Lembrando que em dois anos todos os grandes clubes de SP terão arena própria…

O Pacaembu deixará de ser palco de futebol? Passará para a iniciativa privada? A que preço? Como elefante branco?

E se formos pensar que foi a própria Prefeitura que “trabalhou” para prejudicá-lo não é de matar? Ajudou o Corinthians e atrapalhou o futuro do Paulo Machado de Carvalho, que logo, logo irá se despedir do seu principal cliente.

Espero que, apesar de Kassab e cia., sobreviva, embora reconheça que tenha minhas dúvidas. E bote dúvidas nisso.

Pacaembu para o Santos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Prefeitura de São Paulo espera definir depois do período de festas o que fazer com o Pacaembu.

Como o Corinthians, único time paulistano que faz do estádio sua casa, logo, logo terá arena própria, a ideia é atrair o Santos para o local.

Em janeiro representantes da capital paulista vão contactar a direção santista e propor que o time passe, pouco a pouco, a usar o Pacaembu, revezando suas apresentações entre o estádio municipal e a Vila Belmiro.

Que benefícios serão oferecidos ao time praiano para atuar na capital ainda não está definido.

Além de contar com a “ajuda” do Santos para manter o Pacaembu ativo após 2014, quando o Fielzão tiver sido inaugurado, a Prefeitura de SP planeja remodelar o estádio.

O setor do tobogã deve ser destruído e a área de estacionamento, aumentada, inclusive com a construção de dois estacionamentos subterrâneos.

Outra ideia é usar o Pacaembu para shows que não incomodem tanto os moradores da região e eventos religiosos, algo que já tem acontecido atualmente.

Mas que seria uma pena o futebol deixar de ser praticado no Pacaembu, seria. É o estádio mais charmoso e o melhor de se ver jogos que a capital paulista tem. Dá de 10 a 0 no Morumbi, no Palestra e no Canindé.

A luta por um quarteirão

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Quem mais deve lucrar com a Copa? Os mesmos _ou as mesmas_ que podem faturar com o fim de uma das poucas áreas verdes do bairro paulistano que conhecemos como Itaim Bibi. Os tocadores _ou tocadoras_ de obras. Construtores e empreiteiras.

Gilberto Kassab, do PSD, segue com o objetivo de vender um quarteirão do Itaim que reúne escola, posto de saúde, biblioteca municipal, creche, posto da Apae para que sejam construídos prédios de luxo no local.

O prefeito alega que, com os 200 milhões de reais que o município receberia, construiria 200 novas creches pela cidade.

O projeto foi aprovado pelos vereadores, mas está parado pela Justiça, porque a área ainda pode ser tombada.

Não é por morar no bairro que sou contra a venda do quarteirão, até porque nem costumo frequentar o local, que usei muito quando criança. Mas tocar obra por tocar, encher os bolsos de empreiteiros, aumentar o crescimento desordenado da cidade, tirar uma das poucas áreas verdes que ainda temos, erguer um espigão atrás do outro, nada disso pode ser política de governo.

Como não pode ser política de governo tratar os projetos de infraestrutura da Copa ou da Olimpíada como se fossem imediatistas, fazendo um puxadinho aqui outro acolá, sem pensar no legado para os cidadãos, que são quem vão pagar a conta.

As obras e os holofotes

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O valor total das obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014 ainda não é claro. Das 12 cidades-sede sete nem começaram a se mexer.

O caso mais grave é o de São Paulo, maior cidade do país e que quer ser palco da abertura da Copa. O valor varia de acordo com a fonte consultada. Segundo informações iniciais da Prefeitura, governo do Estado e União, a ideia inicial era gastar pouco mais de 2,8 bilhões reais com mobilidade urbana na capital paulistana. O valor, porém, já ultrapassou a casa dos 4 bilhões e não há certeza sobre onde terminará.

Lembrando que a cidade teve quase quatro anos, desde o anúncio oficial de que o Brasil seria sede da Copa-2014, para investir pesado em transporte coletivo. E agora faltam menos de três anos para o início do Mundial.

Prefeitura, governo do Estado e União seguem batendo cabeça, mas com ou sem obras iniciadas, com ou sem orçamentos fechados, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin já avisaram o Comitê Organizador Local que irão à Suíça, em outubro, assistir ao anúncio do palco de abertura do Mundial. Apostam todas as fichas no Fielzão. Tanto que o próprio Alckmin, que prometera não colocar um centavo em arena privada, já disponibilizou mais de 50 milhões de reais para ampliar o futuro estádio do Corinthians, montando uma estrutura móvel que aumente sua capacidade e atenda às exigências da Fifa para o jogo inaugural. Na hora do holofote todos querem brilhar.

Futebol e a festa de Maluf

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A festa de aniversário de Paulo Maluf, um dos piores governantes da história de São Paulo, que chegou a ser preso por corrupção e teve prisão decretada nos Estados Unidos, remete-nos ao livro de George Orwell, a “Revolução dos Bichos”.

Para quem não se lembra na obra do inglês os porcos fazem uma conspiração contra os humanos e no final, depois de tomarem o poder, passam a agir como eles.

Fiquei surpreso _mas não deveria ter ficado_ ao ler que Geraldo Alckmin esteve na Sala São Paulo para dar os parabéns ao aniversariante, assim como Gilberto Kassab e o vice-presidente da República, Michel Temer, só elogios a Maluf, hoje deputado federal. PSDB, PSD e PMDB todos interessados no apoio de PP, o partido de Maluf.

Maluf, que conseguiu a proeza de tornar seu sobrenome origem de um verbo cujo significado é constrangedor para quem é Maluf e não tem parentesco algum com o ex-governador ou para quem tem mas nunca compactuou com ele. 

Ao observar as fotos publicadas por ocasião de seus 80 anos fiquei pensando na CPI CBF-Nike na Câmara dos Deputados, que tantas acusações levantou contra Ricardo Teixeira.

Não é que Aldo Rebelo, um dos principais acusadores do presidente da CBF, hoje está ao lado de Maluf, justificando sua presença na festa por se tratar de “um acontecimento social”?

Silvio Torres, que como Rebelo foi um dos líderes na apuração e levantamento das denúncias contra Teixeira, foi nomeado secretário da Habitação por Alckmin depois de não ser reeleito deputado federal pelo PSDB e viu seu “patrão” badalando o governador da ditadura.

Rebelo e Torres que escreveram um livro sobre a CPI e as denúncias contra Teixeira hoje talvez tenham se arrependido do que colocaram no papel… Torres não sei, mas Rebelo… Rebelo apagou seu próprio passado. E a foto com Maluf diz tudo. Com uma oposição como essa, Teixeira pode respirar tranquilo. O país é que não.

Marta e o Turismo

sábado, 13 de agosto de 2011

Não, não quero entrar na polêmica das prisões ligadas a escândalos no Ministério do Turismo, embora faça duas observações. A primeira é que, por mais que possa ser criticado neste espaço, acho constrangimento imoral o vazamento das fotos dos presos, processo parecido com o que viveu o ex-prefeito Celso Pitta, detido _e algemado para a imprensa ver_ há alguns anos. A segunda é que temos que ter cuidado com escutas telefônicas, pois algumas _não todas, mas algumas_ podem ser tiradas do contexto e o contexto é importantíssimo para entendermos melhor dada situação.

Como digo que o contexto é importante, quero salientar que votei várias vezes em Marta Suplicy, inclusive para o Senado e para a Prefeitura de SP, em Gilberto Kassab não votaria de jeito nenhum. Tampouco tinha a menor simpatia por Pitta, que citei anteriormente e em quem nunca votei nem votaria, embora minha grande ojeriza, apesar de não a conhecer pessoalmente, seja por sua ex-mulher, Nicéia Pitta.

Em relação à Marta, apesar de ter votado nela, tenho uma série de restrições. Comandou o turismo e não foi boa ministra. Aquela frase no mínimo infeliz _”relaxa e goza”, foi mesmo isso o que ela disse?_ revela, antes de mais nada, total desconhecimento do que é o turismo no Brasil. Pois para ela parecia ser apenas o de lazer, quando hoje _e São Paulo é prova disso_ o turismo de negócios é fortíssimo. Ela não levava isso em conta? O que fez para diminuir o caos aéreo, por exemplo?

Mas como prefeita acho que foi a melhor _ou menos pior, sim menos pior é melhor (rs)_ que SP teve depois de Luíza Erundina, a melhor prefeita da capital paulista dos últimos tempos.

O turismo é um dos pontos cruciais a serem trabalhados por conta da Copa de 2014 e dos Jogos de 2016. Mas alguém sabe o que foi feito até agora? Se souberem, me avisem, por favor, pois não vejo um planejamento para a pasta. Não vejo nada, tirando as denúncias de corrupção.

Termino este post citando trecho da coluna de Marta Suplicy, sim, a senadora voltou a ser colunista da “Folha”, em que ela diz: “Um sistema (ela se refere ao londrino, por conta dos distúrbios na Inglaterra) que desemprega e humilha nos faz entender o porquê de uma multidão obedecer a um tuíte… (e badernar).” Encerra falando do Brasil, um país, segundo Marta, em que “ainda existem possibilidades de oportunidades e ascensão social”, pois “o futuro da juventude brasileira não é de declínio, é de esperança”. Ela vive no Brasil??? Não sei, mas entre ela e o Kassab ainda votaria nela. Se bem que prefiro Fernando Haddad como o candidato do PT e uma hora explico o porquê. Ou explico agora. Porque creio que ele investiria forte em educação, como fez Erundina há duas décadas. O Brasil precisa disso: educação, educação, educação e saúde, claro.

SP em Londres-2012

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Anteontem fiz uma crítica a Gilberto Kassab e à ida de Walter Feldman, que deixou o PSDB e é aliado do prefeito paulistano, para Londres, pago pelos contribuintes paulistanos, para acompanhar os preparativos para os Jogos de 2012, já que o Brasil receberá os de 2016.

Quem quiser reler minhas críticas pode ir ao post intitulado “Beatriz Segall”. Sim, começo a falar da atriz para chegar ao esporte e à política.

Walter Feldman e Gilberto Kassab deram explicações a este colunista sobre a importância de SP ter um representante em Londres, apesar de eu lembrá-los que os Jogos de 2016 serão no Rio. Por que o Rio não manda um representante _e até agora não mandou_ e SP sim? Porque SP tem que trabalhar para o Rio? Nada contra os cariocas, que adoro como adoro o Rio, onde morei durante dois anos e fui muito feliz. O Rio talvez seja minha cidade preferida no Brasil ao lado de Maceió…

Mas a questão não é essa. Por que mandar Feldman como representante paulista para Londres? Pago, repito, pelos contribuintes paulistanos?

Kassab e Feldman deram suas explicações e as conclusões ficam com vocês. De meu lado, digo que concordo com boa parte do que foi colocado por ambos e que, o trabalho sendo feito, SP tem muito a ganhar. Ou seja, podemos mudar de ideia. E eu muitas vezes mudo. Sou um ser em constante mutação…

Então vamos lá:

A ideia teria vindo de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB que encabeça também a organização dos Jogos de 2016, mas não seria só dele. Também já estaria na cabeça de Kassab, segundo diz o prefeito. São Paulo, de acordo com Feldman e Kassab, quer se preparar para grandes eventos. Nada mais justo _quem diz sou eu. Ambos dão como certo que a abertura da Copa-2014 será em SP. Lembram que as delegações e os torcedores chegam antes e muitos ficam até 15 dias depois do Mundial. A passagem de Feldman por Londres poderia ajudar, portanto, também para a Copa de 2014. Ajudar, no caso, SP.

Sobre os Jogos de 2016, ambos dizem que não se trata de Jogos apenas do Rio de Janeiro, mas do Brasil. E que, como principal cidade do país, SP tem que se preparar para receber turistas no período, realizar eventos paralelos, mostrar sua gastronomia, vender a imagem da cidade, enfim. Querem ainda atrair empresas que farão serviços ligados aos Jogos do Rio para se estabelecerem em SP, além de realizar aqui uma série de seminários e workshops para empresários, já que se trata da cidade mais forte economicamente do país.

Mesmo os Jogos sendo no Rio, lembram que existe um movimento paralelo em cidades vizinhas de geração de negócios e investimentos e que SP não pode ficar parada, vendo o bonde passar. E aí concordo com eles.

Ambos querem ainda lutar para trazer não só outros grandes eventos, como a abertura da Copa de 2014, que deve mesmo ser em SP, mas ainda eventos de médio e pequeno porte. Pois todos eles geram negócios. E dinheiro. E empregos.

Segundo Kassab, Feldman não está restrito a Londres, tem ido a outras cidades da Inglaterra para ver o que elas estão fazendo para se beneficiar dos Jogos. E tem visto qual pode ser o legado não só para o Rio, mas especialmente para SP da Copa e de uma Olimpíada que não é em Sampa, mas será no Rio _aqui ao lado, portanto.

E Feldman ainda tem aproveitado para aprender sobre a revitalização de áreas urbanas em Londres para os Jogos de 2012, áreas antes deterioradas, algo que pode ser implantado em SP, que tem muitas regiões carentes de investimento, especialmente na Zona Leste e na Zona Norte, mas também em outras áreas. E isso pode ser importante, sim. Se conseguir trazer um pouco da experiência inglesa para Sampa seu período de seis meses em Londres terá sido válido. Contanto que a experiência seja de fato implantada na cidade.

Sobre seu salário, que é de cerca de 12 mil reais por mês, diz que Londres é caríssima _de fato é_ e que tem vivido sem grandes luxos na cidade, já que está lá para trabalhar.

Espero, sinceramente, que a iniciativa de Kassab e o trabalho de Feldman gerem bons negócios para São Paulo e que Londres sirva de exemplo para a melhoria de bairros tão carentes que temos por aqui. Não só em SP, mas também no Rio e em todo o Brasil.

Ah! E o Rio deve mandar um representante logo, logo para Londres, aliás mais de um, pois várias parcerias devem ser feitas com os ingleses, que devem dar uma mão para organizar a Olimpíada de 2016. Pois lá tudo tem sido muuuito bem feito. A um ano do início dos Jogos já está quase tudo pronto. E várias arenas custaram menos do que o previsto…

Beatriz Segall

terça-feira, 26 de julho de 2011

A atriz Beatriz Segall, que completou 85 anos, foi entrevistada pelo “Jornal da Tarde”,  jornal do Grupo Estado que tinha a melhor seção de esportes no final dos anos 70, começo dos 80, e fez uma declaração importante. Ao falar sobre corrupção no Brasil e criticar nossos políticos, definiu-a dizendo que não se trata “só” do ato de roubar, mas de quem está despreparado para determinado posto aceitá-lo pois lhe convém pessoalmente.

Raramente vemos a meritocracia premiada no sistema público brasileiro, principalmente por parte daqueles que encabeçam os ministérios e, em vez de se cercarem de técnicos competentes, fazem as vagas serem ocupadas por políticos, parentes e amigos de políticos que podem lhes trazer benefícios futuros, inclusive mais força ao governo na Câmara e no Senado. Conhecemos bem a história do apadrinhamento…

Ele também se dá no esporte onde CBF e COB são geridos como se fossem empresas privadas, como se tivessem donos, já que seus presidentes se perpetuam há décadas no poder e podem empregar quem quiserem. O pior é que os dois comitês organizadores locais para a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 são encabeçados justamente pelos dois principais dirigentes da CBF e do COB, o que, por si só, facilita possíveis e novos apadrinhamentos.

Vou deixar um pouco CBF e COB de lado, especialmente a CBF, da qual já tratei bastante nos últimos posts, para lembrar apenas um dos casos “malucos” da política brasileira. Não é que São Paulo tem um representante em Londres para estudar iniciativas da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016? Pago pelos contribuintes paulistanos. Eu pergunto: Não deveria ser o Rio com um representante em Londres e não SP? Os Jogos de 2016 não serão no Rio? Mas o que o prefeito Kassab faria com seu amigo Walter Feldman, que saiu do PSDB e é seu aliado? Presenteou-o com pelo menos um semestre na Inglaterra, recebendo 12 mil reais por mês dos cofres públicos. E Feldman ainda reclama que é pouco pois a cidade é cara. Então que não fosse morar lá!

Feldman, apesar de ter sido enviado para a Europa por Gilberto Kassab, prefeito de SP, já se colocou à disposição do Rio para ajudar os cariocas no que for preciso. Pois deve ter percebido, assim como Kassab, que os Jogos de 2016 não são em SP… Ironia (minha) à parte, é um descalabro que, segundo Feldman, teve apoio de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB. O que Feldman está fazendo lá pelos paulistas? Não consigo entender, como não consigo entender como o médico Jorge Pagura, que se meteu em confusão na gestão de Celso Pitta na Prefeitura de SP, voltou à política para comandar a pasta de Esporte do governo do Estado. Para sair logo em seguida, sendo sua demissão aceita por Geraldo Alckmin devido a suspeitas de receber dinheiro público da saúde sem trabalhar.

Como cansa falar dessas coisas _para mim cansa_ prefiro voltar a Beatriz Segall, que muitos ainda “confundem” com a  Odete Roitman, de “Vale Tudo”, novela que fez história no Brasil.

Ela é muito mais que isso. Excelente atriz de teatro, estreará em setembro em SP a peça “Conversando com Mamãe”.  No período da ditadura militar teve importante papel combatendo o regime. Seu então marido, Maurício Segall, que vem a ser filho de Lasar Segall e, como o mundo é pequeno, primo-irmão de minha avó materna, chegou a ser preso pelos milicos. E Maurício e Beatriz fizeram um movimento de resistência no Teatro São Pedro, que compraram nos anos 60, a década do golpe.

Numa das festas de família, lembro de Beatriz comentando que seria muito culta se tivesse guardado na cabeça tudo o que já havia lido. Eu também penso assim. Seria culto se tivesse absorvido tudo o que já li, pois sou um leitor voraz, quase compulsivo.

Lembro também de Oscar, irmão de Maurício e ex-cunhado de Beatriz, já falecido, corintiano roxo. Muitas e muitas vezes encontrei-o no Pacaembu quando criança, sempre rodeado dos filhos e torcendo para o Timão. Sujeito simples, que sabia aproveitar a vida, Oscar era uma figura culta e admirável, acessível e acolhedora.

A última vez em que o vi foi num aniversário na casa do Maurício, em que Beatriz estava presente. Ela continua aí, atuante, ácida, crítica, fazendo arte e reclamando dos políticos brasileiros, mas pena que Oscar já tenha partido.