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Posts com a Tag ‘Havelange’

A jogada de Blatter

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Muito conveniente para Joseph Blatter atirar aos lobos Ricardo Teixeira e João Havelange, que segundo a Justiça suíça receberam de suborno mais de 45 milhões de reais juntos nos anos 90, e tentar aparecer como “moralizador”.

Blatter era “braço direito” de Havelange, foi secretário-geral da Fifa quando o brasileiro comandou a entidade, e ele mesmo já admitiu que sabia do pagamento de propinas. Por que calou, então? Porque, segundo ele, na época o pagamento era permitido por lei. Bolas, se era permitido por lei, ele deveria estar pedindo a expulsão de Havelange da presidência de honra da entidade?

Blatter, Havelange e Teixeira são farinha do mesmo saco, embora hoje de lados opostos. E Blatter, no comando da Fifa, coloca a cabeça de Havelange a prêmio para ver se consegue salvar a sua. Não deveria. Inclusive porque teve papel ativo na escolha conjunta de Coreia e Japão como sedes da Copa de 2002, decisão que teve suspeitas de compras de voto, como pairam denúncias de corrupção na escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022. E agora vem Blatter e insinua que os alemães compraram votos para levar a de 2006. As três últimas sob sua administração e a primeira sob gestão de Havelange, tendo Blatter como seu secretário-geral.

Direta ou indiretamente o atual presidente da Fifa está metido até o pescoço _e põe pescoço nisso_ nos escândalos que marcam a Fifa, entidade que preside desde 1998. Como pedem os alemães, deveria sair já. Não dá agora para tentar bancar o moralizador, nem jogar toda a culpa nos brasileiros, como se ele fosse o único “santinho”. De santo Blatter não tem nada. Quanto mais rica ficou a Fifa, maiores a ganância, os escândalos, as brigas políticas e as traições. E em traição o suíço está mostrando que é PhD.

Traição à parte, se houve corrupção para a escolha das sedes de 2006, como insinua o próprio Blatter, 2018 e 2022, a apuração tem de ser agora. E os responsáveis punidos. Inclusive quem chefia a Fifa, que deveria se afastar do cargo para as investigações poderem correr melhor.

Nuzman e as loterias

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A divisão dos recursos da Lei Piva tem causado polêmica entre presidentes de confederações esportivas, boa parte insatisfeita com a gestão Carlos Arthur Nuzman, que usaria a verba como forma de manipulá-los e mostrar poder.

Pelo menos seis confederações têm batalhado para marcar uma assembleia e discutir a divisão da grana, criando critérios que especifiquem qual porcentagem caberá a cada entidade.

Questionam também a parte que cabe ao Comitê Olímpico Brasileiro, definida arbitrariamente por Nuzman, presidente do próprio COB, e a que vai para um fundo de reserva.

Idealizada pelo ex-senador Pedro Piva, a lei das loterias destina uma parte de sua arrecadação para o esporte olímpico brasileiro.

Quando Agnelo Queiroz assumiu o Ministério do Esporte no primeiro governo Lula, o COB passou a chamar a lei de Agnelo/Piva, o que descontentou o ex-senador mas ganhou pontos com o então ministro.

Nuzman tornou-se muito próximo de Agnelo e Orlando Silva, que sucedeu o primeiro na pasta de Esporte, mas se afastou dos dois depois que começaram as denúncias de corrupção no ministério.

Também se afastou de João Havelange, que vivia homenageando sempre que tinha oportunidade, já que o ex-presidente da Fifa, abalado por denúncias de corrupção, saiu de cena pedindo desligamento do COI.

As relações de Nuzman, que acumula a presidência do COB com a do Comitê Organizador Local para os Jogos de 2016, com a Rede Globo não são as mesmas desde que a Record ganhou a disputa para transmitir a Olimpíada de Londres, que acontece ainda em 2012, e dos Pans de 2011 e de 2015.

Fifa ignora Teixeira

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A partir de janeiro a Fifa pretende se aproximar do governo brasileiro para acertar os ponteiros para a Copa de 2014 e conta com a ajuda de Ronaldo, como representante do Comitê Organizador Local, que será um dos interlocutores da federação.

A tendência é que Ricardo Teixeira, que se licenciou do Comitê Executivo da Fifa, seja escanteado não só por Dilma Rousseff mas também pela cúpula da Fifa.

Sua filha, Joana Teixeira Havelange, também não é bem vista pela entidade comandada por Joseph Blatter. Segundo avaliação da Fifa, ela está no COL apenas por ser neta de Havelange (e filha de Teixeira) e não teria competência para exercer função executiva.

É, a situação de Teixeira e Havelange não anda muito boa, não. Bom sinal, bom sinal…

As cifras não batem

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Quanto custou a festa do sorteio dos grupos para as eliminatórias da Copa-2014, que acontece amanhã na Marina da Glória, no Rio?

Segundo informações iniciais passadas inclusive por Joana Havelange, filha de Ricardo Teixeira, neta de João Havelange e diretora-executiva do COL, o Comitê Organizador Local do Mundial, as cifras são de 30 milhões de reais. Os custos todos teriam sido pagos pela Prefeitura e pelo governo do Estado do Rio. Ou seja, tudo dinheiro público.

Prefeitura e governo estadual confirmam que pagaram 30 milhões de reais pelo evento a fim de promover a cidade que irá receber a decisão da Copa de 2014. Querem também tentar ser a sede do sorteio dos grupos da Copa, no final de 2013, o que não conseguirão, segundo Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa,  que prefere outra cidade.

A questão é que Rodrigo Paiva e a assessoria da CBF informaram que os gastos da festa não são de “apenas” 30 milhões de reais. Que foram superiores a isso _a estimativa seria de 40 a 45 milhões de reais. Quem bancou o resto? O COL, o que Joana Havelange não confirma.

Há um claro desencontro de informações. O COL e a CBF, segundo Ricardo Teixeira, não são órgãos públicos, mas devem satisfações, especialmente o comitê organizador, sobre os gastos da festa.

E a questão é mais séria. Por quê? Porque Joana Havelange diz que tudo foi feito, inclusive o fechamento do aeroporto Santos Dumont por quatro horas, a pedido da Fifa. E que a Fifa gostaria que o aeroporto ficasse fechado por oito horas, mas que depois de intensas negociações, o COL teria conseguido reduzir o fechamento para quatro horas. Só que a assessoria da Fifa não confirma e desmente o COL. Diz que a decisão de fazer o evento na Marina da Glória _poderia ser em qualquer outro local longe do aeroporto_ foi dos brasileiros e que ela não pediu uma festa de 30 milhões de reais _ou mais, já que não temos a cifra definitiva. E muito menos que Prefeitura e governo do Rio pagassem a conta.

Segundo a Fifa, eles _e não a iniciativa privada_ estão bancando a festa, ou seja, os contribuintes fluminenses, porque querem.

A Prefeitura e o governo do Rio de fato quiseram bancar o sorteio (ou parte dele, segundo a CBF), mas o contribuinte carioca está satisfeito? Nem todos, tanto que amanhã sai às 10hs do Largo do Machado uma passeata de protesto contra Ricardo Teixeira e a confusão no gerenciamento da Copa no Brasil. Confusão, aliás, é o mínimo que pode ser dito. Vide a inflação nos orçamentos que continua e continua e continua.

Uma reportagem imperdível

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Acabei de ler o livro de Andrew Jennings sobre o mundo secreto da Fifa, mas muito melhor do que a obra do jornalista britânico é o perfil que Daniela Pinheiro traça de Ricardo Teixeira na edição de julho da revista “Piauí”.

É brilhante. Ela acompanha o presidente da CBF em Zurique, onde fica a sede da Fifa, e em Brasília e mostra toda a empáfia e a vaidade de um dirigente que se acha acima do bem e do mal. Mostra no que o poder pode transformar uma pessoa. Descreve detalhadamente os hábitos de Teixeira, sua visão de mundo, o que pensa da imprensa, das relações humanas…

Em pequenos momentos, como o instante em que sua atual mulher comenta que, antes de casar com ela, Teixeira usava sapato preto com meia soquete branca, insinuando que nos tempos em que era marido da filha de Havelange o dirigente era brega, entendemos um pouco das relações familiares e do contexto em que ele vive.

Teixeira fala o que pensa, sem filtro nenhum, trata a seleção e a CBF como se fossem propriedade dele, conta que o Lula lhe dizia que não via a Globo News porque só dava traço, assim como ele não liga para UOL, LANCE! e ESPN, pois define os três como traço, traço e mais traço.

Pelo jeito trata seu assessor Alexandre Silveira como um “nada”, assessor que o acompanha há 18 anos e faz tudo por ele “sem jamais ouvir um por favor ou um obrigado”, como escreve a brilhante jornalista na “Piauí”. É de estarrecer.

Dá até para entender o porquê de Havelange, seu ex-sogro que quer vê-lo como presidente da Fifa por ser o pai de seus netos, considerá-lo um homem bem sozinho. Com 64 anos, Teixeira aparenta mais, como bem coloca Daniela. É um retrato triste. O retrato de um homem poderosíssimo, muito rico, extremamente influente e que provoca a ira em muitas pessoas não só por sua postura, que pode ser qualificada no mínimo de arrogante, mas principalmente pelas denúncias de corrupção, que não são poucas.

Esta reportagem deve provocar mais ira ainda em quem já não gostava de Teixeira.

Não tenho nada de pessoal contra ele. Nada mesmo. Quando o entrevistei foi extremamente gentil comigo. Mas lendo o perfil traçado pela “Piauí” você pensa no vazio em que pode se transformar a vida de uma pessoa. Por mais poder e dinheiro que tenha li o perfil de um sujeito que parece extremamente infeliz, mas extremamente infeliz mesmo, que vive rodeado de gente interessada em lhe puxar o saco e obter favores. É um perfil de arrepiar, muito, muito bem escrito mesmo. Foi o melhor perfil que já vi sobre o presidente da CBF. O melhor. Quem não leu sugiro que compre a revista e leia. E cada um que tire suas conclusões.

Jennings e Havelange

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Calma, ainda não deu tempo de acabar de ler o livro de Andrew Jennings _”Jogo Sujo”, sobre os escândalos e bastidores da Fifa_, mas queria aproveitar a oportunidade para voltar a criticar Sir Stanley Rous, presidente da Fifa citado pelo jornalista como ”um homem em quem se podia confiar o relógio e as chaves da casa”.

Eu não confiaria as chaves da minha casa a alguém que aceitou o título de presidente de honra da Fifa concedido pelo próprio Havelange, tão criticado por Jennings. A alguém que achava que o mundo tinha que girar em torno da Grã-Bretanha. A alguém que não entendia que o futebol não era apenas entretenimento, mas negócio também. A alguém que pouco se lixava para o continente africano, continente saqueado por britânicos e franceses durante anos e anos de história. Entrego a chave da minha casa a pouquíssimas pessoas. Mas não entregaria nem a Rous nem a Havelange.

O primeiro, já falecido, presidiu a Fifa entre 1961 e 1974. Foi um dirigente pífio, apagado, que deixou de lado continentes como o africano e o asiático, que só via o futebol como esporte, mas entendia que pudesse ser usado politicamente. Como foi em 1966, durante sua gestão, quando a Inglaterra ganhou a Copa em casa com um belo auxílio da arbitragem. O segundo _Havelange_ dirigiu a Fifa de 1974 a 1998 e foi um desastre. A Copa de 1978, usada politicamente pela ditadura argentina, fala por si só. Sua administração foi atolada por denúncias de corrupção. Atolada, como prova Jennings em sua obra, que deve ser lida por qualquer pessoa que goste de futebol.

Mas vejo um mérito em Havelange. Ele teve a visão de que o futebol era mais do que entretenimento. Era um negócio que podia ser muito rentável. Se parte do dinheiro foi para o bolso dele e o de Teixeira cabe à Justiça apurar. Pois denúncias e acusações não faltam. Basta ler o livro de Jennings…

O jornalista é incisivo nas denúncias contra os dois, que chama de ladrões, como chama Blatter de ladrão. Mas continuo insistindo que peca quando critica medidas tomadas por Havelange que considero importantes para o futebol. Ele escreve sobre o programa do brasileiro quando este assumiu o comando da Fifa em 1974: “Danem-se os europeus, o número de participantes da Copa seria ampliado e haveria Mundiais de categorias de base. Ele encontraria patrocinadores e com o dinheiro ajudaria federações e associações nacionais, cursos ministrados por técnicos, médicos e árbitros, novos campos de jogo e mais competições nos países em desenvolvimento para clubes em desenvolvimento.” Coloca isso como se fosse algo negativo quando não era.

Havelange usou a seleção brasileira para ser eleito? Sem dúvida, já que como presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos mandava-a excursionar e a utilizava para angariar votos no continente africano, por exemplo. Mas que sua plataforma era mais moderna do que a de Stanley Rous, ah! isso era. E que essa cegueira prejudica o próprio Jennings prejudica, embora ele tenha conseguido fazer um personagem de si próprio. O que não invalida, é claro, as denúncias que faz e que deveriam ser todas apuradas e seriam se estivéssemos num mundo sério. Mas não estamos. Definitivamente não estamos. Se estivéssemos, não teríamos Blatter como presidente da Fifa, Teixeira como presidente da CBF desde 1989, o confisco inexplicável feito por Collor, que está todo prosa de volta aí e atuando no Senado pela Copa no Brasil… Coisas da política, coisas do futebol…

Jennings x Teixeira

terça-feira, 5 de julho de 2011

No lançamento do livro “Jogo Sujo _O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos”, o jornalista escocês Andrew Jennings não poupou críticas a Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e cia., chegando a chamá-los de ladrões antes da sessão de autógrafos num shopping em São Paulo.

Indagado que pergunta faria ao presidente da CBF, se tivesse a oportunidade de lhe fazer apenas uma única questão, disse que gostaria de saber se Teixeira não tem vergonha do que fez com o Brasil e o povo brasileiro.

A resposta é fácil. Teixeira, certamente, diria que não, embora devesse ter vergonha sim por, entre outras coisas, estar gerindo extremamente mal a organização da Copa no Brasil _sem falar das denúncias de corrupção.

Mas Jennings, um jornalista investigativo que penetrou nas entranhas da Fifa depois de atacar a administração de Samaranch no COI, acaba com Blatter e seus aliados. Pude apenas dar uma olhada na obra, depois vou lê-la com calma, só que deu para sentir que o britânico tem esperanças de que Blatter não sobreviverá muito como presidente da Fifa. Na conversa com jornalistas e estudantes de jornalismo chamou a última reeleição do suíço, em junho passado, de uma grande farsa. E diz que os patrocinadores da Fifa estão p… da vida com a imagem mais do que arranhada da entidade e de seus dirigentes, atolados em denúncias de corrupção. Um mar de lama que não acaba mais.

Jennings diz ainda que tem ânsia de vômito cada vez que Teixeira dá um beijo em Jérôme Valcke, o secretário-geral da Fifa. Apesar de os dois quererem o cargo de Blatter, já que almejam suceder o suíço na presidência da Fifa, estão concatenados sobre a Copa no Brasil. Que vai dar muito dinheiro. Valcke pede urgência nas obras e Teixeira corre para o governo para pedir mais dinheiro.

Só que o autor de “Jogo Sujo”, livro da Panda Books, cujo diretor editorial é o brilhante jornalista Marcelo Duarte, tem gostado da posição de Dilma Rousseff. Acha que a presidente do Brasil tem evitado aparecer ao lado de Teixeira, deixando de posar em fotos com o dirigente e está abrindo os olhos para o que pode acontecer na Copa de 2014.

Para ele, não há necessidade de construir tantos estádios, isso interessa apenas para as grandes empreiteiras. E o povo brasileiro, bem, o povo brasileiro vai acompanhar a Copa… pela TV, diz Jennings. Porque os ingressos serão caríssimos e ficarão quase todos em mãos dos donos do futebol. Não do público brasileiro.

Mas há pontos em que discordo do jornalista. Ele pode não gostar de Havelange _e não gosta com toda a razão, aliás põe razão nisso_, mas admira seu antecessor, o britânico Stanley Rous, que comandou a Fifa de 1961 a 1974 quando perdeu a eleição para o brasileiro. Só que Rous não era flor que se cheire.

Rous comandou a Copa de 1966, na Inglaterra, vencida todos sabemos como… pelos ingleses. Recusava-se a aprender outras línguas pois achava que todos tinham que falar… inglês. Tinha preconceito contra o futebol africano e chegou até a cogitar fazer uma Copa só com países europeus mais Brasil, Argentina e Uruguai. Tinha um pensamento bem ultrapassado. Era Sir, o que não quer dizer muita coisa, mas para Jennings parece que quer… Rous não se opôs ao regime do apartheid na África do Sul e não era muito fã de Mandela.

Jennings prefere concentrar suas críticas nos alemães, suíços, argentinos e brasileiros, o que me deixa com um pé atrás. Apesar de reconhecer que é um baita jornalista, o que é indiscutível. Mas mesmo os grandes jornalistas não deixam de ser parciais, porque a neutralidade absoluta simplesmente não existe.