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Posts com a Tag ‘infraestrutura’

O vexame do Mineirão

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Pegou muito mal na Fifa e virou notícia no Brasil e no exterior o vexame que foi a reabertura do Mineirão, um dos estádios da Copa das Confederações e do Mundial do ano que vem.

Faltaram água e papel higiênico nos banheiros, os bares estavam fechados e os torcedores reclamaram da dificuldade de parar o carro para ver Cruzeiro x Atlético-MG. A Minas Arena, responsável pela administração do estádio, pediu desculpas ao público. Diz que a tendência é melhorar para os próximos jogos, mas será que a arena oferecerá boas condições em partidas de grande público, como foi o caso de domingo?

A Fifa já pediu explicações ao Comitê Organizador Local da Copa, que diz que providências serão tomadas, embora não tenha explicado quais.

O pior de tudo foi a chegada ao estádio, algo que não diz respeito diretamente à Minas Arena, mas ao poder público e ao governo de Minas Gerais. Transporte público é péssimo, pouco foi feito no tocante à mobilidade urbana, o trânsito estava caótico e o torcedor sofreu, inclusive nas mãos dos chamados flanelinhas, fora a falta de segurança fora do estádio. Um exemplo a não ser seguido, enfim.

Na semana anterior fora a vez do Castelão, que apresentou menos problemas _havia água, papel higiênico e bares abertos. Fora do estádio, no entanto, o trânsito também foi complicado, inclusive porque o investimento em mobilidade urbana acabou sendo menor do que o prometido.

No caso do estádio de Fortaleza, porém, a preocupação é o que fazer com ele depois da Copa, já que até a direção da CBF admite que ele tende a ser deficitário. E José Maria Marin, presidente da entidade e também do COL, limita-se a dizer “vamos ver, vamos ver”, mais preocupado que deve estar com a eleição na CBF. Que será em abril do ano que vem, antes da Copa, portanto. E seu candidato tem nome desde que assumiu a confederação: Marco Polo Del Nero, que é quem tem dado as cartas na CBF. Mais do mesmo, mais do mesmo. É a velha política de sempre. Seja no futebol, seja no Congresso Nacional.

Governo vê legado reduzido

domingo, 3 de fevereiro de 2013

No governo brasileiro já é dado como certo que o legado da Copa para o Brasil será muito menor do que o esperado. Teremos 12 ótimos estádios e… A expectativa é que uma série de obras de mobilidade urbana fiquem de fora da lista de prioridades para a Copa de 2014, já que não há mais tempo para boa parte delas sair do papel e ficar pronta até o início do evento.

Entre as cidades com obras para o Mundial canceladas ou adiadas estão Brasília, Fortaleza, Natal e São Paulo. Diante disso, o Conselho Monetário Nacional, preocupado que está com o baixo crescimento da economia brasileira, decidiu semana passada que projetos que não ficarão prontos até a Copa poderão contar com as mesmas condições de financiamento dos que estão sendo tocados para o evento.

Os benefícios que o Brasil poderia ter com o Mundial, portanto, serão menores do que o “vendido” para a população quando ganhamos o direito de abrigar a Copa, em 2007. Algo parecido com o que se deu com o Pan de 2007, quando o orçamento subiu demais (no caso decuplicou) e o legado acabou sendo pequeno, muito menor do que o prometido.

Nesse sentido achei interessante ler os pontos de vista de Ronaldo e Romário, respondendo pergunta da “Folha de S.Paulo” na edição de hoje, sobre o Brasil estar ou não aproveitando o potencial da Copa. O primeiro, que faz parte do Comitê Organizador Local da Copa, alegando, entre outros motivos, que a Copa “vai mexer com a autoestima dos brasileiros” e “trazer uma mudança de mentalidade”. Discordo dele. A “autoestima” pode ser reduzida dada a incapacidade de o país se organizar para o evento em campos como o hoteleiro, o de mobilidade urbana, o dos aeroportos e o da infraestrutura em geral. E a mudança de mentalidade não consigo ver com uma CBF comandada por José Maria Marin, o COL, idem, e agora o Senado nas mãos de Renan Calheiros. Concordo com o que escreveu Romário, segundo o qual “um país só é bom para os turistas se antes for bom para o seu próprio povo”.  E pelo jeito não será.

Londres congestionada

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Três amigos meus chegaram ontem a Londres e contaram ter demorado quase cinco horas para sair do aeroporto, que estava um caos, e se dirigir ao hotel onde estão hospedados.

Alguns podem dizer que o problema, então, não acontece só nos aeroportos brasileiros, como o de Guarulhos, que importante jornalista norte-americano definiu no início da semana como um dos círculos do inferno ou algo do gênero. Mas há uma diferença. Londres recebe os Jogos Olímpicos, São Paulo, neste momento, vive apenas o período de férias escolares, não tem nenhum evento especial. As enormes filas nos nossos aeroportos são de praxe, fazem parte do dia a dia do brasileiro, quando a história poderia ser diferente.

O mesmo vale para o trânsito londrino. Está congestionado? Está. Aos mais de 7 milhões de habitantes da capital inglesa vão se juntar cerca de 1 milhão de visitantes por dia até o final dos Jogos, em 12 de agosto. E parte das ruas ficará fechada para o percurso dos “cidadãos comuns”, priorizando a chamada “família olímpica”. Quando a cidade retomar a rotina normal, o inglês terá uma rede maior de transporte público, já que ampliada por conta dos Jogos, e poderá demorar menos do que a média diária que leva para ir e voltar do trabalho.

Em Londres, o trabalhador perde, em geral, cerca de 1 hora no trânsito. Em algumas cidades do Brasil, como São Paulo e Rio, chega a perder até 4 horas por dia. Isso sim poderia diminuir. Com ou sem Copa no Brasil, com ou sem Olimpíada. Mas que estes dois grandes eventos, um em 2014, o outro em 2016, poderiam ser usados como “pretexto” para melhor a mobilidade urbana no país, poderiam. O povo agradeceria. Se isso fosse feito e sem superfaturamento e sem sobrepreço, claro, enfim, sem nada dessas “coisas” que lemos todos os dias nos jornais. E tempo para isso ainda há. O que falta, talvez, seja vontade política. Vontade e, por que não dizer?, competência também.

 

Brasil em foco

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Com a Copa do Mundo de 2104 e os Jogos Olímpicos de 2016 por aqui, o Brasil tem conquistado cada vez mais atenção da mídia internacional. Para o bem e para o mal.

A imprensa alemã prepara especial sobre o número de assaltos em caixas eletrônicos no país, que tem crescido assustadoramente nos últimos tempos. Bem como do perigo do uso de cartões magnéticos, clonados aqui e acolá.

O furtos em aeroportos de São Paulo também são alvos de reportagem, mas de emissora de TV francesa. Teriam crescido quase 50% em um ano, aproximando-se de 300 casos com registro na polícia apenas no primeiro bimestre de 2012. Isso incluindo as ocorrências em Congonhas e Guarulhos.

E há muitos estrangeiros reclamando da dificuldade de fazer boletim de ocorrência ou de prestar queixa. É, a coisa não vai ser fácil… Nem em 2014 nem em 2016. Como já não é fácil hoje.

Capital estrangeiro na Copa

domingo, 29 de janeiro de 2012

Enquanto o governo brasileiro e os empresários brasileiros batem cabeça sobre a Copa de 2014, cujos investimentos em infraestrutura andam com passos de tartaruga, os estrangeiros começam a se mexer e a voltar os olhos para o evento. Atrás de lucros e boas oportunidades.

Em Mato Grosso, onde dois dos principais problemas são a falta de investimento em mobilidade urbana e hotelaria, um grupo israelense especializado em tecnologia, hotelaria e energia discute com o governo projetos para o Mundial de 2014, que incluem investimento no setor de transporte e apart-hotéis.

Já dois grupos noruegueses enviaram consultores ao Brasil de olho no turismo no Nordeste. Planejam investimentos em Pernambuco, Alagoas, que não terá jogos da Copa mas é tido como um dos cartões-postais da região, e Rio Grande do Norte. Pensam em investir em resorts e pousadas como fizeram portugueses e espanhóis na década passada em cidades como Porto de Galinhas (PE).

Há até xeque do Qatar, sede do Mundial de 2022, com projeto de investir em turismo na Amazônia de olho na Copa da Brasil.

A entrada de capital estrangeiro e a parceria com grupos de fora podem ser interessantes, embora eles estejam se aproveitando da falta de planejamento dos brasileiros, que deixaram tudo para a última hora e começam a entrar em desespero quando o assunto é Mundial e seus “puxadinhos” no reino do improviso.

A média de Kassab

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, agora quer ajudar São Paulo, Palmeiras e Portuguesa depois de ter dado uma bela mão para o Corinthians com benefícios fiscais de 420 milhões de reais para erguer o Fielzão.

Um erro não justifica o outro. Ou os outros. Errou ao ajudar o Timão e agora vai fazer média auxiliando os outros três?

Será que a cidade não tem outras prioridades? Saúde, educação e transporte, por exemplo?

Mas 2012 é ano eleitoral, então…

Como político Kassab é uma vergonha. Fundou o PSD repleto de denúncias de irregularidades e a nova geração de integrantes de seu partido terá aulas de ética… Com Kassab? Espero que não.

O alcaide, cria de Celso Pitta, não tem nada que gastar dinheiro público em estádios e projetos de futebol, sejam eles ligados a Corinthians, Palmeiras, Portuguesa ou São Paulo. Mas é justamente o que vai fazer. O que não se faz, aliás, para ganhar uma eleição?

A luta por um quarteirão

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Quem mais deve lucrar com a Copa? Os mesmos _ou as mesmas_ que podem faturar com o fim de uma das poucas áreas verdes do bairro paulistano que conhecemos como Itaim Bibi. Os tocadores _ou tocadoras_ de obras. Construtores e empreiteiras.

Gilberto Kassab, do PSD, segue com o objetivo de vender um quarteirão do Itaim que reúne escola, posto de saúde, biblioteca municipal, creche, posto da Apae para que sejam construídos prédios de luxo no local.

O prefeito alega que, com os 200 milhões de reais que o município receberia, construiria 200 novas creches pela cidade.

O projeto foi aprovado pelos vereadores, mas está parado pela Justiça, porque a área ainda pode ser tombada.

Não é por morar no bairro que sou contra a venda do quarteirão, até porque nem costumo frequentar o local, que usei muito quando criança. Mas tocar obra por tocar, encher os bolsos de empreiteiros, aumentar o crescimento desordenado da cidade, tirar uma das poucas áreas verdes que ainda temos, erguer um espigão atrás do outro, nada disso pode ser política de governo.

Como não pode ser política de governo tratar os projetos de infraestrutura da Copa ou da Olimpíada como se fossem imediatistas, fazendo um puxadinho aqui outro acolá, sem pensar no legado para os cidadãos, que são quem vão pagar a conta.

Fifa pressiona Natal

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jérôme Valcke avisou o governo brasileiro que atraso nas obras de infraestrutura preocupam muito a Fifa.

No encontro com Dilma Rousseff lembrou que a Matriz de Responsabilidade para a Copa de 2014 acordada com as cidades-sede não está sendo cumprida. E citou nominalmente o caso de Natal. Quer uma posição mais detalhada da União sobre o que se passa na capital do Rio Grande do Norte até o próximo dia 20, quando acontece a reunião do Comitê Executivo da Fifa e serão anunciados os palcos de abertura e encerramento do Mundial, além do nome das cidades que abrigarão a Copa das Confederações, em 2013.

O caso de Natal é emblemático. O resultado do leilão de concessão do Aeroporto São Gonçalo do Amarante foi suspenso devido a recurso do consórcio Aeroportos Brasil, segundo colocado, contra o Inframérica, que ficou em primeiro e ganhara a disputa. A construção do estádio Arena das Dunas começou com 17 meses de atraso e ele não ficará pronto até dezembro de 2012, como havia sido prometido. Para piorar, nenhuma das obras previstas de mobilidade urbana segue cronograma inicial para 2014.

Na reunião do próximo dia 20, na Suíça, o Comitê Organizador Local deve apresentar à Fifa plano B para Natal seguir como uma das 12 cidades-sede.

Um dos pontos é trocar o São Gonçalo do Amarante pelo Augusto Severo, aeroporto que seria ampliado para a Copa caso o primeiro não fique pronto a tempo para o evento. A questão é que o Augusto Severo também enfrenta problemas na Justiça. Há pelo menos dez investigações em andamento apurando denúncias de irregularidades na gestão do aeroporto.

Se pensarmos que estamos a poucos dias de completar quatro anos do anúncio do Brasil como sede da Copa veremos que Natal é apenas o retrato mais claro de como o país se prepara para o Mundial. Pelo jeito não aprendemos nada com o Pan, que deveria ser usado como exemplo a não ser seguido. A cartilha parecer ser a mesma. Legado mínimo e custo final das obras nas alturas. E que se dane o contribuinte brasileiro. Uma pena.

 

Fifa ataca governo Dilma

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Na reunião do Comitê Executivo da Fifa em 20 e 21 de outubro em Zurique, na Suíça, a entidade quer pressionar o governo Dilma Rousseff em relação aos preparativos da Copa de 2014.

Inconformada com os atrasos nas obras e com o recente anúncio de que o Maracanã não será mais finalizado em 2012, como prometido anteriormente, mas apenas no início de 2013, a Fifa partirá para o ataque e pedirá um relatório atualizado da situação no país.

Aproveitando a presença de políticos brasileiros, entre os quais governadores e prefeitos de Estados e cidades que serão palco dos jogos da Copa, vai pressioná-los em relação a questões de infraestrutura, como reforma e construção de estádios, mobilidade urbana e a crise do setor aeroportuario.

A Fifa, que na ocasião irá anunciar os locais de abertura e encerramento do Mundial, também reclamará da demora para emissão de vistos de trabalho a seus funcionários e da morosidade para adequar a legislação brasileira a suas exigências.

Joseph Blatter repetirá o discurso de que está mais complicado trabalhar com Dilma do que com Lula e vai apoiar seu amigo Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, que está cada vez mais escanteado pela presidente da República.

 

A aposta de Romário

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A menos de mil dias para o início da Copa, Romário continua insistindo que três ou quatro cidades não estarão com os estádios prontos para o evento, a mesma opinião que manifestou há mais de um mês em entrevista ao grupo “Estado”.

O ex-jogador, hoje deputado, acredita que no final o país acabará reduzindo o número de sedes das 12 atuais para oito ou nove.

Se me perguntarem quantas teremos em 2014 diria que 12, apesar de gente no próprio governo trabalhar com a hipótese de ficarmos com dez devido a atraso em obras.

O caso mais emblemático é o de Natal, que iniciou as suas com atraso de 17 meses.

Mais do que o atraso nas obras me preocupa o custo delas, que não para de aumentar. Como divulgado pelo próprio LANCE! na semana passada, o governo reconhece que a Copa não custará menos do que 30 bilhões de reais, quando chegou a trabalhar com cifras menores no início. Consultorias econômicas chegam a dizer que o preço final não ficará abaixo dos 100 bi. É provável, mesmo com o jeitinho brasileiro que o governo pretende dar, decretando feriado em dias de jogos, por exemplo, antecipando férias escolares, tudo para mexer o mínimo possível com obras ligadas à mobilidade urbana, essas sim atrasadíssimas, como as aeroportuarias. Em outras palavras, certamente não teremos a Copa que nos prometeram. E pagaremos uma conta bem mais salgada. E põe salgada nisso.