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Posts com a Tag ‘filme’

O nome do atletismo

sábado, 4 de agosto de 2012

A sensação do atletismo em Londres pra mim tem nome: Oscar Pistorius, sul-africano que teve as duas pernas amputadas e vai disputar os Jogos com suas próteses de fibra de carbono.

O assunto é polêmico. Há quem diga que ele leva vantagem, já que “carregaria” menos peso, o que lhe exigiria uma força muscular menor a cada passada, mas há quem diga que tem desvantagem, pois a arrancada tende a ser mais lenta e o equilíbrio mais complicado. Há quem veja uma competição desleal, enfim, seja ela contra ou a favor de Pistorius, mas o fato é que ele está aí e vai causar furor.

Não vou entrar na questão “técnica”, pois não tenho opinião formada e a Corte Arbitral do Esporte decidiu que o sul-africano pode competir nos Jogos desde que use as próteses que apresentou, proibindo-o de substituí-las por outras mais leves e mais velozes, já que fornecedores não faltam.

A mim interessa mais a história de Pistorius e o exemplo que pode passar para muita gente. O de que temos de levar a vida possível e fazer o melhor sob as condições que nos são apresentadas.

Pistorius teve as pernas amputadas quando tinha 11 meses devido a um problema congênito. Quando criança tentou outras modalidades, entre elas o polo aquático e o tênis, mas no final partiu para a carreira no atletismo. Aos 25 anos de idade, atribui as conquistas ao incentivo de sua mãe, Sheila, que nunca o fez desistir.

Estudante de ciências do esporte, o sul-africano é prova de que participar pode, por si só, ser a maior das conquistas. E de que o esporte significa muito mais do que uma medalha. Uma história incrível. E que vai parar em Hollywood, espero que trazendo mais o lado humano do que o técnico. Porque no fundo _e no raso também_ é realmente o primeiro que importa.

O futebol na telona

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para quem gosta de futebol e cinema segue uma dica cultural que publiquei ontem no LANCE!, seguida de três notinhas, reproduzida aqui neste espaço para os internautas que por um motivo ou outro não tiveram acesso ao jornal:

“Não é tão comum a associação do futebol com outros campos artísticos, como cinema e literatura, embora nos últimos tempos tenham crescido as produções com o principal esporte do Brasil como pano de fundo ou até “pano de frente” no cenário. O futebol, que reúne histórias incríveis, algumas dramáticas, outras divertidas, umas mais pesadas, todas humanas, deveria ser mais bem explorado por cineastas e escritores. E acho que de um tempo pra cá isso tem acontecido, especialmente com filmes ligados a conquistas e histórias de clubes, caso do Santos no ano de seu centenário.

Para quem se interessa pelo assunto e quiser ver produções bacanas uma oportunidade é o CINEfoot, que se intitula o único festival de cinema do Brasil e da América Latina exclusivamente dedicado à exibição e promoção de filmes sobre futebol, e acontece no Rio e em São Paulo. Os cariocas terão a chance de ver os filmes de amanhã (sessão só pra convidados) a 29 de maio no Espaço Itaú de Cinema em Botafogo, e de 31 de maio a 3 de junho no Centro Cultural Justiça Federal. A edição paulistana será de 31 de maio a 5 de junho no Museu do Futebol e no Reserva Cultural. A entrada é franca.

A mostra competitiva, reunindo longas e curtas, terá 28 filmes, dos quais 15 brasileiros e 13 estrangeiros. Sou codiretor de um deles, o “Sobre Futebol e Barreiras”, filmado com três amigos em Israel e territórios palestinos durante a Copa de 2010, na África do Sul, com os personagens discutindo questões de identidade nacional, política (que lá como cá é complicada pacas), religião e, como não poderia deixar de ser, futebol.

Vejo com ótimos olhos a junção do esporte com o cinema que produziu filmes memoráveis. Um deles é “Machuca”, de Andrés Wood, que trata da amizade de dois garotos no ano do golpe militar no Chile que derrubou o governo de Salvador Allende. E lá na periferia do longa estão o campinho de futebol e a várzea num filme de um diretor que sempre foi fã do esporte, tanto que antes havia lançado “Histórias de Futebol”, reunindo personagens tocados tangencialmente pela bola.

Outro filme interessantíssimo é “Match” (ou “Partida da Morte”), que mostra os bastidores de um jogo épico de futebol, durante a invasão alemã a Kiev na Segunda Guerra Mundial. Os ucranianos, mesmo ameaçados de morte, reuniram força para enfrentar e derrotar os nazistas. Baseado no livro de Andy Dougan (“Dínamo: Defendendo a Honra de Kiev”), que comprei em 2001, em Londres, é um filme que recomendo. Como recomendo o livro. E ambos causam polêmica no Velho Continente por conta da Eurocopa, que será justamente na Ucrânia e na Polônia, com receio de que provoquem animosidade contra os alemães.

Do CINEfoot, “Machuca”, que é de 2004, não faz parte, mas há produções muito bem avaliadas como os alemães “Os Cervejeiros de Quilmes” e “O Outro Chelsea: Uma História de Donetsk”, o dinamarquês “Futebol é Deus” e o brasileiro “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”.”

* Canal 100: Grande homenageado do festival, o Canal 100, criado por Carlos Niemeyer, e representado por Alexandre Niemeyer, seu filho, terá seis documentários históricos, em sessões especiais, com raras imagens dos quatro grandes do Rio. O Santos, que fez cem anos, será tema de outros dois, que abordam o bi mundial de 1962/63 e o tricampeonato paulista de 1967/68/69, feito repetido agora por Neymar e Cia;

* De olho em 2014: Com vistas à Copa no Brasil, o CINEfoot vai realizar no Instituto Cervantes, também em Botafogo, no Rio, o seminário “Futebol: Cultura e Mercado”, que será dividido em dois módulos. O primeiro terá como tema “Cinema, Estética e Futebol: Canal 100” e o segundo, “Oportunidades para o Audiovisual Brasileiro em Tempos de Copa do Mundo”. O seminário, também com entrada franca, acontece na segunda;

* Projetos, projetos: Em 2004 participei de um grupo para gerar ideias de documentários sobre 13 dos principais times do país, projeto liderado por Rodrigo Teixeira, um dos produtores do filme sobre Heleno de Freitas. E sigo achando, como já achava lá atrás, que a invasão corintiana no jogo contra o Flu, em 1976, merece um baita documentário. Como merece a Lusa, time que adoro, mas essa é uma outra história.

Heleno e os números primos

quinta-feira, 29 de março de 2012

Por questão de hábito, não costumo ver um filme depois de ter lido o livro em que ele é baseado ou ler um livro depois de ter visto o filme que foi feito a partir do primeiro. Uma vez ou outra quebro a regra. Farei isso com “Heleno”, que estreia amanhã nos cinemas.

Gostei muito de “Nunca Houve um Homem como Heleno”, livro de Marcos Eduardo Neves, que conta a trajetória de Heleno de Freitas, grande ídolo do Botafogo que morreu aos 39 anos de idade, vítima da sífilis, num sanatório. Como escreveu Ruy Castro, para Heleno a “vida era uma festa interrompida por momentos de lucidez”. Ele foi o carrasco dos adversários e, eu acrescentaria, de si mesmo.

Apesar de já ter lido o livro agora vou ver o filme, que dizem ser ainda melhor. E a atuação de Rodrigo Santoro interpretando o jogador parece que está espetacular.

Ao escrever sobre Heleno lembro-me de “A Solidão dos Números Primos”, de Paolo Giordano, que vi entrecortado na TV para depois ler o livro, infinitamente melhor. Conta a história de Mattia e Alice, o sofrimento humano, os encontros e desencontros entre os protagonistas, um menino e uma menina solitários que são como números primos. Divisíveis apenas por um e por si mesmos. Como escreve Giordano, “estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros, são números suspeitos e solitários”. Números incríveis.

Recomendo o livro de Giordano, um italiano que nasceu em Turim, e também o filme sobre Heleno, pelo que já me disseram sobre ele. Mas só vou vê-lo na telona semana que vem. Até lá estarei “ausente”, embora respondendo, na medida do possível, os comentários de vocês. E segunda, dia 2, volto a postar. Desde já um ótimo final de semana a todos, João

 

SFB em POA

sábado, 3 de março de 2012

“Sobre Futebol e Barreiras”, longa de que participei com três amigos como um dos diretores, estreia no próximo dia 17 em Porto Alegre, no Cine Santander.

É uma oportunidade para quem gosta de futebol, política e religião discutir o que se passa no Oriente Mèdio, um dos nós das relações internacionais da atualidade.

Durante a Copa de 2010 mostramos o dia a dia de personagens judeus e palestinos, muitos dos quais amam o futebol mas não estavam representados na África, já que Israel só foi para uma Copa, a de 1970, e por questões de segurança tem de disputar as eliminatórias contra as fortes seleções da Europa, e a equipe palestina nunca participou de um Mundial, já tendo sido eliminada do de 2014, aqui no Brasil.

Com o futebol como pano de fundo os personagens discutem seu cotidiano, conflitos internos e externos, falam de esperança, sonhos, política, religião, segurança (ou falta dela), liberdade…

Há judeus que gostam, há judeus que não gostam, há árabes que gostam, há árabes que não gostam, mas quem não está envolvido diretamente com a questão tem nos dado retornos muito positivos.

O filme é uma forma de olhar para o outro com cuidado. E ver que os dois lados querem exatamente a mesma coisa. Quando humanizamos o conflito o discurso é semelhante. Mas a política e o fundamentalismo religioso estão aí para atrapalhar…

Os pais de um amigo meu, ambos judeus, viram e não gostaram nada. Acharam pró-palestino e saíram bem irritados. Mas o neto deles também viu e fez um comentário que achei interessantíssimo. Que finalmente estava entendendo o porquê do conflito e que os palestinos não são todos maus. Nos dois lados há interlocutores possíveis. E legítimos. Talvez faltem interlocutores nos governantes israelenses e palestinos, isso sim. Não no povo. Bom final de semana a todos, João

A sobrevivência dos cartolas

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Abaixo reproduzo coluna que publiquei ontem no LANCE! e que trata do processo de globalização no futebol mundial, dos cartolas brasileiros, de cinema e do Oscar. O troféu de Hollywood, não o jogador do Internacional, que para mim deveria estar na seleção de Mano. Que aliás não está jogando nada… Como escreveu o jornalista Lúcio Ribeiro ontem na “Folha” por que não Guardiola como técnico do Brasil? Aproveitando que Ricardo Teixeira é tão amigo de Sandro Rosell, o presidente do Barça, e ajudou o dirigente a ganhar dinheiro público com amistoso da seleção, ele não poderia retribuir dando uma mão pra seleção? Precisamos de técnico pra ontem! E feito o desabafo segue a coluna que mencionei:

“Em 2004 o norte-americano Franklin Foer, editor da revista “New Republic”, lançava nos Estados Unidos “Como o Futebol Explica o Mundo: Um Olhar Inesperado sobre a Globalização”, traduzido no ano seguinte para o português. Para escrevê-lo, Franklin viajou por vários países, entre eles o Brasil, e pôde constatar “que, em vez de destruir as culturas locais, como preconizava a esquerda, a globalização deu nova vida ao tribalismo e que, longe de promover o triunfo do capitalismo apregoado pela direita, fortaleceu a corrupção”.

Conheci o jornalista em sua passagem por São Paulo e ajudei-o na marcação de entrevistas no Rio. Almoçamos com seu primo brasileiro Marcelo Waimberg, que foi quem me procurou, e conversamos um bocado sobre a situação do futebol brasileiro.  Franklin debruçou-se sobre os bastidores do esporte nacional, foi ao Rio atrás de Eurico Miranda e histórias do Flamengo, da Seleção, da CBF, de Pelé e de Teixeira. Quando recebi o livro notei que o capítulo sobre o Brasil, embora tenha sido um dos que menos gostei, recebera o título de “Como o Futebol Explica a Sobrevivência dos Cartolas”.

O título, pelo menos, é sugestivo. Porque passa ano, entra ano e eles continuam aí, atolados por denúncias de corrupção e interligados, impedindo que nomes fora do meio possam ganhar força no esporte, perpetuando-se no topo, preparando terreno para entregar o clube, federação ou confederação a seus pares quando de sua saída, manipulando estatutos para favorecê-los, impedindo a rotatividade no poder.

Se a mentalidade dos cartolas continua a mesma, o futebol e a obra de Franklin Foer pelo menos me proporcionaram a oportunidade de conhecer muitos lugares e muita gente interessante. Dentro e fora do Brasil.

Lembrei do livro de Franklin não por acaso, mas por conta da situação da CBF e de Ricardo Teixeira e também por causa do cinema e do Oscar. Pois estreou na sexta-feira o filme “Tão Forte e Tão Perto”, do diretor inglês Stephen Daldry, o mesmo de “Billy Elliot”. “Tão Forte e Tão Perto”, indicado ao Oscar de melhor filme, é baseado na obra de Jonathan Safran Foer, irmão de Franklin, cujo título é “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”. O livro é muito melhor do que o filme, incomparavelmente melhor, embora o segundo valha ser visto pelas atuações do garoto Thomas Horn, no papel de Oskar Schell, um menino que perde o pai no 11 de Setembro, e do veterano ator sueco Max von Sydow, sem falar nas lindas imagens de Manhattan e do Central Park.

Conheci Jonathan, que já havia escrito “Tudo está Iluminado” e preparava o lançamento de “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, por intermédio de seu irmão Franklin. Almoçamos em Nova York e conversamos sobre cinema, literatura e viagens, assuntos que me fascinam. Não falamos de futebol, muito menos de cartolas. Na vida as pausas são fundamentais e o silêncio, tão bem representado pelo trabalho de Von Sydow e especialmente por “O Artista”, que conta a história de um astro do cinema mudo na Hollywood de 1927, também.”

Tudo pelo Poder

sábado, 7 de janeiro de 2012

Poderia versar sobre os bastidores da política brasileira ou os do esporte do país, onde os dirigentes fazem de tudo e mais um pouco para tentar segurar o filé, mas não. É um filme sobre as eleições presidenciais norte-americanas.

Focado no assessor de imprensa de um dos candidatos democratas, “Tudo pelo Poder” mostra o que podemos até imaginar, mas aquilo que poucos ficam sabendo numa campanha eleitoral.

Um amigo, também assessor de imprensa, costuma dizer que no Brasil os jornalistas de economia ficam sabendo o que as empresas, governo e assessores querem que eles saibam. Às vezes até desnudam a ponte do iceberg, mas não vão muito além disso. No esporte não é diferente.

Não pretendia assistir ao filme, as críticas não foram das melhores, mas quando outro amigo recomendou, resolvi ver e a história passa em um minuto. Prende o espectador.

Já “Cavalo de Guerra”, a que assisti ontem, tem o carimbo de Steven Spielberg. As críticas são positivas, mas há um quê de água com açúcar. É um conto de fandas ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, que narra a amizade entre um garoto e seu cavalo.

São quase duas horas e meia de filme, imagens belíssimas e uma reflexão sobre a natureza humana e os conflitos. De hoje e de um século atrás. De sempre.

O Garoto da Bicicleta

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Não sei se já cheguei a falar desse filme que está em circuito no Brasil, mas recomendo a quem puder ver.

Dirigido pelos irmãos Dardenne, “O Garoto da Bicicleta” é uma obra curta, simples e muito bonita. Conta a história de uma criança abandonada pelo pai e que mora num internato e a relação de amizade que desenvolve com uma cabeleireira.

Apesar de um pai de m… ou justamente por causa dele, o filme trata de um momento na vida do garoto em que as ilusões são perdidas e a realidade fala mais alto. Mas é uma realidade que pode ter acolhimento, se não do pai, de outras pessoas. É um conto sobre o amor, como chegaram a definir os irmãos belgas.

Abriu a Mostra Internacional de Cinema de SP deste ano e ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes. Recomendo.

Já sobre Ronaldo, Pelé e Ricardo Teixeira, ainda prefiro falar em outro momento, embora tenha uma opinião sobre o que está ocorrendo.

O governo brasileiro e o Comitê Organizador Local querem colocar figuras de destaque do esporte, o que é legítimo, para dar destaque e vender a imagem da Copa de 2014, tentando mascarar, o que não é legítimo, todos os problemas que a administração do evento tem enfrentado. Como enxurrada de dinheiro público nas obras, todas elas atrasadas, falta de planejamento, descontrole gerencial, denúncias de corrupção e superfaturamento… Prefiro “O Garoto da Bicicleta”.

Os jovens e os funerais

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hoje o assunto do mundo do futebol é o Corinthians e a decisão “adiada” para o próximo domingo. Mas quero mudar um pouco o foco e tratar de cinema. Terminou a rodada ontem e fui ver… “Inquietos”, de Gus Van Sant. Recomendo.

O filme conta a história de Enoch, brilhantemente interpretado por Henry Hopper, um adolescente que perde os pais e passa a frequentar funerais e flertar com a morte.

Tem seu momento clichê no encontro com uma garota com estimativa de três meses de vida devido a um câncer terminal, mas vale ser visto. Porque é um filme que explora as crises da juventude, trata da morte e portanto da vida e da dificuldade do diálogo entre gerações. E ainda assim consegue ser leve.

Adolescência talvez seja a fase mais difícil da nossa existência _ou seria a velhice?_ e em “Inquietos” Gus Van Sant parece acreditar na capacidade que temos de passar por ela e de fato crescer. Por mais complicado que seja esse período da nossa vida também acredito nisso. Uma ótima semana a todos, João

A Lusa, o circo e a vida

sábado, 29 de outubro de 2011

O que A tem  a ver com B? Nem eu sei. Mas hoje queria lembrar da Lusa, que tem jogado um futebol que há muito tempo mesmo não via e de um filme a que assisti ontem à noite, dirigido por Selton Mello, ator de grande sensibilidade. E bota sensibilidade nisso.

O time do Canindé comemorou o titulo da Série B ao vencer a Ponte, 2 a 1 em casa. Abriu 13 pontos de vantagem sobre a equipe de Campinhas e faltando cinco jogos para cada um deles até o final, o título não escapa mais da Portuguesa. Só se acontecer uma catástrofe, o que duvido. Ainda mais do jeito que a Lusa tem jogado.

As várias correntes políticas deram uma trégua no Canindé e o técnico Jorginho conseguiu fazer seu trabalho em paz. Segundo a diretoria, ganhará aumento e continuará dirigindo o time em 2012, agora na Série A, pois o acesso está confirmado. Acho bom.

No início da madrugada, quando voltava a pé pra casa, vi um torcedor solitário da Portuguesa exibindo todo orgulhos a faixa de campeão e fiquei olhando, olhando, olhando…

Voltava de “O Palhaço”, filme de Selton Mello, em que ele próprio é o protagonista ao lado do veterano e talentosíssimo Paulo José. Não gostei tanto como de “Feliz Natal”, o primeiro longa de Selton como diretor. Mas há cenas marcantes. Principalmente as do ator, que fazia o papel de um palhaço em crise existencial.

Sua expressão era incrível. Passava a tristeza e todo o vasto mundo interior do personagem, angústias, dores, aflições, desesperança, tudo tão claramente… E ó que o nome do circo era Esperança…

A figura do palhaço em si sempre mexeu comigo. Tem de fazer os outros rirem, mas ele próprio ri de quê? Pensava nisso desde pequeno…

Recomendo o filme pela atuação memorável de Selton Mello. E confesso que me assustei quando vi Moacyr Franco, 75 anos, fazendo o papel de delgado, ele próprio todo desfigurado pelo tempo. Como o tempo passa, como o tempo passa. Mas o importante é o que fazemos com ele. Sim, o importante é o que fazemos com ele…

Um ótimo final de semana a todos, João

O Sonho da Copa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Quem pensa que o assunto hoje é a Copa de 2014, sonho que está se transformando em pesadelo, está enganado. É a Copa de 1930, a primeira de todas, no Uruguai.

Primeiro filme do ator sérvio Dragan Bjelogrlic como diretor, “Montevidéu _O Sonho da Copa” conta a história de 12 moradores de bairros populares de Belgrado que lutam para montar uma seleção e disputar o Mundial na América do Sul e está na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que vai até dia 3.

Apesar de muito longo _tem 2hs20min de duração_, a obra tem cenas tocantes e mostra como das tremendas dificuldades enfrentadas pelo grupo surge uma forte amizade entre seus integrantes, elo que pode ser levado para a vida toda.

O futebol é o elemento aglutinador deste filme de ficção produzido pela Cobra Filmes, produtora de Dragan e seu irmão Goran.

E fica aqui minha lembrança de que tanto quanto a música o esporte pode ser um instrumento para levar as pessoas ao cinema e a conhecer outras formas de expressão artística.

Como a música, o esporte é elemento capaz de aglutinar e deve ser usado para inserir o indíviduo na sociedade. Mas não como tem feito o Ministério do Esporte com seu Programa Segundo Tempo, pois aquilo é para as páginas policiais e hoje nosso assunto é outro. É arte.