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O filho do outro

sexta-feira, 22 de março de 2013

Segue abaixo coluna que publiquei na última terça no diário LANCE! sobre os tristes episódios de racismo e xenofobia que seguem no futebol, vide a saudação nazista feita por um jogador grego ao comemorar um gol no final de semana passado. Que as autoridades fiquem alertas, como ficaram os gregos, banindo o atleta da seleção nacional:

“Se a organização da Copa de 2014 no Brasil segue dando dor de cabeça à Fifa, a história se repete quando o assunto é o Mundial da Rússia, quatro anos depois, embora por razões diferentes.  O racismo e a xenofobia seguem firmes na Europa e com vários tentáculos no futebol.

Nos últimos meses cânticos racistas viraram uma constante nos estádios russos, preocupando as autoridades europeias. O exemplo mais claro é o Zenit, cujos torcedores se rebelaram após a contratação do brasileiro Hulk, sob a inacreditável justificativa de que a cultura do clube é a de ter jogadores brancos.

Na Itália bananas ainda são levadas aos campos e atiradas em jogadores negros. Que o diga o atacante Mario Balotelli, um dos poucos que não levam desaforo pra casa.

Embora seja constante no Velho Continente, o problema não se restringe ao futebol europeu, que viu tristes episódios de racismo e beligerância na Euro-2012. Em Israel, o Beitar Jerusalém, clube que tinha a inconcebível política de só colocar judeus em campo, viu sua torcida se revoltar contra a contratação de dois jogadores muçulmanos da Chechênia. Do lado palestino não é diferente, tanto que a federação local refutou várias vezes tentativas de formar uma seleção misturada com judeus para disputar amistosos internacionais. Uma iniciativa que poderia ajudar a aproximar os dois lados pelo esporte. Ou pelo menos tentar fazê-lo.

Toco no assunto, que é gravíssimo e atual, porque ele mostra como o futebol reflete o que acontece na sociedade e a dificuldade que temos de nos colocar no lugar do outro. Vi, aliás, um filme interessante sobre isso. Não sobre futebol, embora dois dos personagens cheguem a aparecer com a camisa da Seleção Brasileira, idolatrada no Oriente Médio, e haja várias cenas com bola. “O Filho do Outro” conta a história de Joseph, que às vésperas de ingressar no exército de Israel, fica sabendo que foi trocado ao nascer com Yacine, criado por uma família palestina da Cisjordânia. A descoberta faz os dois reverem identidades, valores e crenças e perceberem que os outros também somos nós.

O filme deveria servir de reflexão não só para judeus e palestinos, mas para aqueles europeus que parecem não ter aprendido muito com a Segunda Guerra Mundial e seguem destilando seu veneno e entoando cânticos racistas em estádios de futebol. Cânticos que deveriam ser proibidos, porque nem tudo pode ser dito, inclusive em regimes democráticos. Por mais que possam argumentar que estou indo contra a liberdade de expressão, digo que não. É algo sobre o qual tenho refletido muito nos últimos tempos. Quando se dizem coisas que podem gerar preconceitos e prejudicar ainda mais grupos já excluídos ou minoritários, elas deveriam ser tratadas na esfera criminal. Pois incentivam e podem gerar reações de violência contra eles.

Que pensemos sobre tudo isso por aqui também, já que estamos longe de erradicar o problema, basta lembrar a escolha de um deputado racista e homofóbico para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.”

O provocador

sábado, 2 de junho de 2012

Hoje, às 16hs, no Museu do Futebol, em São Paulo, será exibido o longa “Sobre Futebol e Barreiras”, de que sou codiretor.

Parte do CINEfoot, um festival de cinema dedicado ao futebol, o documentário que fiz com três amigos, o jornalista Arturo Hartmann e os cineastas José Menezes e Lucas Justiniano, foi filmado em Israel e territórios palestinos durante a Copa de 2010.

Trata do conflito no Oriente Médio, da disputa por terra, do dia a dia dos cidadãos, da vontade de viver e, como não?, do futebol, que talvez apenas deixe mais evidentes as diferenças e as semelhanças entre todos nós.

Gosto mais de uns personagens do que de outros, concordo mais com uns do que com outros, mas todos tiveram o direito de se expressar, direito que é fundamental, estejamos ou não de acordo com o que digam. Afinal divergência de opinião faz parte da vida. Mas para que haja divergência _e diálogo_ ela tem de ser emitida.

O personagem com que talvez mais me identifique, não sei, é o Gregory, um judeu sionista que torce pela Alemanha. Não, não me identifico por ele torcer pela Alemanha, já que eu não torço, mas por algumas ideias que ele coloca, algumas posições, mesmo que polêmicas, e principalmente por ele se dizer um “provocador”.

Num país ainda tão marcado pela Segunda Guerra Mundial, uma das maiores carnificinas da história (se não a maior), torcer pela Alemanha mesmo hoje pode parecer estranho. Ainda que a Alemanha tenha mudado. E bastante.

Mas Gregory se diz um provocador. E dá uma risada. Mas eu fico me perguntando o que seria da nossa sociedade em geral sem os provocadores? Aqueles que provocam de uma maneira pacífica, claro, fazendo os demais pensarem? Os que não se acomodam, que lutam por um sonho, que saem do script? O que seria de nós se fôssemos todos iguais?

Divergir faz parte. Seja em relação ao caso Ronaldinho, no Flamengo, seja sobre a organização da Copa, a gestão de Aldo Rebelo no Esporte, as declarações de Romário, o novo presidente da CBF, o antigo, os governos e a forma de governar em geral. Debater é preciso. E o espaço aqui é justamente pra isso. Pro debate. Ótimo sábado a todos, João

O futebol na telona

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para quem gosta de futebol e cinema segue uma dica cultural que publiquei ontem no LANCE!, seguida de três notinhas, reproduzida aqui neste espaço para os internautas que por um motivo ou outro não tiveram acesso ao jornal:

“Não é tão comum a associação do futebol com outros campos artísticos, como cinema e literatura, embora nos últimos tempos tenham crescido as produções com o principal esporte do Brasil como pano de fundo ou até “pano de frente” no cenário. O futebol, que reúne histórias incríveis, algumas dramáticas, outras divertidas, umas mais pesadas, todas humanas, deveria ser mais bem explorado por cineastas e escritores. E acho que de um tempo pra cá isso tem acontecido, especialmente com filmes ligados a conquistas e histórias de clubes, caso do Santos no ano de seu centenário.

Para quem se interessa pelo assunto e quiser ver produções bacanas uma oportunidade é o CINEfoot, que se intitula o único festival de cinema do Brasil e da América Latina exclusivamente dedicado à exibição e promoção de filmes sobre futebol, e acontece no Rio e em São Paulo. Os cariocas terão a chance de ver os filmes de amanhã (sessão só pra convidados) a 29 de maio no Espaço Itaú de Cinema em Botafogo, e de 31 de maio a 3 de junho no Centro Cultural Justiça Federal. A edição paulistana será de 31 de maio a 5 de junho no Museu do Futebol e no Reserva Cultural. A entrada é franca.

A mostra competitiva, reunindo longas e curtas, terá 28 filmes, dos quais 15 brasileiros e 13 estrangeiros. Sou codiretor de um deles, o “Sobre Futebol e Barreiras”, filmado com três amigos em Israel e territórios palestinos durante a Copa de 2010, na África do Sul, com os personagens discutindo questões de identidade nacional, política (que lá como cá é complicada pacas), religião e, como não poderia deixar de ser, futebol.

Vejo com ótimos olhos a junção do esporte com o cinema que produziu filmes memoráveis. Um deles é “Machuca”, de Andrés Wood, que trata da amizade de dois garotos no ano do golpe militar no Chile que derrubou o governo de Salvador Allende. E lá na periferia do longa estão o campinho de futebol e a várzea num filme de um diretor que sempre foi fã do esporte, tanto que antes havia lançado “Histórias de Futebol”, reunindo personagens tocados tangencialmente pela bola.

Outro filme interessantíssimo é “Match” (ou “Partida da Morte”), que mostra os bastidores de um jogo épico de futebol, durante a invasão alemã a Kiev na Segunda Guerra Mundial. Os ucranianos, mesmo ameaçados de morte, reuniram força para enfrentar e derrotar os nazistas. Baseado no livro de Andy Dougan (“Dínamo: Defendendo a Honra de Kiev”), que comprei em 2001, em Londres, é um filme que recomendo. Como recomendo o livro. E ambos causam polêmica no Velho Continente por conta da Eurocopa, que será justamente na Ucrânia e na Polônia, com receio de que provoquem animosidade contra os alemães.

Do CINEfoot, “Machuca”, que é de 2004, não faz parte, mas há produções muito bem avaliadas como os alemães “Os Cervejeiros de Quilmes” e “O Outro Chelsea: Uma História de Donetsk”, o dinamarquês “Futebol é Deus” e o brasileiro “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”.”

* Canal 100: Grande homenageado do festival, o Canal 100, criado por Carlos Niemeyer, e representado por Alexandre Niemeyer, seu filho, terá seis documentários históricos, em sessões especiais, com raras imagens dos quatro grandes do Rio. O Santos, que fez cem anos, será tema de outros dois, que abordam o bi mundial de 1962/63 e o tricampeonato paulista de 1967/68/69, feito repetido agora por Neymar e Cia;

* De olho em 2014: Com vistas à Copa no Brasil, o CINEfoot vai realizar no Instituto Cervantes, também em Botafogo, no Rio, o seminário “Futebol: Cultura e Mercado”, que será dividido em dois módulos. O primeiro terá como tema “Cinema, Estética e Futebol: Canal 100” e o segundo, “Oportunidades para o Audiovisual Brasileiro em Tempos de Copa do Mundo”. O seminário, também com entrada franca, acontece na segunda;

* Projetos, projetos: Em 2004 participei de um grupo para gerar ideias de documentários sobre 13 dos principais times do país, projeto liderado por Rodrigo Teixeira, um dos produtores do filme sobre Heleno de Freitas. E sigo achando, como já achava lá atrás, que a invasão corintiana no jogo contra o Flu, em 1976, merece um baita documentário. Como merece a Lusa, time que adoro, mas essa é uma outra história.

SFB em POA

sábado, 3 de março de 2012

“Sobre Futebol e Barreiras”, longa de que participei com três amigos como um dos diretores, estreia no próximo dia 17 em Porto Alegre, no Cine Santander.

É uma oportunidade para quem gosta de futebol, política e religião discutir o que se passa no Oriente Mèdio, um dos nós das relações internacionais da atualidade.

Durante a Copa de 2010 mostramos o dia a dia de personagens judeus e palestinos, muitos dos quais amam o futebol mas não estavam representados na África, já que Israel só foi para uma Copa, a de 1970, e por questões de segurança tem de disputar as eliminatórias contra as fortes seleções da Europa, e a equipe palestina nunca participou de um Mundial, já tendo sido eliminada do de 2014, aqui no Brasil.

Com o futebol como pano de fundo os personagens discutem seu cotidiano, conflitos internos e externos, falam de esperança, sonhos, política, religião, segurança (ou falta dela), liberdade…

Há judeus que gostam, há judeus que não gostam, há árabes que gostam, há árabes que não gostam, mas quem não está envolvido diretamente com a questão tem nos dado retornos muito positivos.

O filme é uma forma de olhar para o outro com cuidado. E ver que os dois lados querem exatamente a mesma coisa. Quando humanizamos o conflito o discurso é semelhante. Mas a política e o fundamentalismo religioso estão aí para atrapalhar…

Os pais de um amigo meu, ambos judeus, viram e não gostaram nada. Acharam pró-palestino e saíram bem irritados. Mas o neto deles também viu e fez um comentário que achei interessantíssimo. Que finalmente estava entendendo o porquê do conflito e que os palestinos não são todos maus. Nos dois lados há interlocutores possíveis. E legítimos. Talvez faltem interlocutores nos governantes israelenses e palestinos, isso sim. Não no povo. Bom final de semana a todos, João

Capital estrangeiro na Copa

domingo, 29 de janeiro de 2012

Enquanto o governo brasileiro e os empresários brasileiros batem cabeça sobre a Copa de 2014, cujos investimentos em infraestrutura andam com passos de tartaruga, os estrangeiros começam a se mexer e a voltar os olhos para o evento. Atrás de lucros e boas oportunidades.

Em Mato Grosso, onde dois dos principais problemas são a falta de investimento em mobilidade urbana e hotelaria, um grupo israelense especializado em tecnologia, hotelaria e energia discute com o governo projetos para o Mundial de 2014, que incluem investimento no setor de transporte e apart-hotéis.

Já dois grupos noruegueses enviaram consultores ao Brasil de olho no turismo no Nordeste. Planejam investimentos em Pernambuco, Alagoas, que não terá jogos da Copa mas é tido como um dos cartões-postais da região, e Rio Grande do Norte. Pensam em investir em resorts e pousadas como fizeram portugueses e espanhóis na década passada em cidades como Porto de Galinhas (PE).

Há até xeque do Qatar, sede do Mundial de 2022, com projeto de investir em turismo na Amazônia de olho na Copa da Brasil.

A entrada de capital estrangeiro e a parceria com grupos de fora podem ser interessantes, embora eles estejam se aproveitando da falta de planejamento dos brasileiros, que deixaram tudo para a última hora e começam a entrar em desespero quando o assunto é Mundial e seus “puxadinhos” no reino do improviso.

Jogos Macabeus

sábado, 31 de dezembro de 2011

Na virada para 2012, quando o esporte costuma dar uma parada, seguem os Jogos Macabeus Pan-Americanos, evento que acontece em São Paulo até 2 de janeiro.

Reunindo os países do continente americano e mais três convidados _Israel, África do Sul e Austrália_, a competição reúne mais de 2 mil pessoas na capital paulista e tem como um dos objetivos a integração da comunidade judaica por intermédio do esporte.

É a terceira vez que a cidade recebe os Jogos Macabeus Pan-Americanos _as outras duas foram em 1967 e 1983.

Além de competições na Hebraica, há provas na USP, no Esporte Clube Pinheiros, no São Paulo Golf Club e no Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi.

Para os brasileiros, além de atrair turistas da comunidade judaica de 15 países, é uma chance de os atletas se prepararem para as Macabíadas _evento mundial_ cuja próxima edição será em 2013, em Israel.

Boa passagem a todos, um ótimo 2012, se bem que pelo calendário judaico já estamos em 5772, mas o calendário é o que menos importa. O principal é o que fazemos e vamos continuar fazendo das nossas vidas. E das vidas dos outros, pois ninguém é uma ilha, embora às vezes eu gostaria de ser.

O filme em Paraty

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Depois da polêmica entre defensores de Pelé e de Romário, hoje mudo o foco.

O documentário que fizemos em Israel e nos territórios palestinos durante a Copa de 2010 estreia em Paraty, depois de ter passado por Florianópolis e São Paulo. A sessão de “Sobre Futebol e Barreiras” será às 18hs, precedida pelo curta “Bailão”, como parte do Festival Internacional de Cinema de Paraty.

Uma oportunidade para quem mora na cidade ou estará por lá pra relaxar, afinal amanhã é sábado, início de feriado prolongado, e Paraty começa a encher já hoje à tarde.

Como disse em outras oportunidades o documentário discute o conflito no Oriente Médio tendo como pano de fundo o futebol e a Copa do Mundo. Não estarei lá devido a outros compromissos, mas os demais diretores, Arturo Hartmann, José Menezes e Lucas Justiniano, sim.

O filme é polêmico, alguns gostam, outros não, geralmente por questões políticas, mas a vida é polêmica e às vezes temos de nos posicionar. Não estamos aqui a passeio. Viver com cara de paisagem não dá, é passar pela vida como se não estivéssemos nela.

Aproveito, então, para indicar um blog. É o do Arturo, um dos diretores de “Sobre Futebol e Barreiras”, justamente sobre o Oriente Médio. Ele tem várias posições das quais discordo, mas entende do assunto (muito mais do que eu), escreve com propriedade, pesquisa e é um sujeito que respeito muito. Muito mesmo. Para verem que podemos conviver bem apesar das diferenças. Ou justamente por causa delas. O endereço, para quem se interessar, é https://1territorio.wordpress.com/

Putz, não é que até do endereço do blog discordo? Por que não dois territórios? Será porque ele defende um Estado e eu dois? _risos. Sei não… Mas como judeus e palestinos são um só ou deveriam ser talvez “1 território” como título seja de fato melhor… Desejo vida longa ao blog, mas curta ao conflito, embora isso pareça utopia nos dias malucos que vivemos hoje e sempre. Ótima sexta a todos, João

Ponto de vista

domingo, 23 de outubro de 2011

Sensação estranha ver documentário que realizei com três grandes amigos na telona. Cada espectador com uma visão. Uma cena, tantas percepções…

Continuo com minhas impressões. Imagens belíssimas, trilha sonora, idem, conteúdo controverso, boa parte do qual não reflete o que penso. Mas a viagem pessoal durante a produção de “Sobre Futebol e Barreiras” foi incrível. O exercício de tentar olhar o outro lado. De caminhar do micro para o macro e vice-versa.

Fico com uma imagem que representa o que penso, eu que defendo Israel _bem diferente de defender os políticos locais_ e adoro o Estado judeu. A do soldado israelense que joga bola com um garoto palestino. Cena que os árabes não queriam ver gravada e foi feita às escondidas. Pois há soldados e soldados, como há palestinos e palestinos, judeus e judeus, cristãos e cristãos, agnósticos e agnósticos, ateus e ateus.

Fico ainda com a frase de Yasser, palestino que mora em Israel. Quando diz que 80% do que chama de ”resistência à ocupação” é pacífica deixa claro que 20% não é.

Se 20% é marcada pela violência é porque a “resistência” palestina está no caminho errado.

Se os judeus têm de ceder e olhar com mais ternura para os palestinos, a recíproca é verdadeira, o que não tem acontecido. A via é de mão dupla, sempre de mão dupla.

Ótimo domingo a todos, João

Dia de estreia

sábado, 22 de outubro de 2011

Hoje mais uma vez deixo a política (brasileira) de lado pra falar da estreia do longa que fiz com Arturo Hartmann, José Menezes e Lucas Justiniano, três graaaaaaaandes amigos.

Vai ser interessante ver “Sobre Futebol e Barreiras” numa telona como a do Cinesesc, em São Paulo. E depois ainda passa “Laranja Mecânica” no mesmo local. Um clássico. O “Laranja Mecânica”, claro, não o nosso filme. Sou pretensioso, mas nem tanto…

A emoção é grande, mas não tanta quanto passar uma tarde brincando com meus sobrinhos Giovanna, Henrique e Gabriela. A vida é feita de pequenas grandes coisas. E mais das pequenas do que das grandes.

Um ótimo final de semana a todos, João

Futebol na Mostra

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Amanhã começa para o público a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Filme que realizei com três grandes amigos e excelentes profissionais, Arturo Hartmann, José Menezes e Lucas Justiniano, estará presente em cinco sessões.

“Sobre Futebol e Barreiras” estreia sábado, 19hs40, no Cinesesc, rua Augusta, 2.075. A segunda sessão será no Shopping Frei Caneca, domingo às 15hs50. A terceira, também no Frei Caneca, acontece segunda às 19hs10. No feriado de 2 de novembro passa no Reserva Cultural, av. Paulista, 900, às 17hs. E no encerramento da Mostra, dia 3, no Shopping Bourbon, às 15hs40.

Quem quiser poderá ver um pouco de futebol no cinema. Usamos o esporte como pano de fundo para mostrar o conflito no Oriente Médio entre árabes e judeus. Filmado durante a Copa de 2010, em Israel e nos territórios palestinos, mostramos o dia a dia dos personagens, angústias, dramas, sonhos, sempre com o futebol e a Copa de fundo.

A experiência de ter participado do filme, do qual sou um dos diretores, foi incrível.

Apesar de muitas divergências de opinião com o Arturo tanto sobre o conflito quanto sobre a região, aprendi demais com ele. Gosto de dizer que nos aproximamos pelas diferenças, mas também pelas semelhanças. Porque os caminhos são diferentes, mas o objetivo é comum.

Com o Lucas, além de dividir as gargalhadas na viagem, aprendi muito sobre acolhimento, amizade, respeito e tolerância. Muito mesmo.

E com o Zé, um dos sujeitos mais bacanas que conheço, não aprendi… nada. Brincadeira, aprendi demais. Ele é extremamente talentoso e um cineasta de muito futuro. Muito futuro mesmo.

Cada um trabalhando de um jeito deu sua contribuição ao filme, que está longe de ser a minha cara, mas que eu adoro por mostrar o pluralismo do pensamento judaico e também por humanizar o conflito, levando-o para o cidadão comum.

Devido a minhas origens judaicas, nasci em ventre judeu, concordo com alguns personagens, identifico-me mais com o Gregory, judeu que foi para Israel ainda criança, fugindo da extinta União Soviética, e é a contradição em pessoa. Mas gente fina pacas.

Como contraditória e também gente boa é a Reut, israelense revoltada com os políticos locais. E ó que ela não mora no Brasil…

Discordo veementemente de outros personagens, caso de Eytan, o que mais me irrita. Mas tudo isso faz parte da vida.

As fotos de viagem do Lucas e do Zé valem um livro, uma exposição, são fantásticas. Mas o texto de apresentação tem de ser meu e do Arturo. Aí vai dar divergência (risos).

O filme tem imagens belíssimas, belíssimas, belíssimas. E a trilha sonora é demais. Detalhe: nem as imagens nem as trilhas são minhas. Se fossem, não seriam belíssimas.

Enfim, fica a sugestão para quem estiver em São Paulo neste período. E mais informações no site do filme, www.sobrefutebolebarreiras.com.br, ok?

Sei que sou parcial, mas recomendo para quem gosta do assunto. Cada um sai com uma visão diferente. E se não gostar, fica o direito de vaiar, mas sair da sala não, pois aí terei problemas de autoestima (risos). Só não vale agredir, pois sou totalmente contra a violência, embora ache melhor receber vaias sinceras que aplausos falsos.